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O que ler depois de Edgar Allan Poe: confira autores que dialogam com o Mestre do Terror

De clássicos do gótico a vozes contemporâneas, confira uma seleção de autores para quem gosta de terror psicológico, suspense e atmosferas sombrias

19 jan 2026 - 23h06
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Edgar Allan Poe é um nome incontornável para quem se interessa por histórias de terror e suspense.

Sua obra reúne clássicos como O Corvo, O Gato Preto, A Queda da Casa de Usher e Os Assassinatos da Rua Morgue, leituras que atravessaram gerações e seguem despertando fascínio. Mas, depois de Poe, por onde continuar? Que autores dialogam com esse universo sombrio, psicológico e perturbador que ele ajudou a moldar?

Edgar Allan Poe influenciou alguns dos nomes mais importantes da literatura dos séculos seguintes
Edgar Allan Poe influenciou alguns dos nomes mais importantes da literatura dos séculos seguintes
Foto: Autoria desconhecida/WikiMedia Commons / Estadão

Parte da força do chamado Mestre do Terror está justamente na capacidade de provocar identificação, mesmo ao tratar de temas duros como a morte, a culpa, a loucura e o medo. "São contos nos quais nós, seres humanos, nos encontramos e nos reconhecemos com todas as nossas contradições e ambivalências", observa o escritor, tradutor e pesquisador da literatura de horror Oscar Nestarez.

Não à toa, Poe influenciou alguns dos nomes mais importantes da literatura dos séculos seguintes, de Arthur Conan Doyle e Agatha Christie a H. P. Lovecraft, Stephen King, Charles Dickens e até Machado de Assis. "Qualquer grande contista dentro das histórias de horror e terror, a partir do século 20, de alguma forma é tributário de Edgar Allan Poe", afirma Nestarez.

A partir desse legado, especialistas indicam autores e livros para quem quer continuar no mesmo estilo do Mestre do Terror.

H. P Lovecraft

"Assumindo que Poe deu formas quase definitivas ao conto de horror, recomendaria os grandes contistas de horror que vieram depois dele: H.P Lovecraft, com qualquer coleção de contos dele", diz Nestarez.

Em contos como O Chamado de Cthulhu, A Cor que Caiu do Espaço e Nas Montanhas da Loucura, o escritor amplia o terror psicológico de Poe para uma escala universal, criando o chamado horror cósmico. "Lovecraft é considerado um dos grandes autores do sobrenatural e que também leu Poe", reforça a Professora Doutora Renata Philippov, professora associada do departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo.

Shirley Jackson

Assim como Edgar Allan Poe, Shirley Jackson construiu uma obra em que o horror nasce menos de monstros e mais da mente humana e das convenções sociais. Em contos reunidos em A loteria e outros contos, além de romances como A Assombração da Casa da Colina Jackson herda de Poe o gosto pelo desconforto psicológico, pela ambiguidade e pelo choque final, criando narrativas em que o cotidiano aparentemente banal revela crueldade, violência e irracionalidade.

Mariana Enríquez

Embora situada em um contexto contemporâneo e latino-americano, a obra de Mariana Enríquez dialoga com Edgar Allan Poe. Em livros como As coisas que perdemos no fogo e Os perigos de fumar na cama, a autora retoma temas caros a Poe — como obsessão, culpa, trauma e o mal que se infiltra no cotidiano —, atualizando o terror para falar de memória, violência e desigualdade, sempre com uma atmosfera inquietante que nasce mais da sugestão do que do explícito. "Tremenda contista de horror", declara Nestarez.

Por aqui, a autora argentina Mariana Enriquez é publicada pela Editora Intrínseca
Por aqui, a autora argentina Mariana Enriquez é publicada pela Editora Intrínseca
Foto: Editora Intrínseca/Divulgação / Estadão

Clive Barker

Autor de obras como Livros de Sangue e Hellraiser, Barker herda de Poe o interesse pelo perturbador que nasce menos do susto imediato e mais da atmosfera, da obsessão e da degradação emocional dos personagens — uma marca central do Mestre do Terror.

Charles Baudelaire

"A presença de Poe na Europa foi muito sentida na Europa através do Baudelaire", lembra a especialista Renata. A atração entre os dois passa pelo gosto pelo grotesco, pela melancolia e pela exploração do mal e da decadência, elementos centrais tanto em As Flores do Mal quanto nos contos e poemas de Poe.

Machado de Assis

"O Machado foi um grande leitor das narrativas de horror e escreveu narrativas de horror. E narrativas em que há o macabro, o horror da alma, o medo, que são temas muito caros ao Poe", explica Renata. Um bom exemplo é a obra A Chinela Turca, que trata de algumas obras do Poe de maneira muito sutil. "O Machado reconfigurou várias narrativas do Poe para dentro do seu projeto literário", completa Philippov.

Machado também escreveu narrativas de horror
Machado também escreveu narrativas de horror
Foto: Reprodução foto Machado/Divulgação / Estadão

Stephen King

Stephen King nunca escondeu sua dívida com Edgar Allan Poe, a quem considera um dos pais do horror moderno. Assim como Poe, King constrói o medo a partir do psicológico, do cotidiano corrompido e da mente em colapso, algo visível em obras como O Iluminado e Misery. "Stephen King diz textualmente no seu livro A dança macabra que ele leu Poe, que é um grande leitor do Poe", recorda Renata.

Henry James

Embora Henry James siga um caminho mais psicológico e sofisticado, sua obra dialoga com Edgar Allan Poe na exploração do medo, da ambiguidade e do terror que nasce da mente humana. "No gênero terror, quem fez as maiores obras-primas na literatura norte-americana foi Henry James, em vários contos magníficos e numa novela magistral A outra volta do parafuso", recomenda Paulo Henriques Britto, poeta, professor, tradutor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Arthur Conan Doyle

O autor de Sherlock Holmes expandiu o modelo criado por Poe com o detetive C. Auguste Dupin: um investigador guiado pela observação minuciosa, pelo raciocínio lógico e pela análise psicológica do crime. Contos como Os assassinatos da Rua Morgue abriram caminho para a Londres vitoriana de Holmes, consolidando a figura do detetive genial que decifra enigmas onde todos os outros falham.

Agatha Christie

Embora Agatha Christie tenha seguido um caminho mais racional e menos sombrio, Edgar Allan Poe é frequentemente citado como um dos precursores do romance policial que ela ajudou a popularizar. Foi Poe quem estabeleceu as bases do gênero com o detetive C. Auguste Dupin, modelo que influenciou diretamente a tradição do investigador cerebral — presente em personagens como Hercule Poirot e Miss Marple.

G. K. Chesterton

Admirador declarado de Edgar Allan Poe, G. K. Chesterton reconhecia no autor americano um dos grandes arquitetos da narrativa moderna, especialmente no campo do mistério. A influência aparece sobretudo na valorização do raciocínio lógico e do jogo intelectual com o leitor, traços centrais tanto nos contos de Poe quanto nas histórias do padre-detive Padre Brown.

Charles Dickens

Quem gosta de Edgar Allan Poe também encontra ecos de seu estilo na obra de Charles Dickens, especialmente nos textos em que o autor inglês explora o suspense psicológico e atmosferas sombrias. Contos como The Signal-Man e trechos de romances como Bleak House dialogam com temas caros a Poe, como culpa, obsessão e o medo do inexplicável.

Estadão
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