'Ídolos Kids' conta com crianças talentosas e pais corujas
Há tempos, a espontaneidade das crianças é prato cheio para programas de tevê. Em especial para aqueles no estilo show de calouros, em que os pequenos podem demonstrar suas habilidades de "gente grande". Em sua segunda temporada na Record, o Ídolos Kids promete revelar o mais novo talento infantil da música. E, de fato, algumas crianças apresentam um controle e extensão de voz surpreendentes para a idade. Mas, na maior parte do programa, prevalece a sensação de que são os pais delas que, na verdade, queriam estar no palco.
Na fase do Estúdio Colorido, quando as apresentações são feitas diante de uma pequena plateia, mães e pais são captados exaustivamente pela câmara. Quase sempre flagrados em atitudes expansivas, cantando junto com o filho como se ele fosse o melhor cantor de todos os tempos. Claro que a presença dos pais ali é justificada pelo fato de os participantes serem menores de idade. Só que, do jeito que ela é explorada, mais parece se tratar de uma espécie de projeção em muitos casos – pais que veem nos filhos a oportunidade de realizar seus próprios desejos. Por isso mesmo, aquela espontaneidade infantil acaba sendo prejudicada.
Versão brasileira da bem-sucedida franquia American Idol, só que focada em concorrentes bem mais jovens, Ídolos Kids conta com jurados que precisam ter tato para lidar com as crianças e falar os "nãos" necessários com cuidado. Por mais inusitado que pareça, João Gordo, um dos jurados, tem total intimidade com os participantes e consegue estabelecer uma boa comunicação com eles, apesar de seu aparente "jeitão" mais brutamonte. Kelly Key "encarna" a jurada "gente boa" e capricha nas caras e bocas a cada apresentação. Já Afonso Nigro, ex-Dominó, é um pouco mais contido, mas ainda assim faz o estilo simpático. Gentilezas à parte, fato é que nenhum dos três possui uma carreira na música tão consistente a ponto de serem as opções ideais para julgar quem canta melhor.
O programa segue a receita de bolo da versão original americana. A edição ágil intercala as histórias de alguns participantes com performances e a apresentação de Cássio Reis, que demonstra segurança ao entrevistar as crianças. Mas todo esse investimento da Record em um programa que tem como missão revelar um jovem talento parece ter um retorno mais imediato, no que diz respeito à repercussão e a receitas comerciais. Até porque dificilmente o vencedor conseguirá se manter famoso durante muito tempo. Foi-se o tempo de Sandy e Junior.
Ídolos Kids – Record – Aos domingos, às 12h.
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