Tony Iommi fala sobre novo álbum solo, sente falta de Ozzy Osbourne e diz que não vai a lugar nenhum
Em sua primeira entrevista desde a morte de Ozzy, o guitarrista do Black Sabbath também antecipa "World Alone", do novo álbum solo que lança neste outono
Às vezes, Tony Iommi precisa se lembrar de escrever músicas que soem um pouco mais animadas. "Eu tendo a sempre começar com as coisas mais soturnas", diz, dando uma risadinha, o ex-guitarrista do Black Sabbath ao telefone de sua casa na Inglaterra. "Sempre foi assim. Eu simplesmente me deixo absorver por riffs sombrios. É uma sensação que eu tenho quando toco algo pesado e poderoso. Claro que eu também gosto das coisas mais rápidas, é lógico."
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"World Alone", o primeiro single de From the Dark (2026), o próximo álbum solo de Iommi — o primeiro em mais de duas décadas, com lançamento previsto para 23 de outubro —, é claramente mais acelerado. Mas ainda é pesado. A música traz o guitarrista, de 78 anos, mandando um riff avassalador e um solo rosnado, lembrando o cortante álbum Mob Rules (1981), do Black Sabbath, mas com um toque moderno e único graças aos uivos viscerais do vocalista Jørn Lande e às letras apocalípticas. A canção e as outras sete do disco, que soam ainda mais pesadas e ameaçadoras, mostram como Iommi está fazendo sua própria coisa à parte do legado do Black Sabbath, mas ainda dentro do universo sombrio de som que ele começou a construir há quase 60 anos.
No último ano, desde que o Black Sabbath tocou seu show final no concerto de despedida de Ozzy Osbourne, Back to the Beginning, Iommi manteve um perfil bem discreto. Isso porque ele vinha lapidando ideias que vinha desenvolvendo havia pelo menos meia década. As sementes do álbum brotaram de duas faixas instrumentais, "Scent of Dark" (2021) e "Deified" (2024), que ele gravou para lançar junto com seu próprio perfume de grife. À medida que as músicas foram se juntando, ele sentiu vontade de ter uma banda de verdade, bem redonda, dando suporte para esta fase.
Seu primeiro álbum solo foi Iommi (2000), se você não contar Seventh Star (1986), que era um disco solo mas que a gravadora do Black Sabbath creditou à banda, ou a sequência de álbuns do Sabbath em que Iommi era o único integrante original. O álbum Iommi (2000) trouxe vocalistas como Billy Corgan e Henry Rollins e vários músicos de apoio em cada faixa, enquanto The 1996 DEP Sessions (2004) e Fused (2005) contaram com o ex-vocalista do Deep Purple, Glenn Hughes.
Para From the Dark (2026), que Iommi co-produziu com seu colaborador de longa data e engenheiro Mike Exeter, o guitarrista optou por músicos que não são nomes conhecidos do grande público. Além de Lande, o vocalista norueguês dramaticamente expressivo cujos créditos incluem álbuns com Masterplan e Ark, From the Dark (2026) traz a baixista Becky Baldwin e o baterista Karl Brazil; Exeter toca teclados. O guitarrista do Queen, Brian May, faz um solo convidado na sombria "Death Wake". Outros destaques incluem "Legacy" e "Stormwatcher", que carregam as características sonoridades crepusculares de Iommi.
O guitarrista anunciou o álbum na quarta, em um evento transmitido ao vivo em sua cidade natal, Birmingham (Inglaterra), onde estreou o vídeo cinematográfico de "World Alone", mas a Rolling Stone conversou com ele mais cedo, em julho, sobre como tudo se juntou e o que aconteceu desde Back to the Beginning.
Por que era importante para você fazer um álbum solo e não chamar de "Black Sabbath"?
Bem, o Black Sabbath agora terminou no que diz respeito à banda, na verdade. Obviamente, as últimas coisas foram com o Ozz. Qualquer coisa que eu fizesse com o Black Sabbath seria só eu, e eu não quero fazer isso de novo. A gente já esteve lá, já fez isso.
Como você se conectou com o vocalista Jørn Lande para este álbum?
Nós já trabalhamos com ele antes. Quando fizemos o tributo ao Dio depois que Ronnie faleceu, chamamos o Jørn para cantar algumas duas músicas com a gente no tributo, e eu gostei muito da voz dele. Então pensei: "Bem, eu gostaria de usá-lo". Eu gostei da voz dele. Quer dizer, você pode ir e escolher gente famosa, mas eu já fiz isso.
Como "World Alone" surgiu?
Eu tendo a ir direto para todas as coisas sombrias e pensei: "Bom, a gente também pode fazer algo com um riff mais rápido". Quando eu fiz isso e depois ouvi a melodia que ele criou, tudo funcionou.
Qual era a ideia por trás do vídeo?
Eu não queria fazer um vídeo com toda a banda. Para ser honesto, eu nem queria fazer um vídeo. Mas eles fizeram. É meio que um filme, na verdade. E eu apareço algumas vezes, parado lá tocando. Mas eu não queria seguir o velho caminho de todos na banda parados tocando e fazendo aquele tipo de vídeo. Isso já foi feito cem vezes.
Eu não sou muito de fazer vídeos, porque eu sempre pareço… eu sou chato. Eu só fico parado tocando. Não tem mais nada que eu possa fazer. Eu não consigo pular por aí nem dar saltos nem nada. Eu sou velho demais para isso [risos]. Mas acho que os caras que fizeram mandaram bem.
https://www.youtube.com/watch?v=IddUJxhDgZk
Você deu alguma orientação ao Jørn para as letras do álbum?
Não, eu não dei nenhuma ideia de letra para ele. Com um cantor, é bom se eles conseguem fazer as próprias coisas, porque quando precisam cantar, conseguem transmitir melhor. É como com o Ronnie — quando ele escrevia as letras, havia certas palavras em que ele conseguia colocar muita força. E eu acho que é a mesma coisa com o Jørn.
Algumas letras dele descrevem apocalipses nucleares. O que você pensou quando as ouviu?
Meu primeiro pensamento foi: "Caramba, isso é realmente pesado, mas são coisas que estão acontecendo". É o que está acontecendo hoje no mundo, na verdade. Assim como com as coisas antigas do Sabbath, quando fizemos "War Pigs", isso está acontecendo hoje. O que o Jørn fez aqui com o tema nuclear e tudo o que está acontecendo é bem sombrio, na verdade.
Os riffs do álbum são novos ou eram ideias que você guardava há tempos?
Não, todos são novos. O negócio é que eu tenho um monte de riffs em CDs, fitas cassete e todo tipo de coisa. Mas quando eu volto para tentar achar algo neles, eu acabo criando algo novo.
Como você entra no clima para escrever? Você acende velas?
Às vezes, acendo velas, sim [risos]. Geralmente, eu vou para o estúdio e só toco um pouco. E, se nada acontece, eu vou embora. Eu não forço. Mas, no geral, eu acabo criando alguma coisa.
Normalmente, quando você faz um álbum, você está trabalhando todo dia e precisa fazer o disco em um certo tempo porque está sob pressão; ou você está em turnê, ou tem que gravar, ou seja lá o quê. Mas eu não estou nessa situação. Eu pude simplesmente levar o meu tempo e conviver com as coisas.
Você precisa se forçar a escrever músicas mais rápidas como "World Alone"?
Na verdade, não. Mas eu me lembro disso [de escrevê-las]. Quando ouvi [o resto] do que temos, pensei: "Bom, precisamos ter algumas faixas mais rápidas e uma de andamento médio para equilibrar o álbum, na verdade".
Eu tinha algumas coisas acústicas, mas não usei. Achei que manteria o álbum do jeito que está. E não só isso: ele já está bem longo. Não daria para encaixar.
Falando em tocar acústico, fiquei agradavelmente surpreso com o solo acústico no meio de "Legacy".
Eu gosto de fazer algo que você não espera. E, para ser honesto, eu odeio tocar violão acústico. Eu não sou muito bom nisso. Mas naquela parte, eu só pensei que seria legal e diferente.
Meu riff favorito do álbum está no começo de "Death Wake". Você sustenta uma nota e ela parece tremer, como madeira rangendo.
Sim, é um riff estranho. Eu gosto dessa faixa também. Eu gosto de qualquer coisa doom. Claro, eu chamei o Brian May para tocar o solo nessa.
Você é amigo próximo de Brian May há décadas. Quando e como vocês se conheceram?
No começo dos anos 70, ele estava em um estúdio e eu em outro. E a gente se deu bem. Somos amigos há, meu Deus, quase 60 anos.
A gente se fala o tempo todo. Ele já tocou no palco comigo algumas vezes, e depois fizemos algumas faixas de álbum juntos. Ele é um amigo muito, muito próximo.
Ele toca em outras músicas do álbum?
Não. Eu até disse para ele: "Você quer tocar em mais alguma coisa?". E ele respondeu: "Não, não. Seus solos são bons. Eu não preciso tocar".
Mas foi ótimo que ele tenha feito. Eu toquei para ele algumas coisas, e ele gravou aqui no estúdio da minha casa. Aí, claro, ele tocava algo e dizia: "Ah, não sei…". E eu dizia: "Eu gostei".
Há outros convidados no álbum?
Não, porque eu queria manter basicamente como uma banda. Eu queria usar as mesmas pessoas.
Como você encontrou o baterista do álbum, Karl Brazil?
É estranho, na verdade. Eu tenho uma casa perto da praia, para onde a gente vai de vez em quando. Eu estava caminhando ao longo do perímetro da praia quando um cara veio até mim e disse: "Oi, Tony, olá". E eu pensei que ele era só um fã. E ele disse: "A gente tem um amigo em comum. Mike Exeter é meu engenheiro. Eu sou o baterista do Robbie Williams". Aí o Mike, meu engenheiro, disse: "Ah, sim, ele é um bom baterista, o Karl".
Eu usei ele em uma das minhas faixas instrumentais com aquela coisa do perfume que eu fiz. E então pensei que seria legal usá-lo no álbum porque ele toca bem. Além disso, ele é de Birmingham, o que é muito bom porque eu queria tentar manter isso local.
Eu sempre tive curiosidade de como sua colaboração com Robbie Williams, a música "Rocket", veio a acontecer, já que foi surpreendente.
Me surpreendeu também. Foi estranho quando pediram para eu tocar em uma faixa com ele. Eu não percebi que ele ia lançar como single. Aí ele quis fazer um vídeo da música. Então eu fiz isso com ele. E foi muito bom. Foi bem diferente para mim fazer isso, e eu gostei.
O que você gosta na baixista Becky Baldwin, que toca no Mercyful Fate e no Fury?
A Becky mora em Birmingham, e ela é uma ótima musicista. E ela com certeza é fã do Geezer [Butler, baixista do Black Sabbath], e ela toca no estilo do Geezer. E era isso que eu queria. Ela é muito boa.
Você chegou a considerar trabalhar com Geezer neste álbum?
Eu queria que ele tocasse neste álbum, mas ele não pôde. Ele está fazendo o álbum dele, eu acho. Ou, na época, aconteceu alguma coisa, então ele não pôde vir para a Inglaterra. Eu queria terminar e finalmente lançar, na verdade. Porque a Becky, como eu disse, é fã do Geezer e toca nesse estilo, eu pensei: vamos tentar. E ela foi bem.
Falando em Geezer, houve muita conversa no último ano sobre uma batalha judicial que estava segurando o lançamento das primeiras gravações do Black Sabbath, quando vocês ainda se chamavam Earth. Agora que você tem os direitos sobre elas, elas vão sair?
Elas vão sair em algum momento. É estranho quando você ouve coisas de tanto tempo atrás, e todas essas coisas aparecem de novo que você tinha esquecido.
O que te chamou atenção quando você ouviu as gravações de novo pela primeira vez em décadas?
O som e tudo. Caramba, a gente fez aquilo em um estúdio pequeno. Mas foi divertido ouvir, na verdade. Eu sentei e ouvi tudo, e foi bom, porque tem umas coisas jazzísticas e umas coisas blues que a gente fez nelas, onde a gente só ficava improvisando. Em muitos desses improvisos era só guitarra, e eu tinha esquecido metade daquilo. Eu não consigo tocar isso agora.
Você está satisfeito com o legado do Black Sabbath estar concluído?
Sim. O legado foi fantástico, na verdade. Acho que foi uma boa coisa encerrar quando fizemos o Back to the Beginning, porque todas as bandas que eram fãs do Sabbath foram para aquele show, o que foi simplesmente brilhante. E foi muito legal da parte delas se disporem a ir e tocar no mesmo show, sem ego nem nada. Todo mundo se deu bem e tocou. Foi ótimo para um último momento do Sabbath: reunir a banda original e encerrar como deveria.
Como foi, para você, fazer aquela última apresentação?
Na noite, foi muito estranho para mim porque, obviamente, a gente nunca tinha estado no palco com o Ozzy em um trono antes, sentado. Ele sempre estava pulando, fazendo caretas e me fazendo e ao Geezer rirem. Mas, desta vez, eu não conseguia vê-lo porque ele estava naquele trono, na frente.
Obviamente, a gente não tocava com o Bill [Ward, baterista do Black Sabbath] havia 20 anos, então o Bill queria que eu ficasse mais para trás, perto dele, porque ele estava inseguro em algumas partes. E então eu fiquei.
Quando eu assisti, achei que foi uma apresentação muito emocionante.
Foi. Foi mesmo. Claro que ninguém sabia que o Ozzy ia partir pouco tempo depois também. Eu sabia que ele não estava bem, mas eu não esperava que acontecesse tão rápido.
Você conseguiu se despedir?
Ele me mandou mensagem na noite anterior, engraçado, e disse que não estava se sentindo muito bem e tal. Mas, obviamente, a maioria das nossas conversas um com o outro tem sido: "Como você está se sentindo? Como está isso? Como está aquilo?". E então foi só mais uma conversa. Eu não esperava que ele fosse embora durante a noite. Caramba. Foi um choque enorme, na verdade.
Ele me disse em entrevistas o quanto foi significativo para ele que você o apoiasse enquanto ele se recuperava nos últimos anos.
Bem, a gente se manteve em contato bastante. E ele passou por tantas coisas diferentes e entrava e saía do hospital o tempo todo, fazendo isso e aquilo. E, de novo, ele ficou do meu lado quando fui diagnosticado com câncer. Ele me ligava todo dia. Então a gente se apoiou mutuamente. Eu sinto falta das nossas conversas.
Como você lidou com o último ano sem ele?
Tem sido muito estranho. Eu ainda não sinto que ele se foi, porque quando eu entro no YouTube ou seja lá onde for, aparece alguma coisa sobre o Ozzy, e eu vejo ele de novo e de novo. É quase como se ele ainda estivesse aqui. É muito peculiar. Só que a gente se falava tantas vezes. É isso que eu sinto falta.
Como está sua saúde?
OK, eu espero. Eu ainda vou regularmente para consultas. Fazer este álbum agora me deu tempo para poder fazer coisas. Segunda e terça, a gente sempre marcava [horário com o Mike Exeter] para trabalhar aqui na minha casa [estúdio]. Mas, numa segunda ou terça, sempre acontecia de eu ter que ir ao hospital para uma visita. Eles queriam fazer isso ou aquilo. Parecia que sempre caía numa segunda ou numa terça. Mas a gente conseguiu fazer.
Você tem mais material? Devemos esperar outro álbum solo como este em um futuro próximo?
Espero que sim. Eu só gosto de fazer isso. É o que eu sempre fiz.
Eu não sou de simplesmente me aposentar, ficar sentado e não fazer nada. Eu preciso fazer alguma coisa, e música é a única coisa que eu sei fazer. Eu gosto de criar. Acho que é bom para a mente também, poder inventar coisas e ter ideias.
Você vai se apresentar ao vivo com a banda solo?
Não há planos para nada. Eu só vou levando como vem agora. Essa é a coisa boa. Você pode meio que escolher: "Eu quero fazer isso? Ou existe uma oferta para isso?".
Então, o que vem a seguir para você?
Bem, eu fiz alguns instrumentais que eu ia colocar neste álbum, mas não coloquei porque não havia espaço suficiente. Então talvez eu lance isso em algum momento em um álbum, mas eu vou continuar escrevendo e vendo o que acontece. Sempre aparecem coisas para fazer — uma parte para filmes ou qualquer coisa, na verdade, que surge do nada — e aí você diz: "Ah, essa é uma boa ideia". E então eu vou tentar. Eu não estou pronto para ir embora ainda.
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