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BCE deixou claro corte de juros em junho, mas opiniões divergem sobre julho

18 abr 2024 - 11h22
(atualizado às 12h16)
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O Banco Central Europeu deixou claro nesta quinta-feira que um corte nas taxas de juros será feito em junho, mas as autoridades continuaram a divergir sobre os movimentos a serem tomados depois disso ou sobre até que ponto elas podem ser reduzidas antes de começarem novamente a estimular a economia.

O BCE colocou em jogo na semana passada um corte em junho e desde então reforçou essa orientação, apesar do aumento dos preços do petróleo, de um euro mais fraco e das apostas de o Federal Reserve adiará seus próprios cortes nos juros dos Estados Unidos.

"Acho que fomos muito claros: se as coisas continuarem como estão evoluindo ultimamente, em junho estaremos prontos para reduzir a restrição de nossa política monetária", disse o vice-presidente Luis de Guindos nesta quinta-feira.

O chefe do banco central francês, François Villeroy de Galhau, disse que há "um consenso muito grande" para um corte em junho e que até mesmo Klaas Knot, o chefe "hawkish" do banco central holandês, e Joachim Nagel, presidente do banco central alemão, estavam de acordo.

Os comentários apenas reforçam as expectativas do mercado de unanimidade em relação a esse movimento inicial e o foco já mudou para o que acontecerá nas reuniões subsequentes.

Essa questão, no entanto, continua a dividir as autoridades e Villeroy juntou-se a um grupo pequeno, mas crescente, dos que argumentam explicitamente que julho não deve ser descartado.

"Quando dizemos (que vamos) reunião por reunião, pode ser em cada reunião seguinte", disse Villeroy à CNBC. "Não acho, por exemplo, que devamos concentrar nossas cartas nas reuniões trimestrais, quando temos novas previsões."

Piero Cipollone, membro da diretoria do BCE; Yannis Stournaras, da Grécia; e Gediminas Simkus, da Lituânia, sugeriram, de uma forma ou de outra, que um corte em julho também pode estar em jogo.

Knot, por sua vez, juntou-se a outros em evitar falar sobre meados do ano e pareceu repetir sua opinião anterior de que o afrouxamento da política monetária poderia coincidir com as projeções trimestrais.

Atualmente, os mercados veem cortes nas taxas em junho, setembro e dezembro, quando novas previsões são publicadas, e Knot apoiou cautelosamente essas expectativas.

"Não me sinto desconfortável com essa precificação do mercado, mas, ao mesmo tempo, não nos comprometemos previamente", disse Knot à Bloomberg TV. "Dependemos dos dados e vamos de reunião em reunião."

Villeroy argumentou que a taxa de depósito de 4% do BCE tem um longo caminho a percorrer antes de parar de restringir o crescimento econômico e atingir a chamada taxa neutra.

"Nossas melhores estimativas para a zona do euro estão entre 2% e 2,5%, de modo que ainda temos um amplo espaço, embora permaneçamos em território restritivo, para flexibilizar e reduzir as taxas", disse ele.

Mario Centeno, de Portugal, por sua vez, argumentou que havia pouco debate entre as autoridades sobre o fato de que uma taxa de juros acima de 3% ainda estava retendo o crescimento e, portanto, amortecendo a inflação.

"Não conheço ninguém que diga que a taxa neutra está acima de 3%", disse ele à Reuters. "Com que rapidez devemos chegar lá? Temos tempo."

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