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Peter Gray, psicólogo, aponta que as pessoas nascidas entre 1960 e 1970 estão entre as últimas a viver uma infância com mais liberdade e brincadeiras nas ruas: 'As crianças de hoje têm menos'

As brincadeiras sem telas e a necessidade de ajudar em casa influenciaram a forma de ser das pessoas nascidas naquela década

14 set 2026 - 16h22
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Resumo
Segundo o psicólogo Peter Gray, do Boston College, as gerações de 1960 e 1970 foram as últimas a desfrutar de uma infância com ampla liberdade e brincadeiras nas ruas. Mais que mera nostalgia, pesquisas comprovam que a redução drástica das atividades livres e sem a supervisão de adultos nos últimos 50 anos afetou o desenvolvimento dos jovens modernos. Essa independência passada possibilitou o aprendizado prático da solidão e forjou indivíduos psicologicamente mais resilientes.
Peter Gray, psicólogo: 'As pessoas nascidas entre 1960 e 1970 são a última geração que viveu uma infância verdadeiramente feliz'.
Peter Gray, psicólogo: 'As pessoas nascidas entre 1960 e 1970 são a última geração que viveu uma infância verdadeiramente feliz'.
Foto: Divulgação/TV Globo / Purepeople

Quase todo mundo, quando pensa na própria infância, recupera uma versão editada e praticamente idealizada daqueles anos. Nessa visão bucólica da infância, as tardes na rua se prolongam, as férias duram meses e até as broncas dos pais acabam reduzidas a uma história sem importância. 

Isso não acontece por acaso, já que a memória tende a suavizar o que foi desagradável e a preservar aquilo que nos reconcilia com a nossa própria história.

No fim das contas, são fragmentos de momentos felizes que guardamos daqueles anos em que morávamos com nossos pais, não tínhamos preocupações e as férias pareciam eternas. 

Mas essa nostalgia seletiva não significa que todas as infâncias tenham sido iguais, nem que a felicidade daquela época dependa apenas da forma como nos lembramos dela hoje. 

Existe uma diferença real e mensurável entre crescer em um contexto e crescer em outro, e há especialistas que estudam essa questão há décadas sob a perspectiva da psicologia do desenvolvimento.

O que dizem as pesquisas de Peter Gray

O psicólogo Peter Gray, professor do Boston College, pesquisa há mais de 30 anos o papel das brincadeiras livres no desenvolvimento infantil. 

Em seu estudo "The Decline of Play and the Rise of Psychopathology in Children and Adolescents", publicado na revista "American Journal of Play", ele documenta como as brincadeiras sem supervisão de adultos diminuíram drasticamente nos últimos 50 anos nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos. 

Além disso, mostra como esse declínio...

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