RedeTV! contrata Dr. Segurança para o Operação de Risco
2 jul
2014
- 10h24
Exibir comentários
O programa Operação de Risco, da RedeTV!, tem novo apresentador. O especialista em segurança Jorge Lordello assinou contrato na tarde de terça-feira (1), após ter tido um piloto aprovado pela cúpula da emissora. Ele assume o comando da atração policial a partir da edição que será exibida na sexta-feira (4), às 23h.Lordello é conhecido do público de várias emissoras por aparecer em matérias sobre segurança pública, apresentando situações de perigo e dando dicas para evitar a ação de criminosos. Já colaborou com o jornalismo da Globo, Record, RedeTV!, entre outros canais.Na entrevista abaixo, por e-mail, o especialista explica o fascínio de muitos telespectadores por atrações policiais e a cobertura de crimes na imprensa. O ex-delegado comenta ainda a inspiração para escrever o livro recém-lançado 'Paixões Perigosas', baseado em histórias de amor que terminaram em tragédia.Por que programas policiais, como o Cidade Alerta (Record) e o Brasil Urgente (Band) fazem tanto sucesso?JL: Essa fórmula é antiga, inicialmente adotada por diretores de cinema. Filmes e novelas exploram demasiadamente o tema violência. A explicação sobre o interesse das pessoas em assuntos policiais violentos é simples. Todos temos no interior psicológico não só o amor, a compaixão ou a bondade. Somos dotados, também, de uma porção considerável de violência, que pode ser usada para autoproteção ou de alguém próximo. No momento em que o telespectador assiste às cenas violentas, passa a dissipar essa carga de energia acumulada. Os programas policiais ativam essa dimensão interna reprimida das pessoas. Outro ponto importante é o sentimento de justiça que todos temos. É o desejo de que o bandido ou o vilão pague pelos seus crimes e pecados.Há quem defenda que a TV mostre menos crimes, para não alarmar a população e instaurar um clima de medo generalizado. O que acha disso?JL: Em geral, os meios de comunicação mostram o que o público quer ver. No noticiário esportivo, por exemplo, o maior espaço é sempre para o futebol, que é a paixão nacional. A criminalidade nos últimos 15 anos bateu à porta de todos os brasileiros, independentemente de classe social, cor, raça. É o que chamo de democratização da violência. Quando uma pessoa é assaltada na rua ou tem a casa invadida, a informação espalha-se pelo bairro e todos querem saber os mínimos detalhes. No fundo buscam se proteger para não ser a próxima vítima. Anualmente, temos mais de 54 mil assassinatos. A cada 11 minutos e 21 segundos uma morte é registrada no trânsito brasileiro. Não é a TV que alarma a população e sim a criminalidade que se agigantou e está em todas as partes.Existe uma crítica em relação à cobertura de crimes que são transformados em verdadeiros espetáculos de mídia, como o caso da família Pesseghini. O assédio da imprensa pode atrapalhar uma investigação?JL: Muito pelo contrário. Entendo que a cobertura jornalística de cunho investigativo ajuda bastante a polícia civil no esclarecimento de muitos crimes. Às vezes o repórter levanta provas, testemunhas e filmagens que são usadas nos inquéritos policiais. O assédio da imprensa só atrapalha se o profissional faltar com ética ou com a verdade por causa da busca desmedida por audiência.Muitas novelas recorreram ao famoso 'quem matou?', como Vale Tudo (Quem matou Odete Roitman?) e Avenida Brasil (Quem matou Max?). O que acha do fascínio dos telespectadores por esse recurso de teledramaturgia?JL: Da mesma maneira que as pessoas desejavam saber quem matou Mércia Nakashima ou Eliza Samudio, nas novelas, nos filmes e nos livros existe a curiosidade sobre o autor do crime, para que ele seja rigorosamente punido. Assim, as pessoas satisfazem o anseio íntimo por justiça. Se na vida real o cidadão de bem não consegue ter esse tipo de sentimento, pelo menos na ficção ele vibra com o bandido morto ou na cadeia.O senhor acaba de lançar o livro 'Paixões Perigosas' (Editora Sicurezza), com 14 contos baseados em inquéritos policiais verdadeiros. Como surgiu a ideia de escrever sobre crimes passionais?JL: Estudo e pesquiso há 15 anos as circunstâncias que envolvem os crimes cometidos durante relações amorosas, principalmente os assassinatos. Entrevistei dezenas de maridos, noivos, namorados e amantes que mataram mulheres com as quais mantinham relacionamentos afetivos ou somente de cunho sexual. Conversei, também, com muitas mulheres que foram agredidas e espancadas, e mesmo assim não abandonaram os agressores. Em 2012 já tinha reunido mais de 400 histórias sobre o assunto. A maioria das mortes poderia ter sido evitada se as vítimas tivessem percebido os sinais ocultos da violência que fatalmente aconteceria contra elas. Essa constatação me levou a escrever o livro. Nos contos, assim como na vida real, é comum que o amor e a paixão sejam substituídos pelo ódio e a raiva.O senhor se tornou conhecido como 'Dr. Segurança' por dar dicas de proteção na TV. Acredita que os telespectadores colocam as suas recomendações em prática?JL: Tenho absoluta certeza disso. Recebo diariamente dezenas de e-mails de internautas agradecendo as orientações de segurança pessoal, residencial ou empresarial que oferto na televisão e em meu portal (), que já teve mais de 7 milhões de acessos. Como a maioria do povo brasileiro não pode ter carro blindado e segurança particular, aos poucos consegui implantar a cultura da prevenção e da proatividade como forma de reduzir os riscos frente à violência urbana.