Azzas 2154 anuncia acordo entre Birman e Jatahy para reorganização societária; ação dispara
A Azzas 2154 anunciou uma reorganização societária que dividirá o grupo em duas companhias abertas e independentes na B3: Arezzo&Co, liderada por Alexandre Birman, e SOMA, comandada por Roberto Jatahy, além de uma estrutura própria para a FARM Rio. O acordo encerra disputas de governança iniciadas após a controversa fusão de 2024 e fez as ações da empresa dispararem na bolsa. A cisão, sem diluição para acionistas minoritários, depende de aprovação em assembleia e do aval do Cade para ser concluída.
A Azzas 2154 anunciou nesta quarta-feira acordo entre seus acionistas de referência Alexandre Birman e Roberto Jatahy para uma reorganização societária do grupo, o que fez as ações do grupo de moda dispararem mais de 14% na bolsa paulista.
A revisão prevê a divisão dos atuais negócios em duas companhias abertas independentes e listadas no Novo Mercado da B3, Arezzo&Co e SOMA com estruturas de administração e governança próprias, além de uma estrutura societária específica para a FARM Rio, de acordo com o fato relevante publicado pela companhia.
A Arezzo&Co ficará sob o comando do bloco liderado por Birman e concentrará as marcas e operações de "Shoes & Bags", incluindo Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman, Carol Bassi, bem como Hering e suas extensões. O bloco liderado por Jatahy assume a SOMA, que terá as marcas e operações de Animale, NV, Maria Filó e Cris Barros, Reserva e suas extensões, Oficina, Foxton.
No caso da marca FARM e suas extensões, incluindo Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula, Arezzo&Co e SOMA terão participação de 57,4% e 42,6%, respectivamente, na estrutura, que terá gestão e governança próprias. A Arezzo&Co e a SOMA também darão continuidade ao processo de avaliação de alternativas estratégicas para a FARM Rio em curso.
"Após um período de diferentes visões sobre a estrutura societária, a governança e os caminhos estratégicos da companhia, os acionistas de referência chegaram a uma solução que preserva o valor construído, encerra as controvérsias existentes e cria condições para que cada conjunto de negócios desenvolva plenamente seu potencial", afirmou a Azzas 2154 em comunicado à imprensa.
FUSÃO CONTROVERSA
A Azzas 2154 foi criada em 2024, com a fusão da Arezzo&Co e do Grupo Soma, mas ruídos envolvendo seus principais acionistas e uma eventual separação já ocupavam o noticiário desde o ano passado. Em maio, a companhia publicou resposta de Birman e Jatahy de que não mantinham discussões sobre uma eventual separação de ativos do grupo de moda.
"Acredito que essa reorganização cria melhores condições para todos os nossos acionistas. Teremos companhias mais simples, com estratégias mais claras e maior capacidade de execução, e continuaremos participando da criação de valor de um ativo extraordinário como a FARM Rio", afirmou Birman, também presidente-executivo da Azzas 2154.
"Chegamos a uma solução que respeita o trabalho construído até aqui, reconhece as características próprias dos diferentes negócios e cria uma base clara para o futuro", disse Jatahy, também CEO da unidade de Fashion & Lifestyle da Azzas 2154.
Na visão de analistas do Santander, o anúncio marca o início do fim de uma das fusões mais controversas do setor varejista brasileiro nos últimos anos, período marcado pelo aumento das preocupações com governança corporativa, à medida que disputas entre acionistas prejudicaram a tese de investimento e levaram a uma desvalorização de 64% das ações ao longo de dois anos.
"A separação proposta permitirá que ambas as empresas se concentrem e executem suas estratégias de forma independente, reduzindo significativamente os riscos de governança gerados pelo conflito entre os grupos controladores. Entendemos que, sem um acordo entre esses acionistas, tais disputas poderiam comprometer a execução dos negócios para além do ciclo de 2026", afirmaram em relatório a clientes.
"Embora devam persistir no curto prazo incertezas relacionadas ao ritmo dos negócios, à capacidade de execução das empresas de forma independente, à estrutura de dívida e aos benefícios fiscais de cada entidade, assim como à potencial avaliação da FARM, a redução do risco de governança pode diminuir substancialmente o risco percebido da tese de investimento das companhias após a separação, atraindo gradualmente os investidores de volta para os papéis."
Por volta de 13h20, as ações da Azzas 2154 disparavam 9,82%, a R$16,55, entre as maiores altas do Ibovespa, que subia 2,74%. Na máxima até o momento, as ações foram negociadas a R$17,21 (+14,20%).
SEM DILUIÇÃO
A reorganização será realizada em duas etapas, uma cisão parcial, segregando as marcas e operações entre Arezzo&Co e SOMA, e uma etapa subsequente, em que os acionistas do bloco liderado por Birman e os acionistas do bloco de Jatahy realizarão a permuta de ações da Arezzo&Co e da SOMA. Essa troca não produzirá qualquer diluição nem alterará a participação dos demais acionistas.
Concluída a reorganização, o bloco de Birman passará a deter 32,13% da Arezzo&Co e 6,18% da SOMA, enquanto o bloco de Jatahy passará a deter 25,95% da SOMA e não terá participação na Arezzo&Co. Demais acionistas deterão 67,87% em cada uma das novas companhias.
A conclusão da reestruturação depende da aprovação pelos órgãos da administração da companhia por assembleia geral da empresa, além da aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e aprovação da listagem das ações de emissão da SOMA no segmento Novo Mercado da B3.
A Azzas 2154 afirmou que até o fechamento da reorganização continuará operando normalmente sob sua atual estrutura societária e de governança. "A operação não altera os compromissos das marcas com seus consumidores, colaboradores, franqueados, fornecedores e demais parceiros comerciais. Todas as marcas continuarão operando normalmente durante o processo de implementação."
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.