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BC diz que atingir meta de inflação no prazo usual exigiria variações grandes e abruptas da Selic

23 jun 2026 - 08h20
(atualizado às 08h46)
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O Banco Central ‌afirmou que uma eventual tentativa de atingir a meta de inflação no último trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, demandaria ajustes agressivos da taxa Selic e faria, em seguida, a inflação ficar abaixo da meta por um ⁠prazo prolongado, mostrou nesta terça-feira a ata da última reunião do ‌Comitê de Política Monetária (Copom).

Diante dessa constatação, a autarquia avaliou serem mais adequadas, no momento, trajetórias da Selic menos discrepantes às ‌apontadas pelo mercado no boletim Focus, ‌questionário pré-Copom e precificação da política monetária, que levariam ⁠a inflação ao alvo de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028, por "evitarem induzir volatilidade excessiva" nos ativos financeiros e agregados macroeconômicos.

Ao notar que sua projeção de inflação para o fim de 2027 subiu para 3,7%, distanciando-se da meta, o ‌BC disse que a busca pelo alvo nesse prazo pressupunha uma ‌política monetária com "variações ⁠abruptas de direção ⁠e de grande magnitude na Selic, seguida de diversos trimestres com inflação ⁠abaixo da meta."

Por isso, ‌passou a considerar diferentes ‌trajetórias mais próximas às previstas pelo mercado, que "contemplavam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração", disse o BC no documento.

"Nesse caso, ⁠as flutuações de produto se mostraram menores", acrescentou.

O BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual na semana passada, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao argumentar que avaliava ‌trajetórias de juros "alternativas" para atingir a meta de inflação em um horizonte um pouco mais distante.

A indicação de que poderia ⁠trabalhar para alcançar o alvo de 3% para o IPCA apenas no primeiro trimestre de 2028, não mais no horizonte relevante da política monetária, atualmente no último trimestre de 2027, gerou reação negativa no mercado e foi seguida de uma elevação dos juros futuros no país.

No documento, o BC argumentou que o conjunto de alternativas em avaliação para os juros deve ser ponderado "à luz das melhores práticas de política monetária, recomendando não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes."

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