PUBLICIDADE

A Selic é vilã? Entenda mais sobre a taxa e como ela impacta sua vida

Para tentar regular a inflação, a taxa teve um novo aumento, chegando aos 5,25% a.a.

6 ago 2021 16h04
ver comentários
Publicidade
Selic
Selic
Foto: Shutterstock / Finanças e Empreendedorismo

Pela terceira vez consecutiva em 2021, a taxa Selic foi elevada. A decisão foi anunciada após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na quarta-feira (4). Contudo, dessa vez o aumento veio com um outro peso, bem parecido com as notícias olímpicas: ele chegou batendo recordes. 

A taxa teve um aumento de um ponto percentual inteiro, algo que não ocorria desde 2003. De 4,25% a.a., a Selic pulou para 5,25% a.a., o maior percentual de ajuste dos últimos 18 anos. 

"O Copom considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", afirma a nota publicada pelo Comitê. 

Segundo Jean Carbonera, diretor presidente da fintech ZurichBank S.A. e CEO do AgroVantagens, o aumento da taxa era novamente esperado, contudo, o especialista espera uma ação mais eficiente no combate à inflação por parte dos órgãos competentes.

"Quando os indicadores de inflação dão sinais de alta, a resposta mais óbvia do Copom e do Banco Central (BC) é aumentar a taxa de juros básica da economia. Nesse sentido, era esperado esse aumento. Porém, o setor produtivo espera também uma ampliação de visão por parte do setor financeiro, pois o cenário econômico que está gerando a inflação pouca ou nenhuma relação tem com a taxa Selic e sim com a alta de preços de matéria-prima e insumos, além da dependência do câmbio Real/moedas estrangeiras, principalmente o Dólar", pontua. 

O que é a Taxa Selic?

A Taxa Selic é a taxa básica de juros do Brasil, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias para decidir pelo aumento, baixa ou manutenção - decisão tomada com base em inúmeros indicadores financeiros do país. 

A primeira alta deste ano, anunciada em 17 de março, quebrou um jejum de cinco anos sem aumento na Taxa. De lá para cá, o Comitê anunciou aumentos de 0,75% a cada reunião.

Como a Selic impacta a vida do cidadão brasileiro?

Explicamos o que é a Selic, informamos que ela subiu e que foi o maior aumento dos últimos 18 anos, mas e o que o cidadão brasileiro tem a ver com essa taxa? Como ela afeta, diretamente, a sua vida? 

Se de um lado existe a "parte boa", que é a valorização de investimentos que são indexados pela Selic, por outro existe a parte nada legal. Sabe aquele empréstimo que você estava pensando em pegar para começar um novo negócio ou comprar um imóvel? Bom, o juros deste empréstimo tende a ficar bem mais caro, já que ele é regulado por ela, a taxa básica de juros. 

"O aumento dos juros diminui a circulação de moeda na economia. Investimentos deixam de ser feitos, empregos deixam de ser criados, a oferta de produtos necessários à população diminui e isso pode gerar ainda mais inflação", pontua Carbonera sobre os impactos desse aumento na população.

O aumento da taxa gera algum impacto nas produções agrícolas?

Além dos efeitos listados acima, há ainda a questão das produções agrícolas que, segundo Carbonera, com a alta da Selic e o consecutivo aumento das taxas de juros, tendem a ver o financiamento das produções ficando cada dia mais caras. 

"O agronegócio brasileiro já perde por pagar em dólar e receber em real. O desaquecimento da economia gerado pela alta dos juros provoca prejuízos para todos os setores e, quanto mais o financiamento da produção encarece, mais caro fica o produto nas prateleiras para o consumidor final. Aumentar os juros para frear a inflação, quando o problema não é a demanda alta, mas, justamente a falta de produtos em circulação, é um tiro no pé da economia brasileira, que deve boa parte de seu bom desempenho ao agronegócio", finaliza o especialista.

Finanças e Empreendedorismo
Publicidade
Publicidade