Com histórias fracas, 'Tempos Modernos' não emplaca
- Arcângela Mota
Quase cinco meses após sua estreia no horário das sete da Globo, Tempos Modernos continua uma novela morna. Nem os muitos ajustes que têm sido feitos na história foram suficientes para despertar empolgação com a trama de Bosco Brasil. Em meio a um anacrônico grupo de roqueiros, romances insossos e um humor longe de ser engraçado, a novela apresenta, em sua maior parte, dilemas desinteressantes. Tudo isso atinge os índices de audiência, em torno de insatisfatórios 26 pontos. Números ainda mais preocupantes quando se leva em consideração que Caras & Bocas, antecessora no horário, chegou ao fim com uma média de 31.
A história de Tempos Modernos já deixa a desejar nos conflitos amorosos dos casais de protagonistas. No núcleo mais jovem, torcer pelo romance entre Nelinha e Zeca, de Fernanda Vasconcellos e Thiago Rodrigues, é quase tão difícil quanto aturar as gírias ultrapassadas dos personagens da Galeria do Rock. Em uma história mais do que batida - eles descobrem que supostamente são irmãos e decidem pôr fim ao relacionamento -, a comoção causada pelo amor dos dois consegue ser ainda menor em função das atuações simplórias de Fernanda e Thiago. Já no núcleo mais velho, as idas e vindas de Leal, de Antônio Fagundes, e Hélia, interpretação segura de Eliane Giardini, também desapontam ao não gerarem a expectativa que costuma acompanhar um casal de protagonistas.
Mas os esforços do autor Bosco Brasil em deixar a trama mais interessante são notórios. Tanto que, de uns tempos para cá, a novela tem apostado em reviravoltas e histórias mais ágeis. E se empenha em prender a atenção do telespectador com um estilo cada vez menos farsesco, característica que marcou o folhetim em seu início e foi abandonada gradualmente. Prova disso é que, ultimamente, grande parte da história é centrada na ação das buscas pela perua Regeane, de Vivianne Pasmanter, que foi considerada morta após um acidente de carro, mas está viva em uma cidade distante. Ou então na súbita e pouco convincente tomada de consciência da vilã Deodora, de Grazi Massafera, que vem se arrependendo das maldades cometidas e tomando ares de mocinha.
Com mais de um mês de novela pela frente, muitos ajustes ainda podem ser tentados para recuperar a audiência do horário. E, com isso, a proposta inicial da novela, que estreou com a promessa de discutir questões como a segurança privada nas grandes cidades e as relações homem/tecnologia, continuará sendo deixada para trás sem dó. Mas isso não chega a ser um problema, já que os bizarros diálogos entre Leal e o computador Frank deixarão tudo, menos saudade.
Tempos Modernos - De segunda a sábado, às 19h15, na Globo.