Imagine a paz de Bonner por ficar distante da guerra entre direita e esquerda após ser o jornalista mais atacado em várias eleições
Trabalhar no ‘Globo Repórter’ é quase uma premiação ao apresentador que sofreu recorrentes hostilidades quando estava no ‘Jornal Nacional’
Às vésperas do 2º turno, eleitores de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se digladiam com agressividade cada vez maior nas redes sociais e nas ruas.
Enquanto isso, William Bonner faz postagens sobre museu ao ar livre, estrela-cadente, a vida pacata nos Lençóis Maranhenses e seu hobby de fotografar cenas poéticas do cotidiano.
Quase um mundo paralelo à realidade de um país desunido, raivoso, desesperançoso e inseguro em relação ao futuro.
Nada mal a quem foi o jornalista de TV mais hostilizado na internet — e vítima de alguns constrangimentos presenciais — entre as eleições presidenciais de 2010 e 2022.
Naquele período, houve um inusitado rodízio: Bonner ora era odiado por esquerdistas radicais, ora execrado por extremistas da direita.
A animosidade não partia apenas de anônimos. Os presidentes Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) fizeram incontáveis rajadas verbais e desafios de encontros cara a cara com o apresentador. O líder conservador foi além: o xingou de “canalha” e “sem-vergonha”.
A situação se agravou quando os ataques de desconhecidos se estenderam a familiares de Bonner. Foram anos de reclusão social e limitações, como não viajar na ponte-aérea Rio-São Paulo para evitar possíveis intimidações.
No final de outubro de 2025, após 29 anos e seis meses como titular na bancada do ‘Jornal Nacional’, o âncora deu o último “boa noite” e foi viver uma rotina calma no ‘Globo Repórter’.
Agora tem mais tempo para o casamento, os filhos, os cachorros, o lazer, as viagens turísticas, a coleção de carros, a fotografia… Para ele, o ódio da internet virou notícia velha.
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