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Agenda do clima está em último lugar entre as prioridades de conselhos no Brasil em 2026, diz estudo

Pesquisa da consultoria EY aponta queda da pauta entre conselheiros de administração e aumento da preocupação com os riscos políticos no País

23 jan 2026 - 10h11
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As pautas relacionadas a mudanças climáticas e gestão ambiental estão em baixa entre as prioridades dos conselheiros de administração no Brasil em 2026. O tema aparece em último lugar entre nove áreas prioritárias investigadas pela consultoria Ernst & Young (EY), no mapeamento "Prioridades dos conselhos de administração para 2026 no Brasil".

Mesmo com a pesquisa sendo realizada antes da 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30), quando a agenda verde esteve em pleno debate, o tópico foi indicado como prioridade por apenas por 25% dos entrevistados para 2026, na amostra de escuta a 100 conselheiros de colegiados de administração em atuação no País.

No ano passado, o último lugar era ocupado pelo tema "riscos políticos". No entanto, o tópico cresceu no interesse dos conselheiros ouvidos neste ano, saltando de 23%, em 2025, para 50%, em 2026, ano de eleições presidenciais no País.

No topo das prioridades em foco para 2026, aparecem "condições econômicas" e "inovação e tecnologias emergentes", perfazendo os porcentuais de 82% e 80%, respectivamente.

No questionário, os entrevistados tinham que classificar de 1 a 9 os itens, por ordem decrescente de relevância do tema.

Segundo a executiva Andréa Fuga, sócia-líder de Avaliações, Modelagem e Consultoria Econômica da EY para América Latina, a explicação para o cenário é de que os temas que exigiram reação de curto prazo acabaram tomando posições mais prioritárias, suplantando o tema de mudanças climáticas.

Ela pondera que, apesar de a agenda estar em baixa nas prioridades, o tema aparece na pesquisa em primeiro lugar dentre os tópicos que os conselheiros gostariam de ter mais tempo e recurso dedicados. Além disso, há um equilíbrio nas respostas entre setores mais e menos afetados, que interfere nas posições.

"A ocorrência de eventos climáticos extremos atinge a todos, mas a alguns setores (afeta) mais diretamente. Talvez, se tivéssemos uma visão setorial sobre esse tema, nós teríamos respostas diferentes", avalia Fuga.

Andréa Fuga é sócia-líder de Avaliações, Modelagem e Consultoria Econômica da EY para América Latina
Andréa Fuga é sócia-líder de Avaliações, Modelagem e Consultoria Econômica da EY para América Latina
Foto: EY/Divulgação / Estadão

Quando o tema é a preocupação com os riscos políticos ganhando mais relevância, os fatos de 2026 ser ano eleitoral no Brasil e também de ter havido aumento das tensões geopolíticas relacionadas ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos influenciaram o comportamento dos entrevistados, em conjunto com outros fatores, diz a especialista.

Nos subtópicos deste item, os temas de política local e global se equilibraram na relevância, com 32% e 30% respectivamente.

"Quando olhamos para a geopolítica, fatores como acordos comerciais, tarifas, eventuais restrições logísticas, direcionamento de investimentos estrangeiros (tem sido) de extrema relevância operacional."

Onde está a prioridade

Ao indicar preocupação com "condições econômicas" como líder na lista de prioridades, os conselheiros destacaram que estarão concentrados nos temas do aumento no custo de capital e de dívida, e na inflação.

"Os juros altos por longo tempo restringem oferta de capital e capacidade de investimentos, por isso este é um tópico de preocupação imediata dos conselhos", explica Fuga. "Em paralelo, a inflação local e a variabilidade de custos sob impacto de políticas comerciais globais também trazem a necessidade de constante monitoramento para as condições econômicas nas quais as operações estão inseridas."

Diante disso, a expectativa é que as principais respostas dos conselheiros ao longo de 2026 aos tópicos eleitos como prioritários envolvam o monitoramento de cenário político, econômico e de inovação e a cautela no aconselhamento para investimentos.

"Podemos esperar um comportamento de monitoramento de fatores externos às empresas e de preparação para respostas rápidas, incentivando uma cultura de resiliência empresarial; posturas bastante cautelosas em relação à alocação de capital, dada a escassez e custo de recursos; e um papel de promoção do equilíbrio em relação aos investimentos em inovação, incentivando as mudanças estratégicas, porém monitorando resultados e corrigindo rotas", prevê a especialista.

Estadão
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