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Agro cresceria 20% com cobertura total de internet no campo, estima diretora de startup

Até mesmo o seguro agrícola seria mais barato caso o produtor usasse ferramentas de rede para mitigar riscos, afirma Carolina Vergeti, da tmdigital, no 'Summit Agro Estadão 2025'

27 nov 2025 - 18h38
(atualizado às 19h26)
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Se todos os imóveis rurais tivessem hoje acesso à internet, a atividade rural brasileira cresceria, no mínimo, 20%. A estimativa é de Carolina Vergeti, diretora-geral da tmdigital, empresa do Grupo TerraMagna de tecnologia para gestão de riscos de crédito no agronegócio. Ela foi uma das participantes do painel "Agrotech", que encerrou o Summit Agro Estadão 2025, nesta quinta-feira, 27, em São Paulo.

Atualmente, somente 5 mil — de um total de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários do Brasil — podem ser considerados digitais, ou seja, com utilização diária da internet e suas ferramentas tecnológicas para aprimorar a atividade rural, de acordo com um levantamento apresentado no evento por Pedro Dusso, cofundador e diretor de estratégia e inovação da Aegro, empresa de softwares de gestão agrícola para gerenciamento de fazendas.

Carolina Vergeti diz que o acesso à alta tecnologia fornece a produtores meios para prever e se preparar para mitigar efeitos de enchentes, secas e outros efeitos climáticos
Carolina Vergeti diz que o acesso à alta tecnologia fornece a produtores meios para prever e se preparar para mitigar efeitos de enchentes, secas e outros efeitos climáticos
Foto: Helcio Nagamine/Estadão / Estadão

O maior empecilho para a digitalização do campo é a falta de acesso à internet. Atualmente, só 33,9% das propriedades rurais no Brasil têm cobertura 4G ou 5G em sua totalidade, segundo o Indicador de Conectividade Rural (ICR), medido pela Associação ConectarAGRO. Ou seja, sete em cada dez têm internet de baixa qualidade ou nenhum acesso à rede.

"Mesmo assim, o agro corresponde a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) Brasileiro. Se a conectividade oferecesse uma cobertura total, o potencial de crescimento seria muito maior, é até difícil de imaginar", disse Dusso.

‘Summit Agro Estadão 2025', nesta quinta-feira, 27, em São Paulo, discutiu o futuro do setor
‘Summit Agro Estadão 2025', nesta quinta-feira, 27, em São Paulo, discutiu o futuro do setor
Foto: Helcio Nagamine/Estadão / Estadão

A tecnologia geraria mais economia de insumos e melhora da produtividade, segundo Anselmo Arce, cofundador e diretor de relações institucionais da Solinftec, de inteligência artificial, IoT (internet das coisas, na sigla em inglês) e automação para agricultura.

Como a tecnologia pode cortar custos

Máquinas agrícolas conectadas, por exemplo, proporcionam uma economia de 30% de combustível e um gasto de insumos menor na mesma proporção. No caso dos insumos químicos — como fertilizantes e defensivos — a automação pode proporcionar um corte de custos de até 90%, de acordo com ele. "Com menor uso de químicos, há um aumento de microrganismos no solo, o que aumenta a produtividade, no caso da soja, de dez sacas a mais por hectare", explicou Arce.

O produtor tem interesse nessa digitalização. "Participo de feiras do agro desde 1998. Antigamente, a gente falava de máquinas com tecnologia via satélite e o produtor perguntava para gente porque ele iria querer aquilo", contou José Carlos Bueno, diretor comercial da PTx South America, marca de soluções digitais e de agricultura de precisão da AGCO, de soluções digitais e agricultura de precisão. "Hoje, ele já chega nos nossos estandes perguntando quais são as tecnologias mais novas que temos para oferecer. Existe essa demanda, e ela é muito forte", disse.

Os drones são os queridinhos do momento. Sistemas que podem sobrevoar as lavouras e mostrar o desenvolvimento das culturas são uma das tecnologias mais procuradas pelos produtores.

Mas há também as ferramentas de monitoramento das culturas por satélite. "Com elas, os produtores podem criar o que se chama de 'cultura do desastre', ou seja, eles têm meios para prever e se preparar para mitigar efeitos de enchentes, secas e outros efeitos climáticos", contou Carolina, da tmdigital.

O impacto dessa digitalização teria efeitos até mesmo no financiamento agrário. "Ao mensurar o risco e se preparar para os possíveis efeitos negativos do clima, o fazendeiro mensura melhor o risco de sua atividade e se prepara para o enfrentamento. E isso é tudo o que a indústria de seguros quer. Ou seja, essa tecnologia ajudaria a conceder mais seguros", disse Arce.

Por que a internet não chega?

A cobertura de internet vem crescendo. A área com 4G ou 5G cresceu de 18,7% para 33,9% em um ano, segundo o ICR da ConectarAGRO. Mas é urgente acelerar o ritmo dessa expansão. Não só a oferta da tecnologia física em si (cobertura) mas também oferecer conhecimento para uso dessa acessibilidade.

"Vemos algumas iniciativas, como de universidades e de alguns distribuidores de internet, além do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)", disse Dusso. Mas um programa mais abrangente deveria estar em curso para promover essa digitalização.

E, mesmo em áreas que já têm acesso à tecnologia, a comunicação com o agricultor precisa melhorar. As informações de métricas de sustentabilidade no campo, por exemplo, precisam ser mais acessíveis. Em um painel anterior no mesmo evento, Talita Pinto, coordenadora do FGV Bioeconomia, o observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia é da Fundação Getulio Vargas, relatou que buscar esses dados é difícil até mesmo para os especialistas do setor universitário. "Tudo deveria ser muito mais simples, concentrado e transparente", afirmou ela.

Nisso, a inteligência artificial pode ser um diferencial. A ferramenta tem potencial para agrupar essas informações e disseminá-las de forma mais simples. "O agricultor, em vez de se cadastrar num site, e buscar estatísticas planilha por planilha, pode apenas perguntar a IA e ele terá a resposta", disse Arce. O problema é que até mesmo a IA necessita ser mais precisa. "Ainda há muita informação errada", completou Dusso.

Estadão
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