Comentarista da ESPN foi gandula e trabalhou de graça até viver ‘Oscar da família’
Jornalista se tornou a primeira mulher a ser comentarista do Linha de Passe
Mari Pereira colocou seu nome na história do jornalismo quando se tornou a primeira mulher a compor a mesa de comentaristas do tradicional Linha de Passe, da ESPN. Até se sentar ao lado de Breiller Pires, Celso Unzelte e Eugênio Leal, além da apresentadora Marcela Rafael, em sua estreia no programa, a jornalista precisou lutar para construir sua trajetória na profissão.
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A paixão pelo esporte começou ainda na escola, onde se envolveu com o handball e chegou a disputar campeonatos nacionais. Já formada na faculdade, começou a trabalhar de maneira não remunerada em pequenas rádios e viveu uma experiência curiosa após ser estagiária da Federação Paulista de Futebol (FPF): atuou como gandula para ficar mais perto do futebol.
“Foi longa e demorada [a trajetória]. Hoje eu vejo que foi necessária também essa espera. Fui estagiar, depois saí para fazer intercâmbio, voltei e fui voluntária nas Olimpíadas do Rio. Trabalhei muito tempo de graça para rádio, só para estar no ambiente do futebol. Fui gandula da Federação Paulista de Futebol por mais de quatro anos, era um barato. Fiz todos os jogos em todos os lugares”, conta.
A mudança na vida profissional de Mari aconteceu quando se envolveu no mundo do futebol feminino e passou a trabalhar como repórter no site Dibradoras. Seu conhecimento da modalidade a levou para a ESPN, onde deu os primeiros passos como comentarista da Libertadores feminina.
Entre transmissões de futebol masculino e feminino, a jornalista viveu o auge da carreira quando se tornou a primeira mulher comentarista do Linha de Passe, em setembro de 2024. A notícia de que estaria no programa, porém, não foi recebida sem um susto.
“Foi muito marcante pra mim a conversa com os meus gestores Quando eles me chamaram, aquela mensagem aterrorizante. [Pensei] lá vem, o que eu fiz? Eles estavam juntos aí falaram que queriam começar a me inserir no Linha de Passe. Fiquei muito feliz e chorei, porque a ESPN pra mim sempre foi uma referência e um sonho. Dentro do Linha de Passe, estão as minhas maiores referências do jornalismo esportivo quando a gente fala sobre os homens”, detalha a comentarista.
A estreia na principal atração da ESPN, inclusive, não foi especial apenas para Mari, mas para toda sua família: “Eles me deram um suporte. Eu sou muito privilegiada, porque o suporte foi, inclusive, financeiro, para conseguir realizar esse meu sonho. Eles pararam pra assistir como se fosse o Oscar da família Pereira de Jesus.”
O carinho com a participação no programa com Mari não foi exclusivo da família. De acordo com ela, não houve rejeição por parte do público. Infelizmente, o cenário é diferente no dia a dia.
“Eu recebo todos os dias pelo menos umas quatro, cinco mensagens no Instagram. Acho que tem certas pessoas que elas têm essa necessidade de diminuir o outro de alguma maneira assim sabe como aquelas pessoas têm o hábito de reclamar da vida e tá tudo bem essas pessoas elas têm o hábito de querer atingir alguém e a mulher de uma forma bem agressiva”, completa.