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Bonner é o escudo de que família Marinho não pode abrir mão

Âncora do 'JN' dá a cara a tapa na frente das câmeras e na internet diante da onda de críticas e ameaças ao Grupo Globo

26 ago 2021 11h56
| atualizado às 11h58
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O 'boa noite' de William Bonner está garantido. O apresentador renovou contrato com a Globo após rumores de que teria pedido para deixar a emissora. Qual será o novo salário? Ninguém sabe ao certo. Especula-se de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões. Ele continuará a ser, com vantagem ainda maior, o jornalista de TV mais bem pago do País.

Bonner e os Marinhos, donos do Grupo Globo: não há poder sem sequelas
Bonner e os Marinhos, donos do Grupo Globo: não há poder sem sequelas
Foto: Estevam Avellar/TV Globo e Reprodução/TV (Fotomontagem: Blog Sala de TV)

Por que possui tanto poder? Há alguns motivos. O primeiro é o próprio 'Jornal Nacional'. Apesar de registrar queda de audiência em relação ao ano passado, ainda é o telejornal mais assistido e influente da televisão brasileira. A média parcial em 2021 é de 25 pontos no Ibope. Mais que o dobro do 'Jornal da Record' e quatro vezes o índice do 'SBT Brasil'.

Diariamente, o 'JN' fica entre os 2 programas mais vistos da TV. Nos últimos meses, em razão da performance irregular da reprise de 'Império', ocupou algumas vezes o primeiro lugar no ranking. Bonner é, além de âncora, editor-chefe. Ele comanda a equipe de jornalistas e produtores. Direciona a linha editorial e dá a palavra final sobre quais matérias vão ao ar.

Outro aspecto relevante do principal telejornal da Globo é o faturamento. A exibição de um único comercial de 30 segundos no intervalo do 'Jornal Nacional' custa R$ 850 mil. Tão ou mais importante do que a receita gerada é o capital institucional com governos, empresariado e sociedade. Aparecer positivamente no 'Jornal Nacional' produz status e credibilidade. Assim como ser personagem de notícia negativa resulta em estrago na imagem.

Titular na bancada desde 1996 e chefe da redação há 22 anos, Bonner pilota esse Boeing com destreza. Mais do que isso: assume a linha de frente no enfrentamento de todos os inimigos da emissora. Ao se expor, atrai para si críticas fundamentadas e ataques ideológicos enquanto os donos do canal são poupados. Fala-se mal dos Marinhos, porém, eles estão blindados contra a onda de hostilidade.

Bonner paga um preço caro, alegoricamente maior do que a cifra de seu novo salário, para ocupar posto de tamanha responsabilidade e status. A visibilidade e a soberania trazem benefícios, mas também causam efeitos colaterais. Ninguém consegue se manter incólume após chegar ao topo e virar alvo fácil. “O poder é como o raio, fere antes de avisar”, escreveu o poeta e dramaturgo espanhol Pedro Calderón de la Barca.

O apresentador do 'JN' é vítima de haters nas redes sociais, teve dados pessoais acessados e divulgados, recebeu ameaças, vive restrição de liberdade para evitar provocações, viu parentes serem desrespeitados e até já foi insultado em público. Ele é uma espécie de para-raios que protege o clã Marinho. Atua como grande escudo humano do jornalismo da Globo.

Em 2022, a emissora estará no centro da fogueira política, com a esquerda e a direita a despejar gasolina para aumentar as chamas. Como está mais do que provado, o 'Jornal Nacional' pode, involuntariamente (ou não), impulsionar ou estremecer candidaturas. A cobertura da campanha eleitoral será tensa e potencialmente perigosa a quem empunhar o microfone do canal carioca. Bonner, mais uma vez, vai dar a cara a tapa ao liderar a equipe. Seja qual for o resultado das urnas, ele será demonizado – e os Marinhos continuarão intocáveis.

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