Mesmo com bom elenco, 'Guerra dos Sexos' não emplaca na audiência
Muitos sucessos da teledramaturgia contaram com um fator básico para conquistar o público: um discurso condizente com sua época. Esse é um dos motivos que tornam investimentos em remakes alvos de certo risco em termos de audiência da produção. Não é à toa que Guerra dos Sexos ainda não empolgou.
No ar há mais de quatro meses, o folhetim assinado por Silvio de Abreu – tanto na primeira versão quanto na segunda – gira em torno de um tema ultrapassado. As diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho, que nos anos 1980 estavam em seu auge, hoje não chamam mais atenção. Levando em consideração que boa parte da novela é constituída por cenas frequentes de discussões banais e anacrônicas, protagonizadas entre os "times" femininos e masculinos, a trama se torna cansativa e inverossímil.
Com isso, nem mesmo o objetivo declarado do autor – fazer comédia – tem sido alcançado. Sem um texto atualizado para envolver o público, as situações, que deveriam ser engraçadas, acabam sendo interpretadas como surreais. Recentemente, em um dos episódios, Charlô e Otávio, vividos por Irene Ravache e Tony Ramos, vão até uma delegacia para soltar Felipe (Edson Celulari), sido preso por invadir áreas proibidas de um zoológico. Ainda ressentido com os confrontos entre a mãe adotiva e o tio, Felipe decide afirmar que não os conhece. Inicia-se uma briga entre os três no local. Além de longa, a sequência demonstrou que interpretações acima do tom não são sinônimos de humor.
Esse, aliás, tem sido outro grande problema do folhetim. Com personagens extremamente caricatos e uma direção que aponta para a comédia "pastelão", o resultado é uma trama recheada de atuações exageradas. Em certos momentos, que pedem interpretações mais exaltadas, até a renomada atriz Irene Ravache tem imprimido um comportamento forçado em sua Charlô.
Por essas razões, Guerra dos Sexos tem se mostrado abaixo do esperado em relação à audiência. Até agora, a novela emplacou apenas 21,5 pontos no Ibope, quase dez a menos da expectativa da TV Globo. Ou seja, a menor média para o horário das 19h desde 2010, quando foi exibida a novela Tempos Modernos.
Entretanto, com o elenco de peso que o folhetim de Silvio de Abreu conta, não é de se espantar que alguns atores possam ser destacados como aquisições positivas para a trama. Tony Ramos, por exemplo, consegue transmitir todos os delírios de seu personagem sem atravessar a linha tênue que separa a comicidade do ridículo. Assim como Gloria Pires, intérprete de Roberta, a responsável por manter críveis as cenas que divide com Reynaldo Gianecchini, que dá vida ao Nando.
Os efeitos especiais também contam pontos a favor da produção. Seja pela movimentação computadorizada dos personagens de Fernanda Montenegro e Paulo Autran nos quadros pendurados na sala principal do castelo, seja pela utilização de animações ao longo do folhetim, como um pequeno desenho de bomba prestes a explodir ao final dos episódios. Já as sequências nas quais os personagens falam diretamente ao público, olhando para a câmera, por mais que causem um certo estranhamento no início, são um bom exemplo de irreverência que deu certo.
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