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Muita gente não aceita ver Fátima bem-amada, sensual e feliz

Reação hipócrita à troca do nome do namorado pelo do ex-marido em 'live' escancara machismo e inveja

20 abr 2020
10h05
atualizado às 10h06
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De acordo com cientistas da mente, o cérebro é uma máquina de padrões. Ao ser consultado, prefere emitir respostas prontas. Por isso, às vezes, lançamos palavras e frases de maneira impulsiva, por hábito, alheias ao que queríamos dizer. Sob o aspecto psicoterapêutico, essas gafes costumam ser interpretadas como sinalização de questões do subconsciente. Mas podem ser apenas um lapso, geralmente motivado por estresse ou ansiedade. Ao trocar o nome do namorado Túlio Gadêlha pelo do ex-marido William Bonner em uma transmissão ao vivo na internet, Fátima Bernardes foi julgada por tal deslize tão comum a qualquer pessoa. Quem nunca se viu na mesma situação? O episódio com a apresentadora gerou repercussão desproporcional.

Fátima Bernardes incomoda por ser uma referência de mulher bonita, famosa, rica e feliz no amor
Fátima Bernardes incomoda por ser uma referência de mulher bonita, famosa, rica e feliz no amor
Foto: Fotomontagem Blog Sala de TV / Reprodução Instagram

Os mal-intencionados fizeram a festa: só faltaram dizer "ela ainda pensa romanticamente em Bonner". Há uma explicação para esse entendimento imponderado. Por conta do abatimento de Fátima diante das câmeras no pós-separação, a maioria das pessoas concluiu que ela foi abandonada pelo âncora do Jornal Nacional. Isso ficou no imaginário popular. Enxergam na apresentadora o elo mais fraco no fim de seu casamento. Portanto, na análise de quem guardou aquela imagem na memória, a jornalista ainda estaria emocionalmente atada ao antigo relacionamento de quase 30 anos.

Essa conclusão está baseada no machismo estrutural e intrínseco à sociedade brasileira. Entre nós, o homem (Bonner) é visto como autossuficiente e capaz de refazer a vida amorosa em um estalar de dedos. Já à mulher (Fátima) cabe o estereótipo de sofredora, obsessiva, sem habilidade de sair por cima do casamento e inábil em ser tão ou mais feliz com outro companheiro. Esse (pré)conceito machista parte tanto de homens quanto de mulheres. Sororidade, cadê você?

Além de ser vítima dessa anomalia do inconsciente coletivo, Fátima Bernardes sofre o ataque de quem se incomoda com sua reinvenção como pessoa. Hoje, aos 57 anos, ela é um exemplo de superação na vida pessoal e na carreira. Exala alegria de viver, ri de si mesma e se permite experimentar intensamente uma paixão.

Superado o luto da separação, rejuvenesceu vários anos ao cuidar mais da saúde e da beleza. O resultado desse processo iniciado bem antes do início do namoro com Túlio Gadêlha fala por si: uma mulher bonita, bem-resolvida, sensual; características somadas à inteligência e ao carisma de sempre. Ou seja, ela se tornou uma ofensa a quem não tolera gente feliz.

Na Roma Antiga, o filósofo e estadista Cícero refletiu a respeito. "A inveja é a amargura que se sofre por causa da felicidade alheia." Ao invés de usar o bem-estar dos outros como inspiração, muita gente se deixa contagiar por despeito e amargura e prefere criticar, desprezar, escarnecer. Tenta assim anestesiar a dor emocional — que pode até se transformar em incômodo físico, de acordo com estudos de neurociência — suscitada pelo efeito nocivo da inveja no cérebro.
 

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