Richard Serra, o escultor de obras de grandes dimensões, morre aos 85 anos
O artista americano, conhecido por seu trabalho com aço, foi considerado um dos mais importantes de seu tempo. Uma de suas obras pode ser vista no IMS de São Paulo
O escultor americano Richard Serra morreu nesta terça-feira, 26, em sua casa em Nova York, nos Estados Unidos, aos 85 anos. De acordo com o jornal New York Times, a causa da morte do artista foi uma pneumonia.
A partir dos anos 1970, Serra passou a priorizar as instalações em áreas abertas e o aço Corten. A escolha deste material não foi arbitrária. Ele conhecia perfeitamente suas características e potencial depois de ter trabalhado em uma siderúrgica na juventude.
Serra desenhava esculturas especificamente para os espaços que iriam ocupar e tinha interesse em estudar a interação de suas obras com o meio ambiente.
"Certas coisas... ficam gravadas na imaginação e você tem a necessidade de reconciliação com elas", afirmou Serra em uma entrevista ao apresentador Charlie Rose no início dos anos 2000.
Os jogos de equilíbrio, o peso do aço e a altura das placas criam no espectador uma sensação de insegurança, de pequenez, de vertigem. É uma experiência desestabilizadora e, em alguns momentos, irritante.
Uma de suas obras mais polêmicas foi a escultura Tilted Arc, um muro circular de aço com mais de três metros de altura, instalada em 1981 no Federal Plaza, em Nova York. Oito anos após a sua inauguração, a obra foi retirada depois de um abaixo assinado que reuniu 1.300 assinaturas e inspirou uma ordem judicial para que ela fosse removida.
Uma de suas obras recentes, torres sombrias que parecem emergir da areia no deserto do Catar, está isolada nas dunas, acessível apenas em uma viagem de carro em um ambiente com temperaturas de até 50ºC.
"Quando você observa minhas obras, não se lembra de nenhum objeto. Fica uma experiência, uma passagem. Experimentar uma das minhas peças é sentir uma noção de tempo, do lugar e reagir a isso. Não é lembrar de um objeto porque não há objeto para reter", explicou o artista em 2004. /COM AFP