O Rebu ousa ao desvendar um dos mistérios na estreia
15 jul
2014
- 10h41
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A teledramaturgia sempre abusou do 'quem matou?' para prender a atenção do público. O Rebu, escrita por Bráulio Pedroso e exibida pela Globo em 1974, instigava não apenas pelo mistério em torno do assassino, mas também por não revelar quem era a vítima.A partir da descoberta de um cadáver na piscina, durante uma festa, o telespectador era convidado a bancar o detetive para descobrir quem havia morrido e a identidade do criminoso.A nova versão da trama, da autoria de George Moura e Sergio Goldenberg, tem personalidade própria. Tanto é que a vítima foi apresentada ao telespectador no início do capítulo de estreia: Bruno (Daniel de Oliveira), o ambicioso expert em tecnologia, acostumado a fazer jogo duplo na profissão e no amor.A opção por revelar um dos mistérios logo de cara mostra que O Rebu não é uma simples adaptação. Trata-se de uma novela nova, com personagens que não faziam parte da versão original e inéditos focos de suspense. Fugir do previsível foi um acerto. Fica mais interessante para quem assiste à novela, tenha ou não visto a produção dos anos 1970.O Rebu flerta a todo momento com o cinema francês. O clima é quase noir. A fotografia vai do azulado ao prateado no núcleo dos ricos, poderosos e desequilibrados que circulam em torno da milionária infeliz Ângela Mahler (Patrícia Pillar). O clima é gélido, sombrio, às vezes fantasmagórico. Já as cenas na casa simples do larápio Alan (Jesuíta Barbosa) ganharam tom desbotado, quase sépia.A festa na mansão de Ângela tem os ingredientes necessários para um evento com final bombástico: looks glamourosos, boa música, muita bebida, flertes, choro depressivo, selfies, falsidade entre inimigos e o charme da leve decadência.Ali ninguém é inocente. Ou melhor, todos carregam algum tipo de culpa, ainda que apenas moral. Movida por ambição, ódio ou tédio, a maioria dos convidados parece capaz de cometer loucuras. Inclusive matar o jovem Bruno, entre um gole e outro de champagne. Até os cozinheiros do banquete geram desconfiança.Do elenco estelar se destacaram Sophie Charlotte na pele da carente e manipulada Duda, pupila de Ângela. As duas mantêm uma relação ambígua, com leve insinuação sexual. Competente como sempre, Cássia Kiss Magro faz da instável Gilda uma bomba-relógio prestes a explodir. Duda e Gilda são as 'viúvas' de Bruno. Passionais ao extremo, não podem ser descartadas da lista de suspeitos do homicídio.O primeiro capítulo, exibido durante 43 minutos sem intervalo comercial, terminou com Angela sendo alvo de um atentado. Cruzando os janelões de sua mansão, ela ficou literalmente na mira de uma arma.A audiência foi tímida: 22 pontos. A sofisticação de O Rebu é uma iguaria que provavelmente não será degustada por um público numeroso. Sorte de quem aceitou o convite para acompanhar essa deliciosa balbúrdia.