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'BBB20' tem masculinidade tóxica e minorias empoderadas

‘Boys lixo’ provocam discussão a respeito de machismo e sexismo e ressaltam o bom nível cultural de outros competidores

29 jan 2020
13h03
atualizado às 13h49
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Os 18 participantes que começaram o BBB20: mais brothers e sisters serão selecionados na Casa de Vidro
Os 18 participantes que começaram o BBB20: mais brothers e sisters serão selecionados na Casa de Vidro
Foto: TV Globo / Divulgação

Um reclama da falta de mulheres mais jovens e bonitas. O outro solta piadinha machista. Um terceiro sugere que aproveitem sua ereção matinal. Certo brother diz que as mulheres devem suprir as necessidades sexuais dos homens. Um grupo reclama do discurso “feministinha” das sisters. E por aí vai...

A vigésima edição do Big Brother Brasil parece ter escolhido a dedo – aquele tal dedo pobre – alguns participantes. Eles representam o homem das cavernas com pensamento retrógrado. Acham que o universo ainda gira em torno do umbigo do macho alpha. Perderam o bonde da evolução.

Essa seleção foi proposital para suscitar polêmica? Não dá para afirmar. Em resposta a um seguidor, o diretor artístico do BBB, Boninho, escreveu no Twitter não saber de onde saíram tantos “machos podres”. Não é difícil identificar a origem: foram pinçados da tradicional sociedade brasileira, na qual, em pleno século 21, o machismo e o sexismo ainda se impõem.

Esse comportamento tóxico de quem precisa reafirmar a todo momento a própria masculinidade (e, às vezes, a heterossexualidade declarada) joga luz sobre o outro lado. Há na casa do BBB20 vários competidores com admirável visão antropológica. Gente capaz de identificar e compreender a diversidade do mundo e ser empático.

A atual temporada do reality show da Globo evidencia a força crescente de algumas minorias. Três participantes se destacam. O hipnólogo Pyong Lee desconstrói o estereótipo do oriental tímido e alvo perfeito de bullying. Destemido, ele enfrenta seus rivais com sagacidade e deboche. Até fez dancinha com ‘sarrada no ar’ para provocá-los ao se livrar do primeiro paredão.

A médica Thelma provou não estar ali apenas para cumprir a cota de negros no programa. Ela é uma espécie de mentora intelectual das sisters. Argumenta para combater conceitos arcaicos – como o de que não existe racismo estrutural no Brasil – e afronta o comportamento machista de alguns brothers.

Victor Hugo também representa um ponto fora da curva na atração. Psicólogo e cientista de Saúde Pública, ele inseriu no Big Brother Brasil a inédita discussão sobre assexualidade (a ausência total ou preponderante de desejo sexual). O rapaz contribui para que as pessoas enxerguem além das classificações hétero, gay e bissexual.

E assim, entre altos e baixos, anacronismos e progressistas, o BBB20 se mostra mais interessante do que recentes edições. O público está interessado: a audiência se mantém em alta desde a estreia. Aquele que é considerado por muitos o pior produto da televisão brasileira revela não ser tão desprezível assim.

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