Rodrigo Maia pede afastamento de Roberto Alvim; veja outras reações
Secretário especial da Cultura citou trechos do discurso do ideólogo nazista Joseh Goebbels para anunciar planos do governo
O vídeo em que o secretário especial da Cultura Roberto Alvim anuncia o Prêmio Nacional das Artes e cita trechos do ideólogo nazista Joseh Goebbels repercutiu entre as classes artística e política. O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia foi ao Twitter comentar o caso e sugeriu que o governo "deveria afastá-lo urgentemente do cargo". Após diferentes personalidades comentaram o caso, o presidente Jair Bolsonaro decidiu demitir o secretário da pasta.
O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo. https://t.co/k9sb6QX6iG
— Rodrigo Maia (@RodrigoMaia) January 17, 2020
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que diz ser o primeiro presidente judeu do Congresso Nacional, disse que é "inadmissível termos representantes com esse tipo de pensamento". O parlamentar também pediu o "afastamento imediato de Alvim do cargo.
Como primeiro presidente judeu do Congresso Nacional, manifesto veementemente meu total repúdio a essa atitude e peço seu afastamento imediato do cargo. https://t.co/6Nd4iBslw7
— Davi Alcolumbre (@davialcolumbre) January 17, 2020
É inadmissível termos representantes com esse tipo de pensamento.E,pior ainda:que se valha do cargo que ocupa para explicitar simpatia pela ideologia nazista e,absurdo dos absurdos, repita ideias do ministro da Informação de Adolf Hitler, que infligiu o maior flagelo à humanidade
— Davi Alcolumbre (@davialcolumbre) January 17, 2020
A música escolhida como trilha de fundo no vídeo de Alvim também chamou atenção: é parte de uma ópera de Richard Wagner, artista que foi importante para Hitler, segundo ele mesmo conta em sua autobiografia.
#PrêmioNacionaldasArtes | Marco histórico nas artes e na cultura brasileira! Com investimento de mais de R$ 20 milhões, o Prêmio Nacional das Artes vai apoiar projetos de sete categorias em todas as regiões do Brasil. Dê o play e confira! pic.twitter.com/dbbW4xuKpM
— Secretaria Especial da Cultura (@CulturaGovBr) January 16, 2020
Até mesmo apoiadores do governo se manifestaram contra o discurso do secretário. O escritor Olavo de Carvalho, apontado como guru do governo Jair Bolsonaro, escreveu no Facebook que "é cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça. Veremos".
Winston Ling, empresário brasileiro que tem afinidade com o presidente da República, adotou um tom crítico também e usou no Twitter a hashtag #DemiteJáBolsonaro.
Presidente @jairbolsonaro: Roberto Alvim rodou no seu primeiro teste. Tem inúmeras formas de comunicar, e ele o fez da pior forma possível. Sugiro demiti-lo imediatamente! https://t.co/rDnpLkN71O
— Winston Ling (@WinstonLing) January 17, 2020
Chegou a hora "H" de Bolsonaro mostrar que ser de Direita não significa a mesma coisa que ser Fascista.
— Winston Ling (@WinstonLing) January 17, 2020
No Facebook, Ling afirmou que a demissão de Alvim é "imperativa para desassociar o governo da iniciativa desse cidadão notoriamente despreparado para o cargo".
O apresentador Luciano Huck, que tem origem judia, afirmou que o discurso de Alvim é "perverso e violento", uma vez que o nazismo na Alemanha levou ao genocídio de 6 milhões de judeus.
Sou brasileiro de família judia. 6 milhões de judeus morreram por causa do nazismo. O holocausto é um fato histórico. Usar a Cultura p/ fazer revisionismo histórico é perverso e violento. O vídeo do secretário Roberto Alvim é criminoso. Revela uma conduta autoritária inaceitável pic.twitter.com/403aFrWPrn
— Luciano Huck (@LucianoHuck) January 17, 2020
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes se manifestou no Twitter e disse que "a riqueza da manifestação cultural repele o dirigismo autoritário nacionalista".
A riqueza da manifestação cultural repele o dirigismo autoritário nacionalista. A arte é, na sua essência, transformadora e transgressora. O que faz do Brasil um país grandioso é a força da sua cultura, fruto de um povo profundamente miscigenado e diversificado.
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) January 17, 2020
Na manhã desta sexta-feira, 17, Alvim emitiu um "breve esclarecimento" sobre seu discurso por meio de publicação no Facebook. Ele considerou que a citação a Goebbels foi uma "coincidência retórica".
Artistas e políticos criticam citação de Roberto Alvim a Goebbels
A antropóloga Lilia Moritz Schwarcz foi ao Instagram para comentar o caso. "É simplesmente assustador", resumiu ela após incluir o discurso do secretário e de Goebbels para comparação.
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A deputada federal Erika Kokay (PDT-DF) também criticou, pelo Twitter, a fala de Alvim. Segundo ela, o uso do discurso e da música de Wagner "escancara de vez a face neonazista e criminosa deste DESgoverno".
Ao empregar parte de texto de Goebbels e ópera de Wagner, fundo musical preferido de Hitler,para noticiar seus planos para a cultura brasileira,
Roberto Alvim, Secretário de Cultura ,escancara de vez a face Neonazista e criminosa deste DESgoverno de @jairbolsonaro ! Inaceitável! pic.twitter.com/9RF5HbwAOj
— Erika Kokay (@erikakokay) January 17, 2020
A parlamentar Tabata Amaral (PDT-SP) repudiou o vídeo do secretário da Cultura e afirmou que espera "imediatamente" a demissão dele.
É inaceitável que qualquer autoridade reproduza ou faça apologia a discursos nazistas. O nazismo é o que há de pior na história da humanidade. Como parlamentar, repudio o vídeo do secretário da Cultura e espero que Alvim seja demitido imediatamente.O Brasil não pode tolerar isso.
— Tabata Amaral (@tabataamaralsp) January 17, 2020
A cantara Zélia Duncan criticou o secretário da Cultura, afirmando que ele "encontrou nesse governo desafinado e brega seu frágil êxtase nazista-fetichista".
Definitivamente o fracasso subiu à cabeça do patético encarregado da falta de Cultura,Roberto Alvim...ator canastrão,diretor fracassado, encontrou nesse governo desafinado e brega, seu frágil êxtase nazista-fetichista.Faltou o bigode,pro fã do crime aparentar melhor com o ídolo.
— Zélia Duncan (@zdoficial) January 17, 2020
O cantor Marcelo D2 compartilhou no Twitter o vídeo do discurso de Alvim e disse: "eles nem se escondem mais". Depois disso, o rapper retuitou diversas mensagens relacionadas ao caso, sempre em tom de crítica negativa.
Eles nem se escondem mais,
citando Joseph Goebbels ( ministro da propaganda na Alemanha nazista) https://t.co/Zur23ElD8K
— Marcelo D2 (@Marcelodedois) January 17, 2020
Boa noite !!! pic.twitter.com/o4AnsHtRpK
— Marcelo D2 (@Marcelodedois) January 17, 2020
O jornalista Gilberto Dimenstein comentou que nazismo virou "referência cultural para o governo". "Minha pergunta: como conseguiram achar tantos idiotas culturais para colocar nesse governo?", questionou.
Nazismo virou referência cultural para o governo Bolsonaro. Minha pergunta: como conseguiram achar tantos idiotas culturais para colocar nesse governo. https://t.co/6kFPFDDzI6
— Gilberto Dimenstein (@GDimenstein) January 17, 2020
Também jornalista, Felipe Anreoli, apresentador do Globo Esporte, comentou que a fala de Alvim é "assustadora", "pavorosa". "Se isso pra você é normal, não sei o que dizer."
Ja temos um ministro da educação analfabeto.
E um secretario "especial" da cultura que cita o O MINISTRO DA PROPAGANDA NAZISTA, JOSEPH GOEBBELS. Se isso pra você é normal,não sei o que dizer.
É assustador. É pavoroso. E o tom? E a trilha sonora? E o botox? Fundo do poço é pouco https://t.co/tHoAx0ZXgU
— @andreolifelipe (@andreolifelipe) January 17, 2020
O escritor Mário Magalhães cita em seu livro Sobre Lutas e Lágrimas a relação entre o governo de Jair Bolsonaro e a ideologia nazista. No Twitter, ele retomou o assunto.
Em "Sobre lutas e lágrimas", escrevi: "O parentesco do ideário bolsonarista com o arsenal ideológico nazi é percebido até por pascácios da direita mais ouriçada". Capítulos do livro: "'Projetinho de Hitler tropical'" e "A porrada do neonazista". CQD:https://t.co/krddSQtEaB
— Mário Magalhães (@mariomagalhaes_) January 17, 2020