A psicologia explica por que algumas pessoas não conseguem descansar, mesmo quando estão cansadas: ficar sozinho pode fazer diferença
Entenda por que o cansaço nem sempre é suficiente para fazer o corpo desacelerar e como experiências emocionais podem influenciar a maneira como aprendemos a descansar
Muitas pessoas enfrentam dificuldade para relaxar, sentindo culpa ou necessidade constante de se manterem produtivas mesmo exaustas. A psicologia explica essa reação por meio do conceito de desligamento psicológico, que é a capacidade de se desconectar mentalmente das obrigações durante as pausas. Esse padrão comportamental relaciona-se a raízes emocionais e relacionais aprendidas desde a infância, mostrando que a recuperação exige afastar a mente das demandas diárias, e não apenas o corpo.
Você chega em casa depois de um dia cansativo. Não há nenhuma tarefa urgente, ninguém está esperando uma resposta e, finalmente, existe tempo para descansar. O corpo pede uma pausa, mas a cabeça parece discordar.
Em vez de deitar, surge a necessidade de organizar alguma coisa. Uma roupa precisa ser dobrada. Uma mensagem precisa ser respondida. A cozinha poderia ficar mais arrumada. Talvez seja melhor adiantar o trabalho de amanhã. E, quando finalmente não há mais nada para fazer, o descanso ainda pode vir acompanhado de culpa!
Para algumas pessoas, esse comportamento pode parecer apenas produtividade, disciplina ou independência. A psicologia, porém, oferece diferentes caminhos para compreender por que descansar nem sempre é tão simples quanto parece e parte deles passa pela maneira como aprendemos a lidar com nossas emoções e relações desde os primeiros anos de vida...
Descansar não é apenas parar de fazer coisas
Uma das áreas que ajuda a entender esse comportamento é a pesquisa sobre desligamento psicológico (psychological detachment).
O conceito diz respeito à capacidade de se afastar mentalmente das demandas, especialmente do trabalho, durante os períodos destinados à recuperação. Na prática, significa conseguir parar de trabalhar não apenas fisicamente, mas também mentalmente.
Uma meta-análise publicada na Frontiers in Psychology reuniu 86 publicações, 91 amostras independentes e 38.124 trabalhadores. Os pesquisadores encontraram associações entre maior desligamento psicológic...
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