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O cantor que deu a Bono tudo o que ele buscava no rock

A revelação de uma apresentação que moldou o vocalista do U2 e redefiniu a essência do rock para gerações.

29 jul 2026 - 17h01
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O cantor que deu a Bono tudo o que ele buscava no rock
O cantor que deu a Bono tudo o que ele buscava no rock
Foto: The Music Journal

Aos oito anos, Bono testemunhou um renascimento musical que transcenderia o tempo, capturando sua imaginação infantil e, sem saber, delineando a fundação de sua futura lenda no rock. O ano era 1968, e a televisão apresentava a volta triunfal de Elvis Presley, um evento que se tornaria um marco não apenas para o Rei do Rock, mas para o jovem que mais tarde lideraria o U2.

Naquela época, a mente de Bono, ainda em formação, absorveu a performance de Elvis sem os filtros da crítica adulta, percebendo a arte em sua forma mais visceral.

Elvis, então, emergia de uma fase dominada por filmes, enfrentando ceticismo de parte do público que o via como uma relíquia do passado. Bono recordou:

Provavelmente foi uma vantagem eu ter somente oito ano. Eu ainda não possuía capacidade crítica para dividir os diferentes Elvis em categorias ou organizar todas aquelas contradições

O que mais ressoou em Bono foi a simplicidade da formação de Elvis, a proximidade com a banda e a plateia. Longe das grandes orquestrações, a força da voz, guitarra, baixo e bateria era suficiente para carregar as canções, revelando a alma do rock.

"Praticamente tudo o que quero de guitarra, baixo e bateria estava presente", afirmou Bono, descrevendo Elvis como "um artista incomodado pela distância entre ele e a plateia" e detentor de "uma personalidade que transformava a lente ampla da fama num prisma". Essa percepção da intimidade, mesmo em um espetáculo televisivo, foi crucial.

Apesar de ser uma construção do programa, essa autenticidade era palpável, pois Presley parecia se reconectar com suas raízes musicais. Sentado entre velhos companheiros, dedilhando seu violão e interagindo com a audiência, ele resgatava a energia primordial das gravações da Sun Records. É fascinante observar como Bono, que mais tarde se tornaria mestre dos espetáculos grandiosos com telões gigantescos e palcos para estádios, sempre manteve a canção como o pilar central.

Para ele, uma música deveria resistir apenas com sua voz e a guitarra de The Edge, antes de qualquer adorno.

O especial de 1968 demonstrou que a grandiosidade e a simplicidade não eram conceitos opostos, mas complementares. Elvis continuava sendo uma figura maior que a vida, mas, ao mesmo tempo, transmitia a sensação de estar tocando entre amigos. Para o garoto que se tornaria o carismático líder do U2, aquela apresentação continha, em sua essência, tudo o que uma banda de rock precisava entregar.

Essa experiência seminal não apenas inspirou Bono, mas definiu uma abordagem para a música que ele levaria consigo, equilibrando a monumentalidade dos shows do U2 com a verdade crua de uma canção bem executada. É um testemunho do poder atemporal de um artista que, mesmo em sua "volta", conseguiu lançar as sementes da revolução em mentes jovens e talentosas, moldando o futuro do rock e do entretenimento.

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