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Malvino Salvador encara sem medo seu primeiro protagonista

2 mai 2009 - 18h22
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Mesmo com apenas cinco anos na frente das câmaras, Malvino Salvador sente-se seguro na profissão. Com um jeito rude, bastante peculiar - que se manifestou logo em seus primeiros personagens -, o ator faz em Caras & Bocas sua estréia como protagonista.

Cheio de confiança no olhar, ele garante a quem quiser ouvir que enfrenta com naturalidade a conquista do papel. "É a ordem das coisas. Passei por uma fase até chegar aqui. Não sinto pressão. É um personagem como outros que já vivi", analisa o intérprete do pintor frustrado Gabriel.

Sem demonstrar ansiedade, Malvino começa a trabalhar aos poucos as características do enigmático Gabriel. E sente que em Caras & Bocas ganhou maturidade na TV e na vida pessoal. "Fui adquirindo minha personalidade através de experiência, da estrada e mostro minha essência através disso. Tento ser o mais autêntico possível", garante.

Gabriel é seu primeiro protagonista. O que mudou?

Claro que muda a responsabilidade. Só não consigo enxergá-lo de forma superior em relação aos meus outros personagens. Não vejo diferença entre o protagonista e o coadjuvante. Pelo menos, o meu empenho será o mesmo. O Gabriel é mais um na minha trajetória. Já tive a chance de fazer papéis que eram centrais também e, por isso, não tem essa de ter o "peso de protagonista". Posso dizer que não sinto toda essa pressão que alguns falam. As coisas foram acontecendo na minha carreira. A diferença dele é que o trabalho, desta vez, está me tomando mais tempo. Me preocupo em ter mais concentração antes de entrar em cena.

Mas teve pouco tempo para se habituar com o Gabriel, já que A Favorita terminou em janeiro...

Sai de uma novela no domingo e na segunda já estava gravando outra. A Favorita terminou na primeira quinzena de janeiro, e nessa mesma época já estava estudando no workshop de Caras e Bocas. Foi meio puxado sim. Eu queria ter descansado um pouco, ter parado por um momento. Até porque, desde que estreei na TV, estou engatando uma novela na outra. Ao mesmo tempo, não posso escolher muito. E vendo assim, era impossível recusar esse personagem, que veio através de um convite do Jorge Fernando e do Walcyr Carrasco, com quem já trabalhei outras vezes.

Não se preocupa em descansar sua imagem, já que emendou tantos trabalhos desde sua estréia na TV, em 2004?

Acho que não. E também não posso parar de trabalhar. Esse lance de descansar minha imagem seria uma preocupação se eu estivesse fazendo só personagens parecidos. Não é o caso. Gosto muito do que faço. Fiz um peão barbado em Cabocla, um cozinheiro de bigode em Alma Gêmea, um engravatado e de cabelo feito em O Profeta, um boxeador em Sete Pecados, e um operário em A Favorita. Acho que tive grandes oportunidades até agora. E não teria como recusar o Gabriel. Isso seria uma grande loucura minha.

Mas então, não foi difícil para você sair de um personagem e entrar no outro tão de repente?

Não, só que desta vez foi mais corrido. O que houve é que nem tive muito tempo para me preparar para o Gabriel e, por isso, estou deixando que o texto e a direção me conduzam. Só fiz um laboratório rápido o artista plástico Rui Amaral, que assinou as telas da casa do Big Brother Brasil. Mas nunca fiz isso em nenhum trabalho anterior. Sempre vim com alguma visão preparada. Agora construo em cima do que o Jorginho me sugere. Estou com um volume de textos muito grande para decorar também.

E o resultado dessa nova experiência?

Está sendo muito mais interessante do que eu imaginava. Não só pela parte das artes, da pintura, como também pelo fato do personagem poder variar por diferentes humores. Dá para trabalhar por vários lados. Ele é muito estressado, mas o próprio texto já leva algo de engraçado nisso, e eu nem preciso exagerar para que a comédia aconteça. Também não preciso sair pintando muito bem. Isso vai aos poucos. E a grande sacada de fazer comédia é não querer fazer comédia e aproveitar as relações com cada personagem. O resultado está fluindo bem mesmo.

O Gabriel parece ser o personagem mais maduro que interpretou até hoje...

É, realmente. Eu sinto o Gabriel como alguém muito real. Um chefe de família que tem suas responsabilidades. E, por isso, chega a ser rude em determinadas situações. É a maneira que ele tem de estabelecer a ordem. E o amadurecimento é pessoal também. Você vai adquirindo isso através de suas experiências, da estrada. O que fez com que eu identificasse o meu próprio "eu", minhas vontades, meus sonhos. Mostro minha essência através do meu comportamento.

Em Caras & Bocas, você não chega a aparecer em muitas cenas sensuais como já aconteceu em outras novelas. Isso mostra esse seu novo comportamento?

Não é bem isso. Eu só faço o que o diretor pede. E vejo que em momento nenhum, até agora, essas cenas foram de mau gosto ou apelativas. Tirei a camisa todas as vezes em que houve necessidade. Quando penso que era preciso para a trama. E para ter sensualidade tem de mostrar pele, pêlo. É para instigar, mexer com as emoções através da imagem mesmo. E se a proposta é essa, por que não?

Mas isso chega a incomodá-lo de alguma forma?

Em momento nenhum me incomodei em mostrar o meu corpo, e nem fico questionando essas coisas. Eu tento ser o mais autêntico possível. Se isso vai ser sensual, não é esse o meu objetivo. Já malhei muito, mas hoje só faço boxe. Hoje acho tudo isso muito chato, essa é a verdade. Me mostrar faz parte do meu ofício.

Da moda para a TV

Malvino Salvador estava longe de ser um adolescente quando começou a carreira na TV. Assim como muitos atores, ele veio das passarelas de moda para a frente das câmaras. O manauara foi para São Paulo aos 25 anos para ganhar a vida como modelo. Pagava as aulas de teatro com o cachê que ganhava nos desfiles que fazia.

E chegou a cursar a faculdade de Artes Cênicas por quatro anos, em Manaus, mas trancou para se dedicar à carreira nas passarelas. Depois de participar da peça teatral Blue Jeans, em 2003, dirigida por Wolf Maya, Malvino conseguiu seu primeiro papel na TV, em Cabocla, um ano depois. "Quando estreei na novela já sabia me posicionar para a câmara e fui construindo o Tobias na intuição mesmo", relembra.

Em Caras & Bocas, Malvino reforça a parceria que tem ao lado do diretor Jorge Fernando e do autor Walcyr Carrasco. Já são quatro tramas ao lado de Walcyr e três com Jorge Fernando. A primeira vez foi em 2005, com Alma Gêmea, segundo trabalho dele na TV. O autor chegou a falar sobre o talento de Malvino e a comentar que o ator está em "pleno crescimento".

Em todos os lugares

Mesmo gravando Caras e Bocas, Malvino faz questão de não se afastar dos palcos. Com "muitos textos para decorar", como ele mesmo diz, e com uma rotina de gravação que inclui os finais de semana, o ator já está ensaiando uma peça teatral.

Mas não é só no teatro que Malvino quer estar em atividade. Ao lado do ator Eriberto Leão, Malvino está produzindo seu primeiro documentário, chamado inicialmente de Aos Brasileiros. Ele e Eriberto se conheceram em 2004, quando estreavam em Cabocla.

A amizade continuou depois da trama e os dois decidiram montar um projeto, que resultou no longa-metragem que retrata a vida da população indígena no território Yanomami, em Roraima. "Tenho de ter tempo para fazer tudo o que quero, mesmo em ritmo intenso. Nesse momento, é tudo para a carreira", afirma.

Trajetória televisiva

Cabocla (Globo, 2004) - Tobias .

Alma Gêmea (Globo, 2005) - Vitório.

O Profeta (Globo, 2006) - Camilo.

Sete Pecados (Globo, 2007) - Régis Marreta.

A Favorita (Globo, 2008) - Damião.

Caras e Bocas (Globo, 2009) - Gabriel.

Malvino Salvador faz primeiro protagonista em 'Caras e Bocas'
Malvino Salvador faz primeiro protagonista em 'Caras e Bocas'
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias / TV Press
Fonte: TV Press
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