Auditores afirmam que a Enel tem ativos no valor de US$4 bi vinculados à concessão no Brasil
A empresa italiana Enel tem ativos no valor de cerca de 3,34 bilhões de euros (US$3,9 bilhões) e 595 milhões de euros em ágios vinculados a uma concessão de energia no Brasil que ela pode perder, disseram seus auditores no relatório anual do grupo.
A Aneel, órgão regulador de energia elétrica do Brasil, decidiu no início deste mês dar andamento a um processo de caducidade que poderia, em última instância, levar à rescisão da concessão de distribuição de energia elétrica detida por uma unidade local da Enel em São Paulo, impedindo a renovação automática de seu contrato, que expira em 2028.
Em dezembro, o ministro da Energia, Alexandre Silveira, solicitou à Aneel que iniciasse o processo de rescisão da Enel, depois que as quedas de energia atingiram mais de 2 milhões de clientes na região metropolitana de São Paulo, após eventos climáticos extremos.
A KPMG disse que a recuperabilidade dos ativos e do ágio da Enel relacionados à concessão em São Paulo e sua potencial renovação foi uma questão fundamental na auditoria das contas do grupo de energia, acrescentando que a demonstração financeira de 2025 da Enel deu uma "visão verdadeira e justa" da posição financeira do grupo.
O auditor disse que, embora a administração da Enel tenha realizado um teste de redução ao valor recuperável do negócio de São Paulo para determinar o valor recuperável em diferentes cenários futuros, as estimativas usadas eram subjetivas e envolviam alguma incerteza.
A Enel tem outra oportunidade de apresentar sua defesa antes que o órgão regulador e o governo federal decidam sobre a concessão.
O diretor da Aneel disse recentemente que a unidade de São Paulo poderia ser vendida a outra empresa para evitar um prejuízo financeiro.
Ao apresentar sua estratégia de longo prazo em fevereiro, a Enel reiterou seu interesse na concessão, comprometendo-se a fortalecer seu compromisso de longo prazo com o Brasil.
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