‘JN’ acerta ao levar âncoras até o povo enquanto canais de notícias se mantêm no pedestal
Interação de Renata Vasconcellos e César Tralli com anônimos recupera o princípio básico do jornalismo
A série ‘JN nas Ruas - O Brasil que Ensina’ dá rosto e voz ao brasileiro comum. Ou seja, à maioria da população.
Tirar Renata Vasconcellos e César Tralli do conforto do estúdio e colocá-los em contato direto com a realidade produziu bons momentos.
Como na conversa numa praça de igreja em Pirenópolis, interior de Goiás, quando o agronegócio foi discutido por quem sobrevive dele, e não por palpiteiros que demonizam o que mal conhecem.
“Todo artista tem de ir aonde o povo está”, canta Milton Nascimento em ‘Nos Bailes da Vida’. Serve para jornalistas de TV.
É imprescindível que os telejornais ouçam mais as pessoas diretamente afetadas pelo que existe de bom e ruim neste país.
Que os apresentadores olhem nos olhos de quem faz parte da notícia.
Falta isso nos canais 100% dedicados ao jornalismo.
Hoje, GloboNews, Jovem Pan News, CNN Brasil, Band News, Record News, entre outros, parecem falar para si mesmos numa bolha elitista.
Na tela, vê-se apenas a versão dos fatos contada por âncoras, comentaristas e especialistas convidados.
Na maioria das pautas, ignoram o cidadão imerso na realidade.
Essa gente que sofre com os preços altos no mercado, as inconsequências na política, a violência cotidiana, a sensação de invisibilidade.
Eu, você, os outros, nós.
Projetos como o ‘JN nas Ruas’ deveriam figurar no roteiro diário da TV aberta e das emissoras jornalísticas.
A velha televisão precisa aprender com as redes sociais a individualizar a notícia.
Por trás de cada fato e cada número existe uma pessoa.
Nenhuma estatística e nenhum comentário genérico substituem o relato de quem sente os problemas na pele.
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