Ex-BBB critica cancelamentos no reality enquanto há fãs de Suzane Richthofen e goleiro Bruno
André Gabeh suscita uma reflexão interessante a respeito do julgamento desproporcional nas redes sociais
Destaque no ‘BBB1’, o cantor e roteirista André Gabeh fez uma provocação interessante na internet ao comentar o cancelamento de Solange Couto no ‘BBB26’.
“Suzane Richthofen tem fã-clube, o goleiro Bruno tem fã-clube, mas a Solange Couto tem que ser destruída, mesmo ela pedindo perdão, mesmo dizendo que errou, mesmo assumindo que falou atrocidades”, disse.
“Outras pessoas, lá no Big Brother, tiveram comportamentos horrorosos, criminosos, e estão vivendo com honra e glória, ficando cada vez mais ricas, tendo cada vez mais espaços, mas a Solange, mesmo pedindo perdão, coisa que essas pessoas nunca fizeram, tem de ser destruída.”
A colocação de Gabeh faz sentido: o mesmo público que veste a capa de justiceiro para punir Solange Couto e outros cancelados do reality show é aquele que vai consumir como entretenimento o documentário da Netflix que rendeu cachê de seis dígitos para Suzane Richthofen, 24 anos após o assassinato de seus pais.
É a mesma plateia que segue o perfil social do goleiro Bruno, responsabilizado pela morte de Eliza Samúdio, e ri de memes macabros sobre o que teria acontecido com o corpo da vítima.
Dois pesos, duas medidas.
De um lado, vemos a fetichização de condenados do sistema judicial que foram transformados em celebridades pela mídia.
Do outro, a execução pública, implacável, de figuras cuja maior culpa, muitas vezes, é ter falado ou se comportado de maneira reprovável diante das câmeras.
Com critérios flexíveis e questionáveis, o público escolhe quem merece empatia e uma segunda chance, e quem deve ser escorraçado para servir de suposto exemplo.
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