Atualizada às 18h39
A Associação dos Funcionários do Banespa anunciou hoje que haverá uma paralisação nesta segunda-feira, dia 20 de novembro, em protesto contra a privatização do Banespa. O leilão da venda do banco estadual, marcado para esse mesmo dia, foi suspenso por uma liminar concedida pela Justiça Federal, mas ainda há chances de o governo derrubá-la, o que possibilitaria a venda da instituição. Mesmo que o leilão seja adiado, os bancários afirmaram que irão parar por três horas, das 9h ao meio-dia.Segundo a associação, os manifestantes realizarão uma assembléia que poderá tornar-se em comemoração se a venda do banco não se concretizar. Se o Banespa for vendido, os trabalhadores pretendem se mobilizar para novos protestos. A concentração dos funcionários no estado de São Paulo será em frente ao edifício-sede do Banespa, na capital.
A partir das 13h de amanhã, os funcionários do Banespa retomam a vigília que têm realizado diariamente na frente da Assembléia Legislativa de São Paulo, como forma de pressão para que o seu presidente, Vanderlei Macris (PSDB), coloque em votação o projeto de lei que determina realização de plebiscito para decidir sobre a privatização do banco. Os bancários garantem que tem sondagens seguras e que o projeto será aprovado, caso vá ao plenário. Mas isso só ocorrerá se Macris colocá-lo na pauta de votações.
Macris tem sofrido marcação cerrada dos bancários. O sindicato chegou a contratar aviões que circularam com grandes faixas de protesto contra o deputado pelos céus das praias do litoral paulista lotadas durante o feriado prolongado do dia 2. Na sexta-feira (17), funcionários do Banespa de várias cidades do interior vão realizar uma manifestação diante da casa de Macris, em Americana, 120 quilômetros de São Paulo.
Covas - Amanhã, a partir das 14h, um grupo de bancários sairá da vigília mantida na Assembléia e se dirigirá ao Palácio dos Bandeirantes, para tentar ser ouvido pelo governador Mário Covas (PSDB). "Vamos pedir ao governador que se posicione contra a privatização e que libere a bancada do seu partido para votar a favor do plebiscito", afirmou Rondino.
A reunião dos funcionários e lideranças do Banespa ocorreu na quadra do Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo, situada na rua Tabatingüera, 192, no Centro de São Paulo.
Segundo o presidente da Afubesp, Eduardo Rondino, os dirigentes sindicais, conselheiros dos funcionários e políticos fazem um balanço das reuniões mantidas ontem, em Brasília, com o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), e do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL).
Confusão - Para o presidente do Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo, João Vaccari Neto, a saída de quatro bancos estrangeiros da privatização do banco comprova a falta de transparência do processo. "É muita confusão, falta transparência, dá a impressão para o exterior de que o Brasil não é um país sério", disse.
A Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Bancários de São Paulo confirmou que, caso a data da privatização seja confirmada pela Justiça, os bancários devem realizar manifestações em frente à Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), onde ocorrerá o leilão. De acordo com o sindicato, várias caravanas de ônibus, de todas as partes do Estado, serão destinadas ao Rio de Janeiro. O total de manifestantes será definido no encontro de hoje.
Com informações da Agência Estado e Rádio CBN
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