BC do Japão mantém juros estáveis e alerta para pressão inflacionária da guerra contra o Irã
O Banco do Japão deixou a taxa de juros inalterada nesta quinta-feira, mas manteve seu viés de uma política monetária mais apertada, alertando que o aumento dos preços do petróleo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, pode exacerbar as pressões inflacionárias.
O presidente Kazuo Ueda disse que a diretoria do banco central está um pouco mais focada nos riscos de alta para a inflação do que nos riscos de baixa para o crescimento decorrentes do conflito, mantendo vivas as expectativas do mercado de um aumento dos juros no curto prazo.
"Antes do conflito no Oriente Médio, a atividade das famílias e das empresas estava firme. As medidas de estímulo do governo provavelmente sustentarão a economia", disse Ueda em uma coletiva de imprensa.
"Levaremos esses pontos em consideração ao determinar o grau em que o aumento dos preços do petróleo pode pesar sobre a economia por meio da piora dos termos de troca."
Na reunião de dois dias que terminou nesta quinta-feira, o Banco do Japão manteve sua taxa de juros de curto prazo em 0,75%. Hajime Takata, membro da diretoria, repetiu uma proposta malsucedida que fez em janeiro para aumentar os juros a 1,0%, argumentando que o Japão já viu a inflação atingir 2% de forma duradoura.
Outro membro da diretoria, Naoki Tamura, também discordou da opinião do banco central de que a inflação atingirá 2% de forma duradoura em algum momento a partir de outubro, argumentando, em vez disso, que o momento pode chegar já em abril.
"Na esteira do aumento da tensão no Oriente Médio, os mercados globais têm estado voláteis", disse o Banco do Japão em um comunicado anunciando a decisão, acrescentando que o aumento dos preços do petróleo provavelmente pressionará a inflação ao consumidor.
"Deve-se prestar atenção ao impacto do aumento dos preços do petróleo bruto sobre as perspectivas da inflação subjacente ao consumidor."
Ueda ofereceu poucas pistas sobre quando o Banco do Japão pode aumentar os juros novamente. No entanto, ele disse que a próxima revisão trimestral das previsões de crescimento e preços, prevista para abril, será fundamental, uma vez que a diretoria terá mais dados para avaliar se seu cenário base permanece intacto ou se estão surgindo novos riscos que justifiquem uma resposta.
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