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BC vê alta de 1,6% no PIB em 2026 e inflação pressionada por petróleo, cita incerteza com guerra no Irã

Autarquia previu que a inflação ficará em 3,6% no primeiro trimestre ⁠deste ano e passará a subir sob impacto da alta do preço do ‌petróleo

26 mar 2026 - 08h13
(atualizado às 10h15)
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Logotipo do Banco Central na sede da instituição em Brasília
17/12/2024
REUTERS/Adriano Machado
Logotipo do Banco Central na sede da instituição em Brasília 17/12/2024 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

O Banco Central projetou nesta quinta-feira ‌que o crescimento econômico do país em 2026 será de 1,6%, mesmo patamar estimado em dezembro, apontando incerteza mais elevada no cálculo diante da guerra no Oriente Médio, que também produz maior pressão sobre a inflação.

Em seu Relatório de Política Monetária, a autarquia previu que a inflação ficará em 3,6% no primeiro trimestre ⁠deste ano e passará a subir sob impacto da alta do preço do ‌petróleo após a ofensiva dos Estados Unidos e Israel sobre o Irã, fechando o ano em 3,9%.

A partir do início de 2027, segundo o BC, o ‌índice de preços passaria a cair, ainda se ‌mantendo acima do centro da meta contínua de 3% por todo o ⁠período avaliado.

No terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a projeção está em 3,3%, 0,1 ponto acima da estimativa de dezembro. A projeção mais distante disponível aponta para uma inflação de 3,1% no terceiro trimestre de 2028.

"Entre os fatores que contribuem para a alta das projeções, destacam-se a elevação do preço ‌do petróleo e a revisão do hiato", disse o BC, citando como fatores de ‌baixa a valorização do ⁠real e queda marginal ⁠nas expectativas de mercado para os preços.

O BC deu início na semana passada a um ⁠aguardado ciclo de corte de juros ao ‌reduzir a Selic em 0,25 ‌ponto percentual, a 14,75% ao ano, defendendo cautela para passos futuros da calibração da taxa básica em meio ao "forte aumento da incerteza" com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio.

As estimativas do órgão apontam chance de 30% ⁠de a inflação estourar neste ano o teto da meta de 3%, que tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O indicador estava em 23% em dezembro.

Para 2027, a chance de rompimento do limite superior da meta subiu de 16% ‌para 19%.

De acordo com a autarquia, a inflação de serviços segue elevada, em contexto de mercado de trabalho aquecido e hiato do produto positivo, mas apresenta ⁠sinais de moderação.

No documento, o BC apontou um hiato do produto ligeiramente mais positivo do que o estimado em dezembro, o que indica uma atividade mais aquecida em relação à sua capacidade e podendo gerar pressões inflacionárias.

A autarquia afirmou que o crescimento da atividade econômica continua em trajetória de moderação, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência.

"A projeção de crescimento do PIB para 2026 permanece em 1,6%, mas está sujeita a maior incerteza diante dos potenciais efeitos dos conflitos no Oriente Médio", disse no documento.

O Ministério da Fazenda previu em novembro uma expansão de 2,3% para o PIB de 2026. Já o mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 1,84% neste ano.

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