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Tentativa de censura ajuda a promover literatura LGBT na Bienal do Livro do Rio

A Bienal do Livro do Rio de Janeiro terminou no domingo, 8, com menos público, mais venda e uma forte reação de autores e editores contra vontade de Crivella de barrar venda de 'Vingadores - A Cruzada das Crianças' e outras obras

9 set 2019 - 11h55
(atualizado em 12/9/2019 às 07h11)
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A Bienal do Livro do Rio de Janeiro reuniu, entre os dias 30 de agosto e 8 de setembro, 600 mil pessoas no Riocentro. Se por um lado o número total de visitantes vem diminuindo nos últimos anos - foram 680 mil em 2017 e 677 mil em 2015 - a venda de livros foi comemorada por editores e organizadores. Estima-se que tenham sido vendidos 4 milhões de exemplares - dos 5,5 milhões disponíveis - na Bienal.

O sábado, 7, foi o dia mais cheio, quando a Bienal registrou 100 mil visitantes. Era feriado, mas foi também o dia em que o youtuber Felipe Neto distribuiu cerca de 14 mil livros LGBT - numa resposta à polêmica iniciada na quinta-feira, 5, quando o prefeito Marcelo Crivella emitiu uma notificação exigindo que a Bienal protegesse as edições da HQ Vingadores - A Cruzada das Crianças, que trazia um casal gay, as inspeções dos fiscais da Prefeitura, que foram à feira em busca de "conteúdo impróprio" e as tentativas de barrar a venda de livros LGBT e de garantir a livre circulação de ideias na feira do livro.

Também em resposta à tentativa de recolher ou esconder os livros com o que o prefeito chamou de conteúdo impróprio, as editoras apresentaram seus livros LGBT com mais destaque nos últimos dias da feira, quando os visitantes também se manifestaram dentro do pavilhão.

Para contextualizar: em 2017, o evento teve um dia a mais, e o 7 de setembro caiu numa sexta-feira, o que aumentou o número de visitantes. A feira esperava receber, este ano, 600 mil, o que resulta na mesma média da edição anterior.

Na coletiva de encerramento, escritores ainda divulgaram um manifesto contra "as insistentes tentativas de censura", em que defendiam que o ataque de Crivella não era direcionado à Bienal do Livro, mas aos brasileiros. "Não precisamos ter quem determine o que podemos ler, pensar, escrever, falar ou como devemos nos relacionar", diz o manifesto assinado, até domingo, por cerca de 70 autores.

Foi uma boa Bienal para a Planeta, que registrou aumento de 73% no faturamento, em comparação à edição passada. A Companhia das Letras, de 30%. E a Record, de 10% no geral e 75% no sábado, 7, em comparação com o segundo sábado da Bienal passada. Também no sábado, segundo a editora, a venda dos livros LGBTQI triplicou em relação à média dos dias anteriores desta edição da Bienal, com destaque para autores como David Levithan, Luisa Marilac, Lucas Rocha e Tobias Carvalho. Já a Intrínseca, que teve crescimento nulo em 2017, cresceu 18% agora - e obras como Boy Erased, sobre a 'cura gay', esgotaram no estande.

Dos 15.438 exemplares vendidos pela Faro, Destes 2.796 tinham a temática LGBTQI. Muitos deles esgotaram, como Homem de Lata, de Sarah Winman; 1+1: A Matemática do Amor, O Garoto Quase Atropelado e Feitos de Sol, os três de Vinicius Grossos; e Rumo ao Sul, de Silas House.

Ao Estado, o diretor da Faro Editorial e curador do Jabuti, Pedro Almeida, disse nunca ter testemunhado algo parecido em 30 anos de indústria do livro, referindo-se ao episódio como um todo.

"Quando avisaram no estande da Faro que teríamos de tirar os livros de exibição liguei para o meu sócio. Concordamos que faríamos o contrário", explicou. "Que não entrariam em nosso estande sem resistência e estes livros LGBTQI+ foram para a frente do estande. Decidimos colocar o cartaz para marcar o nosso território como se disséssemos 'aqui a censura não entra'. E o público reagiu de uma maneira que não esperávamos. Muita gente se sentiu ameaçada no direito de escolher."

O crescimento de venda geral nos estandes das editoras se justifica, também, porque a Livraria Saraiva, às voltas com sua crise e com a recuperação judicial, não foi à Bienal este ano e o público foi procurar os livros nas próprias editoras.

Em 10 dias de feira, mais de 300 autores nacionais e estrangeiros, incluindo artistas, acadêmicos, filósofos, cientistas, lideranças religiosas e de movimentos sociais, ativistas e youtubers se revezaram pelos palcos da Bienal - sem contar a programação feita pelas editoras em seus estandes.

Destaques das editoras da Bienal do Livro 2019

A Editora Planeta, que levou 30 autores para a Bienal do Livro do Rio, registrou aumento de 73% nas vendas com relação à edição de 2017. Os livros mais vendidos em seu estande foram Felicidade, de Cortella; Karnal e Pondé, Cães e Gatos, de Carlos Ruas; O Que o Sol Faz Com as Flores, de Rupi Kaur; Aprenda a Viver o Agora, de Monja Coen; e Outros Jeitos de Usar a Boca, de Rupi Kaur. As sessões de autógrafos mais concorridas no estande foram de Fabi Santina, que autografou 130 exemplares de Você Acredita Mesmo em Amor à Primeira Vista?, e Paola Aleksandra, que assinou 100 cópias de Livre para Recomeçar.

O faturamento da Companhia das Letras na Bienal 2019 foi 30% maior do que na edição de 2017. Entre os cinco best-sellers da editora, obras que dialogam com questões atuais e títulos destinadas a jovens leitores, como Quem Tem Medo do Feminismo Negro, de Djamila Ribeiro; A Revolução dos Bichos, de George Orwell; Conectadas, de Clara Alves; O Céu Sem Estrelas, de Isis Figueiredo; e Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard.

O faturamento da Intrínseca cresceu 18% em comparação com a Bienal do Livro de 2017 e livros LGBT+ fizeram sucesso no estande da editora, registrando um aumento de até 600% na venda. Com Amor, Simon, de Becky Albertalli, e Boy Erased, de Garrard Conley, esgotaram. Outros títulos em destaque foram Leah Fora de Sintonia, também de Becky Albertalli; E se Fosse a Gente, de Becky Albertalli e Adam Silvera; e Me Chame Pelo Seu Nome, de Andre Aciman. Os 5 livros mais vendidos no estande da Intrínseca foram: Stranger Things, de Gwenda Bond; A Sutil Arte de Ligar o F*da-se e F*deu Geral, de Mark Manson; O Homem de Giz, de C. J. Tudor; Quem é Você, Alasca?, de John Green.

O dia 7 de setembro foi um dos melhores dias da história do Grupo Record na Bienal do Rio, e as vendas foram quase 75% maiores do que o segundo sábado da Bienal 2017. Segundo comunicado da editora, a venda dos livros LGBTQI triplicou em relação à média dos dias anteriores desta edição da Bienal, com destaque para autores como David Levithan, Luisa Marilac, Lucas Rocha e Tobias Carvalho. "O que nos impressionou foi o desempenho no dia das polêmicas. Um resultado gratificante especialmente por mostrar que o leitor abraçou a defesa da liberdade de expressão e se posicionou contra a censura, a favor da Bienal livre", afirma a vice-presidente do Grupo Editorial Record, Roberta Machado.

O livro mais vendido do Grupo Record foi O Diário de Anne Frank - a editora criou um Anexo Secreto cenográfico na feira. O segundo colocado foi Wow! O Primeiro Contato, do chapecoense Pablo Zorzi. O terceiro, A Corrente, de Adrian McKinty. Os dois títulos de não ficção mais vendidos foram O Corpo Encantado das Ruas, de Luiz Antonio Simas, e Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire.

No estande da Sextante, Thalita Rebouças, com o lançamento Confissões de Uma Garota Linda, Popular, e (Secretamente) Infeliz; Bráulio Bessa, com Um Carinho na Alma; Fred Elboni, autor de Coragem é Agir Com o Coração; Augusto Cury, com Inteligência Socioemocional; e Nathalia Arcuri, com Me Poupe!, foram os destaques. Entre os estrangeiros, destaque para o monge budista Haemin Sunin e para a fundadora da Girls Who Code, Reshma Saujani.

Agir e Pensar Como um Gato, de Stéphane Garnier, e Destinos Quebrados, de Sofia Silva, foram os livros mais vendidos no estande da Editora Valentina. Outro destaque segundo a editora foi a coleção Para Quem Tem Pressa. Ainda segundo a editora, a presença constante das brasileiras Tammy Luciano e FML Pepper e da portuguesa Sofia Silva no estande e uma política agressiva de desconto ajudaram no bom resultado da editora na Bienal do Livro Rio 2019.

Estadão
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