BBB 26: Globo é investigada pelo MPF por ‘possíveis práticas de tortura’ e ‘tratamento degradante’ no reality
Ministério Público Federal determinou a instauração de um inquérito, conforme divulgado na quinta-feira, 6
A Globo virou alvo do Ministério Público Federal (MPF), que determinou a instauração de um inquérito civil para investigar “possíveis práticas de tortura e tratamentos desumanos ou degradantes” no programa Big Brother Brasil 26. A decisão foi assinada pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, e o caso veio a público na quinta-feira, 5.
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“O procedimento teve origem após relatos de episódios convulsivos vivenciados pelo participante Henri Castelli durante uma prova de resistência. O representante da denúncia alega que as condições impostas pela produção expõem a saúde dos envolvidos a riscos desnecessários, citando exemplos de edições anteriores e casos recentes, como o do participante Breno, que ficou 'exilado', em uma área externa da casa”, informa o MPF, em nota.
O documento entende que submeter as pessoas a situações perigosas para gerar entretenimento pode representar “uma afronta direta à dignidade humana”.
A partir disso, a investigação também tem como foco a dinâmica do Quarto Branco. O que aconteceu foi que a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou uma carta aberta ao MPF manifestando indignação com o quadro. Para eles, a metodologia utilizada “guarda semelhança com práticas de tortura empregadas durante a ditadura civil-militar brasileira”.
Eles usam o exemplo do participante Rafaella, que chegou a desmaiar na última dinâmica do Quarto Branco, após ter permanecido mais de 100 horas em reclusão. Na ocasião, em janeiro, os cinco participantes restantes ficaram em pé em um pedestal pequeno, e apenas os quatro que permanecessem garantiriam a vaga para entrar na casa mais vigiada do Brasil. O CEMDP descreveu a técnica como “similar às utilizadas em regimes ditatoriais latino-americanos para infligir sofrimento”.
“O MPF ressalta que a vedação à tortura e ao tratamento degradante é um preceito constitucional absoluto que deve ser zelado por todas as esferas de governo. Para o órgão, a normalização do sofrimento alheio como forma de espetáculo é incompatível com os objetivos fundamentais da República de construir uma sociedade justa e solidária”, aponta a instituição.
Nos autos, em resposta prévia, a TV Globo alega que oferece acompanhamento médico permanente, com suporte de UTI móvel e protocolos de encaminhamento hospitalar. Sobre Henri Castelli, a emissora disse que o participante recebeu o atendimento necessário e foi levado a unidades de saúde externas em duas ocasiões.
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