Desafio de Tiago Leifert é saber debochar do próprio Big Brother Brasil
Em post do dia 17 de julho, o blog antecipou os 5 candidatos cotados a substituir Pedro Bial no Big Brother Brasil (). Tiago Leifert era o nome que mais agradava a cúpula da Globo, e foi o escolhido.
A chegada do novo apresentador dá fôlego extra ao reality show exibido na emissora desde 2002. O contrato para produzir mais duas edições - em 2017 e 2018 - deve ser renovado em breve para gerar, no mínimo, outras três edições.
Apesar da abundância de formatos surgidos na última década, nenhum programa do gênero superou o BBB em audiência, faturamento e repercussão.
Mesmo sendo alvo de críticas e tentativas de boicote, a atração ainda mobiliza boa parte da imprensa, as redes sociais e apresenta bom desempenho no Ibope.
A décima sexta edição, no ar de janeiro a abril deste ano, marcou 24 pontos de média. Índice bastante positivo para a Globo e os anunciantes que compram cotas milionárias de publicidade.
Cada ponto representa 69 mil domicílios e 200 mil telespectadores na região metropolitana de São Paulo, destino das principais verbas administradas pelas agências de publicidade.
Qual empresa não gostaria de ter sua marca e seus produtos vistos, toda noite, por quase 5 milhões de potenciais consumidores na maior e mais rica cidade do país?
É por isso que, apesar de repetitivo e descartável, o Big Brother Brasil ainda tem sobrevida garantida na programação da emissora.
A melhor contribuição que Tiago Leifert pode dar ao BBB é inserir mais humor debochado na interação com os participantes. Nas últimas edições, Pedro Bial demonstrou certa impaciência ao comandar o reality show.
Talvez o jornalista tenha usado todo o estoque de tolerância com a superficialidade dominante na 'casa mais vigiada do Brasil'. Quase protocolar, Bial já não parecia se divertir tanto com a tal 'novela da vida real' protagonizada por gente disposta à superexposição para ganhar dinheiro e fama.
A imprevisibilidade em relação às performances dos competidores exige que o apresentador do BBB seja, além de um provocador, também um comediante stand-up, aproveitando os imprevistos e as declarações do 'ao vivo' para entreter o telespectador.
Em suas aparições no Globo Esporte, no The Voice Brasil e no É de Casa, Leifert sempre explorou a verve cômica e até o cinismo bem dosado. Funcionou tanto que se tornou, em oito anos na Globo, um dos principais apresentadores da emissora, ganhando mais status e poder do que veteranos do canal.
O melhor que ele tem a fazer é não se levar muito a sério na nova função e ironizar a própria irrelevância de conteúdo do BBB.
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