PUBLICIDADE

Adeus, quase heroína: Bibi se torna a grande vilã da novela

Transformação da personagem lança dilema moral: é permitido torcer pela bandida?

8 ago 2017 08h36
ver comentários
Publicidade

Em cena de ‘A Força do Querer’ exibida na semana passada, Bibi (Juliana Paes) pede ao marido Rubinho para segurar um fuzil. Sem colocar fé, o bandido propõe um desafio: que ela manuseie primeiro uma pistola.

Sua expressão de ‘empoderamento’ ao segurar a arma é exibida em câmera lenta. Confiante, a cabeleireira mira numa latinha de bebida colocada no alto de muro e atira. Acerta em cheio o alvo. Expressão de deslumbramento toma seu rosto.

Bibi (Juliana Paes) não disfarça mais o fascínio pelo mundo do crime.
Bibi (Juliana Paes) não disfarça mais o fascínio pelo mundo do crime.
Foto: Reprodução/Twitter

A sequência faz parte da transição pela qual a personagem passa nas últimas semanas. Deixou de ser uma esposa enganada pelo homem amado para ser sua cúmplice no crime.

Mais do que isso: ela própria representa um atentado à lei ao ameaçar a major Jeiza (Paolla Oliveira), como se a policial tivesse culpa pelo desvio de índole de Rubinho. Um equívoco de julgamento que representa neurose ou falha de caráter.

E assim começa a nascer Bibi Perigosa. Vilã ou anti-heroína? O público vai julgá-la em breve.

No início da novela, a então estudante de Direito já ousou ao trair o namorado Caio (Rodrigo Lombardi) com Rubinho e assim fugir do estereotipo da mocinha fiel de folhetim.

A seguir, o telespectador acompanhou as agruras enfrentadas por aquela mulher batalhadora a fim de ficar ao lado do marido desempregado, sempre sob a guarda (e a desconfiança) da mãe, Aurora (Elizângela).

Quando Rubinho foi preso, viu-se uma esposa emocionalmente estraçalhada por conta do amor cego pelo homem de sua vida. Ingênua, acreditava na inocência dele e moveu mundos e fundos para prová-la.

Agora, após ser envolvida, ou melhor, deixar-se envolver pela teia criminosa costurada por Rubinho, Bibi exala arrogância e certa malandragem no jeito de falar e caminhar.

Aos olhos incrédulos da mãe, gaba-se dos privilégios oferecidos ao casal pelo ‘dono do morro’. Tomou gosto pelo Estado paralelo, onde é respeitada e protegida por aqueles que atiram sem dó contra a polícia.

A autora Gloria Perez é uma especialista em criar heroínas carismáticas e integralmente ‘do bem’.

Como se esquecer de Jade (Giovanna Antonelli em ‘O Clone’, 2001), Sol (Deborah Secco em ‘América’, 2005) e Maya (Juliana Paes em ‘Caminho das Índias’, 2009)?

Desta vez, a dramaturga desafia os valores do público com uma anti-heroína que exibe rompantes de vilania: dá para torcer por Bibi, mesmo ela se transformando em bandida?

Este é o interessante conflito moral lançado pela novelista aos milhões de pessoas que acompanham a trama de “A Força do Querer” todas as noites.

Novela, como se vê, também é sociologia.

Cleo Pires nega uso de lança-perfume após vídeo polêmico:
Fonte: Terra
Publicidade
Publicidade