Saída de altos executivos indica a urgência da Globo em mudar para não ficar atrás dos streamings e canais de YouTube
Cúpula da emissora toma decisões que parecem ter como objetivo recuperar a força e o prestígio da marca
As saídas do diretor de Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura, Manuel Belmar, após 23 anos de casa; do diretor de Marca e Comunicação, Manuel Falcão, depois de 26 anos; e do diretor de Aquisição de Direitos, Pedro Garcia, com 45 anos na empresa, expõem o momento de transformação vivido pela Globo.
Os três ocupavam posições estratégicas em áreas fundamentais para o funcionamento e o posicionamento da maior emissora do país.
A substituição de profissionais tão antigos e influentes não é uma troca rotineira de comando, mas um indicativo de que a cúpula da empresa entende ser necessária uma profunda atualização.
E há razões para isso.
Em 2025, o lucro da Globo caiu 25,3%. A cobertura da Copa do Mundo foi eclipsada pela ascensão da CazéTV.
A emissora também enfrenta perda de audiência em horários importantes da programação, como nas tardes de domingo.
O Globoplay, apesar dos investimentos bilionários e do aumento na participação no mercado nacional, continua distante do desempenho da Netflix.
Aos 61 anos, a Globo preserva o reconhecido padrão técnico, a capacidade de produção e uma estrutura que continua incomparável no mercado brasileiro.
O problema está cada vez mais concentrado em outra frente: oferecer um conteúdo capaz de disputar a atenção de um público que mudou seus hábitos de consumo.
A televisão deixou de ser a rainha na sala de milhões de domicílios.
Mais preocupante é a percepção em torno da própria marca. A Globo já não desperta o brilho nos olhos de milhões de brasileiros. Houve uma desconexão difícil de ser revertida.
Pelos últimos acontecimentos, o maior desafio da emissora é criar uma nova estratégia de comunicação, menos pensada na velha televisão e mais próxima do universo da internet.
Não faltam dinheiro e talentos na Globo. Talvez o que falta é descer do pedestal, furar a bolha e enxergar o mundo atual, onde a TV passou a dividir o protagonismo com novas potências digitais do entretenimento e do jornalismo.
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