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Todas as 53 músicas de Harry Styles, da pior à melhor

Ele construiu um dos repertórios mais selvagens e estranhos dos tempos modernos — da obscenidade dos anos 70 à beleza épica do folk, passando pela grandiosidade do glam rock

2 abr 2026 - 07h12
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Harry Styles lançou seu single solo de estreia, "Sign of the Times", em 2017. Desde então, construiu um dos repertórios mais selvagens e inusitados dos tempos modernos. Um corpo de trabalho brilhante, vindo de um cantor, compositor e performer genial. E está prestes a ficar ainda maior, já que ele também é uma espécie de anjo caótico que nunca se cansa de bagunçar nossas vidas.

Harry Styles
Harry Styles
Foto: Karwai Tang/WireImage / Rolling Stone Brasil

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Que repertório: 53 músicas, todas excelentes, de um artista que já se equipara às maiores lendas de todos os tempos. Então vamos destrinchar: todas as músicas de Harry Styles já lançadas, ranqueadas e analisadas. Não há faixas ruins aqui, apenas joias do começo ao fim — uma celebração de cada canção.

Cada fã faria uma lista diferente — e essa é justamente a graça. Então a sua lista com certeza será outra — aliás, a nossa mudaria de hora em hora, porque, como acontece com a maioria dos fãs, a favorita costuma ser aquela que estamos ouvindo no momento. Ou seja, não se preocupe com a ordem — todas essas músicas merecem ser celebradas. Aqui, o foco são as palavras, não os números.

Vamos encarar: existem muitos "Harrys". Ele é um astro pop. Um ator. Um estudioso da história da música. Um ícone de moda. Um louco genial que se diverte entrando na nossa cabeça, destruindo nossas expectativas e dançando sobre o nosso caos. E, sinceramente, ainda bem que ele é assim. Ele é tudo isso, mas, como essas músicas provam, o Harry mais verdadeiro é aquele que coloca coração e alma nessa música.

A lista inclui tudo dos quatro álbuns solo dele, até Kiss All the Time. Disco, Occasionally.. Também consideramos músicas que ele transformou em parte essencial de suas turnês, mesmo que não tenham sido lançadas oficialmente. Sim, isso é meio trapaça, mas, caso contrário, teríamos que deixar "Medicine" de fora — o que seria uma tragédia.

Nada de músicas do One Direction — essa seria uma lista totalmente diferente. Como diz a velha canção, não queremos uma sombra nos mantendo reféns, certo?

Então vamos fazer barulho por todas essas 53 músicas — e pelo homem que as trouxe ao mundo. E que venha tudo o que ele ainda tem guardado para o futuro. Entre na luz.

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53º lugar: "Just a Little Bit of Your Heart"

Listas como esta normalmente começam pelos fracassos. No entanto, Harry Styles se recusou a lançar qualquer fracasso — o que, sinceramente, é até falta de educação. Então a lista precisa começar com uma música simplesmente excelente. Ele escreveu "Just a Little Bit of Your Heart" para o álbum My Everything (2014), de Ariana Grande. O único motivo de ela estar aqui é: (1) Ariana já fez a versão famosa, (2) Harry nunca a lançou oficialmente por conta própria, e (3) ele tem algumas dezenas de músicas ainda melhores. Mesmo assim, ela virou um momento marcante da sua primeira turnê solo, conectando passado e futuro. Como ele disse ao apresentá-la ao vivo: "Essa aqui eu dei para outra pessoa — hoje à noite quero pegá-la de volta." —R.S.

52º lugar: "Girl Crush"

Uma versão inteligente, suave e minimalista do hit country de 2014 do Little Big Town, lançada como um Spotify Single. Harry se demora nas palavras provocativas, originalmente sobre uma mulher obcecada pela nova namorada do ex. Mas ele não muda os pronomes — dando um novo giro de gênero a uma música que está ali, ao lado de Jolene, no quesito triângulos amorosos cheios de desejo no country. —R.S.

51º lugar: "Woman"

"Será que a gente só pesquisa comédias românticas na Netflix e vê o que aparece?" Uma ótima pergunta para abrir um slow jam. "Woman" é uma música que realmente ganha força em suas versões ao vivo mais festivas. A versão de estúdio tem um gancho que soa como um pato sexualmente agitado, grasnando em êxtase. Como Harry contou a Nick Grimshaw, da BBC, não é um pato tarado — é apenas a própria voz dele passada por um filtro. Mas quando ele tocou seu álbum de estreia para os pais pela primeira vez, "o disco inteiro acabou, aí meu padrasto disse: 'Tenho uma pergunta — de onde você tirou o pato? Como você conseguiu um pato no estúdio?' E eu fiquei tipo: 'Era eu, obrigado.'" —R.S.

50º lugar: "The Chain"

Como você deve ter ouvido, Stevie Nicks e Harry Styles são amigos devotados e almas gêmeas desde que ele levou um bolo de aniversário para ela em 2015. Eles são os melhores amigos rockstars favoritos de todo mundo. Ele fez um cover desse clássico do Fleetwood Mac em sua turnê de 2018, uma forma de homenagear uma de suas maiores inspirações enquanto se jogava no palco. Ele tocou "The Chain" com a banda em janeiro de 2018, quando foram homenageados como Pessoa do Ano do MusiCares (o último show com Lindsey Buckingham). Como Stevie disse à Rolling Stone em 2019: "Ele é o filho de amor do Mick [Fleetwood] e meu. Quando Harry entrou nas nossas vidas, eu disse: 'Meu Deus, este é o filho que eu nunca tive.' Então eu o adotei." —R.S.

49º lugar: "Wet Dream"

Um momento histórico na história da… umidade humana. Para o BBC Radio 1 Live Lounge, Harry fez uma versão arrasadora de "Wet Dream", o grande single indie de 2021 da dupla britânica de art-punk Wet Leg. É uma avalanche de guitarras ofegantes, cheia de investidas hipersexualizadas: "Eu estava no seu sonho molhado, dirigindo no carro/ O que te faz pensar que você é bom o bastante para pensar em mim/ quando você está se tocando?" Harry deveria fazer um álbum inteiro de hinos indie feministas e sexuais. ("Pink Chiffon", do Muna? "Divine Hammer", do The Breeders? Manda ver, H.) —R.S.

48º lugar: "Only Angel"

Um frenesi de guitarras glam rock, perseguindo uma femme fatale esquiva com riffs de muscle car e coros de "woo-hoo", enquanto ele canta: "Estou feliz só de te ter presa entre meus dentes." Começa com um diálogo do filme Barfly - Condenados Pelo Vício, estrelado por Faye Dunaway e Mickey Rourke — escrito pelo poeta Charles Bukowski, um dos heróis literários de Harry. —R.S.

47º lugar: "Anna"

Um espetáculo deslumbrante na turnê de 2018, mas nunca lançado oficialmente, com guitarras ondulantes que saltam como o Grateful Dead na era de Europe '72. Ele também presta homenagem a George Michael, incluindo uma citação de "Faith". —R.S.

46º lugar: "Treat People With Kindness"

Harry já usava há muito tempo o slogan "Treat People with Kindness" como um mantra pessoal. Então finalmente escreveu uma música com esse título, com um coral gospel completo acompanhando. É um desvio de tudo que ele já fez, com uma energia teatral dos anos 1970. Phoebe Waller-Bridge aparece como uma parceira de dança encantadora no clipe — dois espíritos afins dividindo a pista. Como Harry contou à Rolling Stone, ele disse ao produtor Jeff Bhasker: "'Eu adoraria um dia escrever uma música chamada 'Treat People With Kindness'.' E ele respondeu: 'Por que você simplesmente não faz isso?' No começo me deixou desconfortável, porque eu não sabia exatamente o que era — mas depois quis mergulhar nisso. Sinto que essa música abriu algo que sempre esteve no meu núcleo." —R.S.

45º lugar: "Carolina"

"Eu a conheci uma vez e escrevi uma música sobre ela." Dê pontos ao garoto pela honestidade. Um groove praiano animado fantástico sobre uma musa que tem um livro para cada situação — exatamente o tipo dele. (O que será que ela está lendo? Murakami? Didion? Emerson?) A música tem uma vibração psicodélica levemente ensolarada, evocando alguns dos antigos poetas do rock inglês devotos às garotas, como Donovan (na fase de "Sunshine Superman") ou Marc Bolan (na era de "Planet Queen"). Os "oh, yeah" remetem a um clássico perdido de uma das músicas favoritas dele de Hall & Oates, "Adult Education" — não é um dos grandes hits deles, mas é uma das mais sensuais. —R.S.

44º lugar: "Meet Me in the Hallway"

A faixa de abertura de seu álbum de estreia, "Meet Me in the Hallway", já serve como aviso: ele nunca vai jogar pelo seguro. Em vez de um hit pop, é uma balada soturna sobre um amor distante, com um pouco de John Lennon e David Bowie na voz e uma vibe de Pink Floyd nas guitarras. (Um de seus favoritos de longa data — na turnê, sua música de abertura era a faixa de 13 minutos "Shine On You Crazy Diamond".) "Meet Me in the Hallway" deixou claro que, depois de One Direction, ele seguiria seu próprio caminho, mesmo que isso o levasse a lugares sombrios como este. —R.S.

43º lugar: "Daydreaming"

Styles transforma um sample de "Ain't We Funkin' Now", clássico de 1978 dos The Brothers Johnson, em ouro soul-pop de 2022 em "Daydreaming", que parece feita sob medida para virar um remix de festa madrugada adentro com pelo menos quatro vezes a duração original de três minutos. Entre gritos e euforia, ele é o centro de uma tempestade funk, apoiado por metais precisos, uma batida pulsante e backing vocals que parecem incentivá-lo em tempo real — mesmo tendo sido gravados há mais de quatro décadas. —M.J.

42º lugar: "Sunflower, Vol. 6"

Um romance viajante com pegada dub, com toques de reggae e guitarras mbaqanga sul-africanas, além do sitar elétrico de Greg Kurstin. "Mantenha isso doce na sua memória", sussurra Styles, enquanto beija na cozinha como se fosse uma pista de dança. —R.S.

41º lugar: "To Be So Lonely"

Uma daquelas confissões bêbadas de madrugada por telefone que se revelam uma péssima ideia na manhã seguinte. Em "To Be So Lonely", nada consegue consolar Harry — talvez só a guitarra de Mitch Rowland, demonstrando seu toque delicado e cheio de twang. (É daquelas faixas em que dá para perceber o gosto de Rowland por violonistas como Bert Jansch e John Renbourn.) A música foi escrita em um guitalele — um ukulele de seis cordas — que Harry levou em uma viagem ao Japão. "'To Be So Lonely' é basicamente a expressão do cérebro do Mitch", disse Styles. "Mesmo quando ele toca sozinho, tem swing." —R.S.

40º lugar: "From the Dining Table"

Como tantas músicas do álbum de estreia, "From the Dining Table" mostra um cara acordando sozinho em um quarto de hotel luxuoso e se perguntando como tudo deu tão errado. Com o One Direction, Harry podia até ser um defensor declarado de causar confusão em quartos de hotel. Mas aqui definitivamente não há nada de glamouroso: "Brinquei comigo mesmo, onde você está/ Voltei a dormir e já estava bêbado ao meio-dia/ Nunca me senti menos legal." —R.S.

39º lugar: "Canyon Moon"

Harry se solta no dulcimer, sonhando com os céus abertos da Costa Oeste. "Canyon Moon" é uma música sobre voltar para casa, mas também sobre criar um lar nas próprias memórias, levando quem você ama junto sempre que vai embora. Ele ficou tão obcecado por sua ídola Joni Mitchell ("Eu estava num buraco profundo de Joni") que, junto com Kid Harpoon, foi atrás de Joellen Lapidus, a mulher que construiu o dulcimer de Mitchell para Blue. Ela não só fez um instrumento para Harry como também deu a ele e Kid Harpoon sua primeira aula de dulcimer em casa. Seu álbum seguinte, Harry's House, compartilha o título com uma música de 1975 de Mitchell. Harry descreveu "Canyon Moon" como "Crosby, Stills, Nash & Young com esteroides" — não é à toa que foi a favorita de Stevie Nicks em Fine Line. —R.S.

38º lugar: "Paint By Numbers"

Essa balada breve e contemplativa de Kiss All The Time captura Styles percebendo o que uma década e meia de fama fez com ele — "Fica um pouco complicado quando/ Colocam uma imagem na nossa cabeça e agora você fica preso a ela", observa em certo momento, uma reflexão que coloca o restante do quarto álbum, mais voltado para a pista de dança, em um contexto mais amplo de sua necessidade de liberdade e escape.

37º lugar: "Little Freak"

Essa balada enevoada e de combustão lenta é cheia de imagens vívidas — festas de Halloween, bancadas de cozinha — enquanto arpejos de guitarra buscam uma resolução com um amor difícil de decifrar, embora essa indefinição talvez seja para o melhor. O refrão acústico é puro doce pop, com Styles cantando "Só estou pensando em você/ Só pensando em você" de um jeito feito para derreter corações. —M.J.

36º lugar: "Love of My Life"

Harry's House se encerra com essa balada carregada de arrependimento, em que Styles convoca toda a força de sua voz para relembrar bons momentos com um ex. Sintetizadores explosivos e backing vocals giratórios aumentam a gravidade, enquanto a melodia quase cantada do refrão faz seus pensamentos parecerem sempre presentes — como uma memória que se recusa a desaparecer, por mais que se tente. —M.J.

35º lugar: "Season 2 Weight Loss"

Styles encara a fama e a ideia de amor nesta faixa de Kiss All The Time, em que baterias frenéticas e pulsantes — que parecem inspiradas em "Let Forever Be", do The Chemical Brothers — e sintetizadores vibrantes abafam sua voz nos versos. O refrão, impulsionado ao caos por Styles perguntando "Você me ama agora?/ Eu te decepciono?", ganha um tom cada vez mais paranoico, com ele murmurando as linhas finais — "Você poderia estar aqui nos meus braços/ Você quer um pedaço ou nada" — de um jeito completamente derrotado.

34º lugar: "Adore You"

Em abril de 2019, quando achava que Fine Line estava praticamente pronto, ele teve um surto de inspiração e criou três músicas cruciais na última semana: "Adore You", "Lights Up" e "Treat People With Kindness". (Ei, os Beatles escreveram metade de Rubber Soul em uma semana.) "Adore You" conquistou o rádio pop tão rápido que é fácil ignorar o quão radical ela é musicalmente — um hit Top 10 com solo de guitarra? Não se fazia mais isso, até ele aparecer. O clipe narrado por Rosalía é um dos mais tocantes de sua carreira, com Harry interpretando um garoto peculiar que leva amor aos peixes de Eroda. —R.S.

33º lugar: "Grapejuice"

Uma faixa de andamento médio com um balanço suave, que coloca o falsete de Styles em destaque no refrão solto, "Grapejuice" o mostra lidando com o peso do romance enquanto esvazia uma garrafa de vinho (da boa, já que hoje ele pode bancar). A linha de baixo levemente suja e as contramelodias elegantes dão à música a vibe de um encontro no jardim ao fim da tarde, onde o sol e a bebida despertam pensamentos profundos. —M.J.

32º lugar: "Taste Back"

Combinando sintetizadores por toda parte com flertes de um relacionamento indefinido ("De onde você tirou a confiança para me chamar de 'baby'?"), essa pérola de Kiss All The Time passa com uma leveza que só existe entre duas pessoas que se conhecem bem demais.

31º lugar: "Aperture"

A introdução de Kiss All The Time. Disco, Occasionally foi uma surpresa — uma faixa de mais de cinco minutos, guiada mais pela atmosfera do que pela estrutura, com letras tão abstratas quanto os sintetizadores ao redor de Styles ("Vá em frente, faça perguntas depois", ele diz em certo momento, como se fosse um mantra tanto dessa música quanto do álbum). Seus versos contidos e refrões que parecem rasgar o céu preparam o terreno para grande parte do quarto disco de Styles, que soa tão inspirado pela escapada ao banheiro em meio ao caos de "There's More To Life Than This", da Björk, quanto por noites em shows do LCD Soundsystem e viagens ao clube berlinense Berghain.

30º lugar: "Watermelon Sugar"

"Watermelon Sugar" explodiu e se tornou o primeiro hit número 1 de Harry Styles, um groove de guitarra veranil e brincalhão que soa como Bill Withers tomando um milk-shake psicodélico enquanto flerta com tudo na seção de frutas do mercado. Nada mal para uma música tão excêntrica que quase ficou de fora do álbum. "A gente retrabalhou essa várias vezes, e ela morreu algumas vezes", contou Harry à Rolling Stone em 2019. "Mas sempre voltava. A gente matou de vez algumas vezes, mas ela insistia em voltar. Então pensei: 'Tem um motivo pra ela sobreviver.'" Como resumiu seu coautor e parceiro Kid Harpoon, "Estourar com uma música chamada 'Watermelon Sugar', sobre sexo oral, é incrível e meio divertido." —R.S.

29º lugar: "Carla's Song"

Inspirada ao ver um amigo ser tomado pela força de ouvir "Bridge Over Troubled Water", da dupla Simon & Garfunkel, a faixa final de Kiss All The Time floresce de murmúrios suaves à la Paul Simon sobre sintetizadores de tom de telefone até ele repetir uma frase que é ao mesmo tempo o fascínio de ver alguém próximo ter uma epifania musical e um mantra de um gênio do pop: "Eu sei do que você gosta, eu sei do que você vai realmente gostar." (De vez em quando, um diabinho no ombro sussurra: "Está tudo esperando por você aqui.") É um encerramento apropriado para essa ode às vezes inquieta, às vezes exuberante, à libertação na pista de dança.

28º lugar: "Two Ghosts"

Uma bela balada soft rock sobre dor amorosa — e um ponto de virada na composição dele. "'Two Ghosts' eu escrevi para a banda, para Made in the A.M.", disse em 2019. "Mas a história era pessoal demais." Foi a música em que ele percebeu que precisava contar essas histórias sozinho. Em "Two Ghosts", ele dança à luz da geladeira com uma pessoa de lábios vermelhos, olhos azuis, camisa branca. (Mas será que eles afastaram os móveis para dançar?)

Nota: Bob Dylan está curiosamente ausente do panteão de ídolos clássicos do rock de Harry — como muitos, ele simplesmente não consegue superar a voz. Mas no documentário Behind the Scenes, ele faz uma imitação hilária e precisa de Dylan cantando "Two Ghosts" (por volta de 13:45). É uma das cenas mais engraçadas do filme. —R.S.

27º lugar: "Late Night Talking"

"Late Night Talking" é um passeio elegante, quase um moonwalk, pelo R&B dos anos 80, perfeito para patinar, sobre como a intimidade mexe com a sua cabeça e transforma sua vida. Harry faz uma promessa de devoção no estilo de Carole King, jurando: "Eu te seguiria a qualquer lugar/ Seja Hollywood ou Bishopsgate/ Eu vou também." Em outras palavras, onde você for. (O tema do romance à distância combina com "As It Was", onde ele canta: "Leave America, two kids, follow her.") —R.S.

26º lugar: "Ever Since New York"

Por mais estranho que pareça hoje, muita gente simplesmente não estava pronta para ouvir Styles fazer uma confissão tão sincera quanto "Ever Since New York". (As pessoas estavam tão focadas no fenômeno cultural One Direction que ignoraram o brilho musical do grupo em "Stockholm Syndrome", "Story of My Life" ou "Fireproof". Loucura, né?) "Ever Since New York" soa contida, mas intensa, com muito espaço vazio — apenas os acordes de guitarra de Mitch Rowland e Harry implorando: "Me diga algo que eu ainda não sei." Ele parece perdido no próprio quarto, sem saber se está rezando ou apenas falando com as paredes. Mas sabe que está desconectado de onde gostaria de estar. —R.S.

25º lugar: "Ready, Steady, Go!"

Sobre uma linha de baixo pós-punk constante, esta faixa de Kiss All The Time alterna seu poder de sedução entre o contido e o fervente, com o mantra do refrão dando a Styles liberdade para aumentar a intensidade até que tudo quase saia completamente do controle no final.

24º lugar: "Music for a Sushi Restaurant"

A faixa de abertura do terceiro álbum de Harry Styles é — como não poderia deixar de ser — um convite irresistível em forma de pop funk, recebendo os ouvintes em Harry's House com promessas de linhas de baixo elásticas e um Harry totalmente confortável em seu modo adulto e sensual. Ele dispara metáforas alimentares surrealistas e scat despreocupado com um charme piscando o olho, orbitado por uma festa que já está a todo vapor e não dá sinais de desacelerar. —M.J.

23º lugar: "Boyfriends"

Harry transformou essa balada em um espetáculo de harmonias na Love on Tour, com participações de seus incríveis companheiros de banda Ny Oh, Elin Sandberg e Sarah Jones. (Dá pra apostar que vai ter uma noite com harmonias extras de Stevie Nicks. Vai acontecer, né?) A guitarra folk evoca o Paul Simon de "I Am a Rock" ou "Armistice Day". Como Harry cresceu em um pub ouvindo Simon & Garfunkel o tempo todo, ele conhece bem esse território. "Namorados — eles estão apenas fingindo?" é uma pergunta infelizmente atemporal. —R.S.

22º lugar: "Sweet Creature"

Uma música extremamente silenciosa que ainda assim parece calar qualquer ambiente onde toca. "Sweet Creature" é apenas um garoto e um violão refletindo sobre o dilema de dois corações tentando se encaixar. É uma meditação sobre o conceito de lar — e sobre como lar é algo que você constrói ao longo do caminho — temas que ele já explorava muito antes de Harry's House. Mas sua voz carrega emoção suficiente para atravessar o peito de quem ouve. "Sweet Creature" soa frágil, mas você quase prende a respiração quando ele chega ao refrão: "Quando eu fico sem estrada/ Você me leva pra casa." —R.S.

21º lugar: "Dance No More"

"Foi um momento de tipo, 'Eu me sinto tão vivo agora'", contou Styles à Apple Music sobre a noite em Berlin que o inspirou a escrever essa celebração intensa de "sentir que a música foi enviada do céu" no clube. Styles demonstra um controle elegante sobre os versos de baixo pulsante, enquanto os corais que entram no refrão o incentivam a sair de sua postura ensaiada — e, à medida que ele vai se soltando, finalmente aceita o convite para "molhar os pés" e se entregar de vez.

20º lugar: "The Waiting Game"

Um retrato borbulhante de frustrações românticas, esta faixa de Kiss All the Time combina baterias no estilo Mavis Beacon, sintetizadores "pingue-pongue" e guitarras freneticamente dedilhadas para ilustrar a irritação que ferve por baixo da postura fria de Harry Styles.

19º lugar: "Daylight"

De cabelo bagunçado e completamente apaixonado, "Daylight" é um retrato dos altos e baixos de um relacionamento à distância, com Styles refletindo sobre suas tendências obsessivas e rotinas do dia a dia. Com guitarras ásperas na base e "ooh oohs" doces como mel nas camadas superiores, "Daylight" é um estudo envolto em sintetizadores sobre as contradições do romance. —M.J.

18º lugar: "Golden"

A abertura beatífica de Fine Line, com ondas e mais ondas de soft rock radiofônico dos anos 70. Mas, por baixo de todo o brilho ensolarado, há um sentimento de perda, enquanto Harry implora: "Eu não quero ficar sozinho." "Golden" foi a primeira música escrita para o álbum, no segundo dia de sessões. Como ele disse: "Essa sempre ia ser a faixa 1." "Golden" tem um dos clímax mais eletrizantes de sua obra: aquele momento perfeito em que tudo para de repente, Harry declara "Eu sei que você tem medo porque eu sou tão aberto", e a música explode em um solo de guitarra suplicante. —R.S.

17º lugar: "American Girls"

O vocal potente de Styles lembra o de outro megastar britânico do pop, Chris Martin, em suas incursões pela pista de dança nesta faixa de andamento médio, que combina suas observações irônicas sobre os hábitos amorosos dos amigos com pianos cristalinos e uma atmosfera grandiosa. A quebra com sintetizadores cortantes parece vinda de uma dimensão onde distinções como "americano" perdem o sentido diante de diferenças interplanetárias — o cenário ideal para a próxima residência monumental de Styles.

16º lugar: "Lights Up"

"Lights Up" foi o primeiro gostinho da era Fine Line — um deslizar rumo ao futuro do pop, buscando uma euforia disco de madrugada que faz a cabeça girar. Em um nível, é uma canção de amor para seus fãs e para como eles o ajudaram a se reencontrar após o fim do One Direction. Mas "Lights Up" captura o momento em que você entra na luz e finalmente reconhece quem você realmente é — mesmo que essa luz venha apenas da bola de espelhos brilhando dentro do seu coração. "Acho que 'Lights Up' surgiu no fim de um longo período de auto-reflexão e autoaceitação", contou à Rolling Stone. "Eu tive conversas comigo mesmo que você nem sempre tem. E agora me sinto mais confortável sendo quem eu sou." "Lights Up" é cheia de dúvidas e medos, mas também é uma celebração pop exuberante. —R.S.

15º lugar: "Fine Line"

O final épico de seu segundo álbum, crescendo ao longo de seis minutos — de dedilhados folk a metais e cordas. "Fine Line" tem a força introspectiva da cena final de Fleabag, em que Phoebe Waller-Bridge dá um último olhar antes de sair para sua longa, fria e solitária caminhada para casa no escuro. (Um fã fez um vídeo brilhante sincronizando a cena com essa música — vive sendo derrubado do YouTube, mas vale procurar.) —R.S.

14º lugar: "Pop"

Carregada pela emoção de transgredir a própria imagem de bom moço, esta faixa de Kiss All The Time tem uma batida entrecortada e possivelmente faz referência a "Cinema", de Harry's House. Nessa faixa mais funk, Styles canta "You pop when we get intimate", enquanto aqui ele celebra ser "apenas eu, de joelhos/ fantasia impecável/ era pra ser 'pop'". Gíria pessoal à parte, "Pop" tem a vibe enevoada de uma primeira viagem para "o outro lado", com um refrão que realmente "salta" dos alto-falantes.

13º lugar: "Cinema"

Uma daquelas músicas que mostram como prazeres carnais podem provocar pensamentos impulsivos, "Cinema" é um pop-funk sinuoso com letras que equilibram o sublime e o ridículo. "Eu só acho você incrível/ eu adoro o seu cinema", canta Styles no refrão, revelando uma vulnerabilidade que quase — quase! — justifica rimar "cinema" com "intimate". —M.J.

12º lugar: "Medicine"

Harry em seu estado mais libidinoso, glam, provocador — e simplesmente no auge. "Medicine" é uma das favoritas mais intensas dos fãs desde os primeiros shows: um rock & roll à la Rolling Stones, depravado e movido a sexo. Mas, de alguma forma, ele nunca lançou a música oficialmente. Por isso, virou quase uma relíquia cult — uma faixa pela qual os fãs praticamente rezam. Quando ele a resgatou no show temático Harryween em Nova York no ano passado, pela primeira vez em anos, a multidão explodiu só de ouvir a baterista Sarah Jones marcar a entrada. O clímax vem quando ele grita: "The boys and the girls are in/ I mess around with them/ And I'm OK with it!" — e a ambiguidade da letra só aumenta o mito da música. —R.S.

11º lugar: "She"

Amor, a droga mais psicodélica de todas. "She" é uma viagem espacial de seis minutos, meio insana, que soa como Prince tocando com Pink Floyd. É Harry e sua equipe no modo mais descontrolado — talvez por isso ele goste tanto dessa música. O grande destaque é Mitch Rowland, que embarca em um solo cósmico rumo à estratosfera.

"Ele tocou aquela guitarra um pouco… influenciado", disse Styles. "Bom, ele estava sob efeito de cogumelos — todos nós estávamos." Eles até esqueceram da música e só voltaram a ela depois. "Mas o Mitch nem lembrava o que tinha tocado naquela noite, então teve que reaprender tudo a partir da gravação." "She" é aquele tipo de beleza caótica que só surge quando você faz música com amigos de confiança — Kid Harpoon, Tyler Johnson, Jeff Bhasker, Rowland — em vez de músicos contratados. E jogando o manual inteiro pela janela. —R.S.

10º lugar: "Are You Listening Yet?"

Styles citou o LCD Soundsystem como uma das maiores influências de Kiss All The Time, e essa faixa dançante e pulsante é a que mais canaliza a fase "Losing My Edge", de James Murphy — pelo menos nos versos, onde Styles encara as mazelas modernas com rancor ("Você fez lipo, já está ouvindo?") e súplica ("Não pisque nem misture os meios, você é mais inteligente que isso"). O refrão é pegajoso, ainda que um pouco contido diante da urgência da letra, mas o breakdown vocal sem palavras perto do final captura perfeitamente por que as pessoas fogem para a pista de dança.

9º lugar: "Falling"

Harry, você não é bom sozinho. "Falling" é a balada de piano devastadora de Fine Line, narrando o que sobra após um relacionamento quebrado, perguntando: "O que eu sou agora? E se eu for alguém que eu não quero por perto?" Ele retorna a lugares assombrados por memórias — "O café acabou no Beechwood Cafe" — mas nada é igual. Se essa música não te desmonta, você está mesmo aí? —R.S.

8º lugar: "Keep Driving"

Uma desaceleração suave que chega em Harry's House depois da farra madrugada adentro de "Daydreaming", esse breve interlúdio encontra o encanto do romance nos detalhes, com Styles revisitando fragmentos de memória — incluindo momentos de conexão e episódios bobos de festa — sobre sintetizadores que borbulham suavemente. —M.J.

7º lugar: "Satellite"

"Satellite" começa contida, com Styles relembrando um encontro constrangedor com alguém do passado sobre teclados espectrais e guitarras insistentes; a cada refrão em que canta "Esperando você/ Me puxar pra perto", porém, a música cresce, até atingir um frenesi de desejo que explode em uma ponte digna de fogos de artifício, cheia de baterias aceleradas e sintetizadores espaciais. —M.J.

6º lugar: "Kiwi"

Harry tem um gosto por músicas introspectivas e reflexivas. Esta não é uma delas. "Kiwi" é um ataque glam-punk de guitarras do seu álbum de estreia, inspirado por uma atriz elegante que é "destilado forte misturado com um pouco de intelecto". É movida a sexo, adrenalina, guitarras pesadas e ao refrão absurdo: "Eu estou tendo seu bebê/ Isso não é da sua conta!" Quando ele solta "Kiwi" no final de um show ao vivo, é sempre um momento de catarse total — como se derrubasse as muralhas de Jericó. Digamos que o dicionário Merriam-Webster poderia usar esse momento como definição de "euforia". —R.S.

5º lugar: "Coming Up Roses"

Essa linda balada com arranjos de cordas destaca o lado mais sensível de Harry Styles, com sua voz aveludada tremendo ao perceber o quanto anseia por outra pessoa. Sua vulnerabilidade longe dos holofotes aparece quando ele admite seus nervos, enquanto a orquestra ao redor cria um contraste bonito — e significativo — com o restante mais rítmico de Kiss All The Time. Longe da pista de dança, ele e sua parceira conseguem realmente se conectar: "Somos só eu e você", ele promete pela última vez antes de mergulhar em uma melodia sem palavras, com a ingenuidade típica dos momentos mais íntimos.

https://www.youtube.com/watch?v=_3GKsIFtEoE

4º lugar: "Cherry"

O momento mais poderoso de Fine Line: uma confissão crua de luto e ciúme após o fim de um romance. Harry conta a história com humor seco, direcionando as farpas para si mesmo, mesmo quando a dor é real ("Consigo ver que você está no seu melhor/ Sou egoísta, então odeio isso" é de cortar fundo). No estúdio, o engenheiro Sammy Witte tocava um riff de violão que Harry ouviu e adorou — tão próximo de John Lennon na era do White Album — o que acabou dando origem à música. "Cherry" termina com um áudio da ex-namorada dele, Camille Rowe, falando em francês ao telefone. Uma canção de partir o coração que, ainda assim, se eleva como se buscasse o sol. —R.S.

https://www.youtube.com/watch?v=rGeJ73yAAhQ

3º lugar: "Matilda"

O coração emocional de Harry's House é uma mensagem cantada com delicadeza para uma amiga ainda lidando com as cicatrizes psicológicas de uma infância negligente. Styles, acompanhado por um coral espectral e pouco mais, consola essa amiga (representada pela personagem-título do livro de fantasia de Roald Dahl), guiando-a em direção à luz, onde ela pode ser ela mesma e receber o carinho que merece das pessoas ao seu redor. —M.J.

https://www.youtube.com/watch?v=lVnzO7opqNs

2º lugar: "As It Was"

O primeiro gostinho de Harry's House — e um hit imediato número 1. "As It Was" é um synth-pop dançante e sedutor, mas também a música mais vulnerável que ele já fez. Começa com a voz de sua afilhada, irritada por uma ligação perdida ("Anda, Harry, queremos te dar boa noite!"). Mesmo quando está para baixo, a intimidade suave de sua voz faz parecer que a história é compartilhada entre duas pessoas. Os sinos eufóricos no final são Harry tocando "tubular bells". Puro gênio condensado em três minutos. Que maneira de abrir a era Harry's House, quase exatamente cinco anos após seu single de estreia. —R.S.

https://www.youtube.com/watch?v=H5v3kku4y6Q

1º lugar: "Sign of the Times"

A última coisa que o mundo esperava de Harry Styles. Seu primeiro single solo após o One Direction não foi um hit pop, mas uma épica balada de piano sobre amor e morte com quase seis minutos. Uma jogada de carreira ousada: ele mirava o território de gigantes como David Bowie, Prince e Queen. Como contou à Rolling Stone em 2017, a música é narrada do ponto de vista de uma mãe que está morrendo no parto. "Dizem a ela: 'O bebê está bem, mas você não vai sobreviver.' Ela tem cinco minutos para dizer ao filho: 'Vá em frente e conquiste o mundo.'" É por isso que "Sign of the Times" soa tão grandiosa — encontra beleza no desespero. A canção teve impacto imediato, chegando ao quarto lugar nos EUA, mas só fica mais poderosa com o tempo. (É completamente diferente quando te acompanha em um processo de luto.) Parece condensar uma vida inteira de esperança em poucos minutos. Depois dela, ninguém mais duvidou de Harry Styles. —R.S.

https://www.youtube.com/watch?v=qN4ooNx77u0

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