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Tatá Werneck estava no tom certo, mas caiu em armadilha que pode sabotar sua melhor atuação

Os ‘cacos’ engraçados podem agradar, mas ameaçam transformar uma das personagens mais delicadas da novela em uma caricatura

29 jul 2026 - 08h46
(atualizado às 08h46)
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Um papel dramático pode receber pinceladas de bom humor. Precisam ser sutis e complementares. 

Jamais devem enfraquecer a densidade da aflição e o flerte com o colapso emocional inerente a um personagem em profundo sofrimento psíquico.

Eis o problema na interpretação de Tatá Werneck em ‘Quem Ama Cuida’.

Nas primeiras semanas, ela estava impecável na pele de Brigitte, uma jovem atormentada pela erotomania, mas com comportamento também associado à limerência.

Em termos populares, um estado de paixão obsessiva intensa, marcado pela idealização da pessoa desejada, forte necessidade de reciprocidade afetiva e pensamentos intrusivos. 

Com imagem indissociável da comédia, Tatá entregava uma atuação consistente e convincente.

Não era possível enxergar a humorista naquela figura feminina emocionalmente fragilizada e quase assustadora.

Mas, em algum momento, a atriz começou a inserir improvisações de deboche. A ponto de suscitar risos fora do roteiro nos colegas em cena.

Os ‘cacos’ funcionam para corrigir o escasso alívio cômico na novela, porém, afetam a carga dramática de Brigitte.

Às vezes, ela se assemelha mais a uma garota mimada em vez de uma mulher insegura, internamente desorganizada e em agonia.

O resultado é uma oscilação de registro: os improvisos suavizam o tormento psicológico e quebram a imersão do público. 

E ainda criam a expectativa de que ela fará o público rir toda vez que aparecer. 

Pior: Brigitte passa a lembrar tipos cômicos vividos pela atriz em outras novelas, como Valdirene em ‘Amor à Vida’ e Fedora de ‘Totalmente Demais’.

A artista está numa corda bamba, entretanto, já provou sua capacidade de se equilibrar e chegar triunfal ao outro lado. 

Basta não cair na armadilha de quase todo humorista: acreditar que a graça precisa estar presente o tempo todo e em qualquer lugar.

Aquela Brigitte do início da trama entregava a dose certa de vulnerabilidade, estranhamento e desconforto. 

Uma personagem inquietante, que despertava curiosidade e compaixão. Seria um prazer tê-la de volta.

Brigitte em 'Quem Ama Cuida': a personagem com desequilíbrio mental precisa gerar empatia ao invés de fazer rir
Brigitte em 'Quem Ama Cuida': a personagem com desequilíbrio mental precisa gerar empatia ao invés de fazer rir
Foto: Reprodução/TV
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