Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Peça de Christiane Jatahy e Wagner Moura conquista a crítica francesa no Festival de Avignon

A peça "Um Julgamento - depois de O Inimigo do Povo", da diretora brasileira Christiane Jatahy em parceria com o ator Wagner Moura e o dramaturgo Lucas Paraizo, vem recebendo elogios da imprensa francesa após sua estreia no Festival de Avignon 2026, na França. Concebida como uma continuação contemporânea de "Um Inimigo do Povo", clássico de Henrik Ibsen, a montagem foi saudada por revistas semanais pela atualidade de seus temas, a inovação cênica e a atuação de Moura.

18 jul 2026 - 07h28
Compartilhar
Exibir comentários

A revista cultural Télérama destacou a capacidade de Jatahy e Moura de imaginar uma sequência para a obra de Ibsen, que mantém viva a reflexão sobre os conflitos entre interesses econômicos, questões ambientais e o bem comum. Para a revista, o público é privilegiado de acompanhar o embate entre visões de mundo opostas representadas pelos irmãos Thomas e Peter Stockmann.

fdqsdfq
fdqsdfq
Foto: © Christophe Raynaud de Lage / Festival d'Avignon / RFI

Já a revista Le Nouvel Obs ressaltou o desempenho de Wagner Moura, descrevendo o ator como um convincente "denunciante", figura central da trama. Na crítica, o veículo lembra que "Um Julgamento" retoma a história no ponto exato no qual Ibsen a encerrou, transferindo-a para a América do Sul contemporânea. Thomas Stockmann, agora brasileiro, enfrenta um tribunal popular após denunciar a contaminação das águas que garantem a economia de sua comunidade.

Segundo a revista, a peça aborda temas de grande relevância atual, como corrupção, negacionismo, fake news, crise ambiental e o isolamento enfrentado por denunciantes que desafiam interesses econômicos poderosos. Embora faça algumas ressalvas ao ritmo de determinadas passagens do espetáculo, observando que "a encenação se mostra por vezes estranhamente monótona, e as falas, alternadas entre português, inglês e francês, podem se tornar cansativas", a crítica insiste que o trio de protagonistas sustenta o interesse do público. Le Nouvel Obs salienta ainda a interpretação "febril e combativa" de Wagner Moura.

"Máquina teatral"

Os elogios mais entusiasmados nesta primeira semana de apresentações vieram da revista Les Échos Week-End, que descreveu a peça como uma "formidável máquina teatral" e afirmou que o espetáculo "conquistou Avignon". A publicação destacou como Christiane Jatahy transpõe a ação para o Brasil contemporâneo sem perder a força original do texto de Ibsen. "É teatro de alto nível, elevado pela presença magnética e intensa de Wagner Moura", avalia.

Como a Nouvel Obs, Les Échos Week-End chama a atenção para a inserção de vídeos no palco, apontando que "a osmose teatro-cinema é perfeita". A publicação sublinha um dos elementos que considera mais originais da montagem: o julgamento acontece ao vivo e o veredito pode mudar a cada apresentação, já que 11 espectadores, escolhidos por sorteio, formam o júri responsável por decidir se Thomas Stockmann é ou não um "inimigo do povo".

Segundo a revista Les Échos Week-End, o aparato cênico ajuda a abordar tanto o fortalecimento das chamadas "verdades alternativas" e a manipulação dos regimes democráticos, quanto os desafios de comunicar e fazer aceitar verdades que incomodam. A revista lembra ainda que o espetáculo foi criado no Brasil e a experiência do governo Bolsonaro "certamente teve um impacto em sua concepção". 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra