Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Thobias da Vai-Vai critica sambas atuais: "é tudo fast food"

2 ago 2012 - 16h39
(atualizado às 18h22)
Compartilhar

Em uma animada roda de samba, a apresentadora Lorena Calábria recebeu grande time de sambistas, como Eliseth Rosa, Thobias da Vai-Vai, Marco Antonio da Nenê de Vila Matilde, Ronaldo Brás e Osvaldinho, no programa Terra Live Music desta quinta-feira (1). Ao vivo, os convidados conversaram sobre a história do ritmo na cidade de São Paulo embalados por sucessos como

O sambista Thobias da Vai-Vai comandou a roda de samba
O sambista Thobias da Vai-Vai comandou a roda de samba
Foto: Vagner Campos / Terra
Pura Vaidade

,

Sem Compromisso

,

Vai no Bexiga pra ver

e

Ilumina

.

O ex-presidente da escola de samba Vai-Vai falou sobre a mudança que a presença do ritmo tem sofrido no tradicional bairro do Bixiga, no centro da capital. "O Bixiga ainda respira muita música, como samba, forró. Mas agora está bem diversificado", contou.

Eliseth Rosa comentou que o samba não perde espaço, mas se mistura por toda a cidade. Ela contou que o ritmo paulistano é uma grande família, pois é comum músicos se apresentarem em rodas espelhadas por vários bairros da capital. Ela carinhosamente classifica estes shows fora do seu local original como "visita sambística". A sambista completou ainda: "a gente não se vê muito, mas sabe o que o outro está fazendo, conhece todo mundo".

Os músicos falaram também sobre o preconceito que havia contra os sambistas na época da ditadura e, que hoje, não existe mais. "Os policiais da época não gostavam de sambista, hoje em dia quando você fala que é pagodeiro, eles querem que case com a filha", comparou Osvaldinho em tom de brincadeira.

Se, por um lado, acabou o preconceito, por outro, escolas de samba parecem cada vez mais perder as antigas tradições. Thobias da Vai-Vai explicou que, hoje, os desfiles se tornaram fast food. "Antigamente você identificava os sambas de cada escola, e eles eram feitos por uma pessoa. Mas hoje em dia não tem tanta qualidade, eles juntam 15 ou 20 compositores e o samba é ruim. É Fast Food. Não tem mais parceria, hoje é condomínio."

Thobias afirmou ainda que atualmente são as comunidades que garantem a manutenção do samba original. "Hoje em dia, as escolas de samba perderam a questão de ser escola de samba. Quem vai, vai para ver espetáculo. A essência, as velhas guardas musicais, os compositores de verdade, de fato, se perderam. Hoje o que dá força para o samba de São Paulo são as comunidades. É ai que você encontra os sambistas de verdade", disse o ex-presidente da Vai-Vai em referência às rodas de samba como Pagode da 27, Cafofo, Samba da Vela, entre vários outros.

Ronaldo Brás concorda e diz que o problema não é só o samba enredo em si, mas toda a estrutura das escolas. "Perdeu o lirismo da poesia, o desfile é muito engessado", contou. Osvaldinho complementou: "comunidades fazem a diferença, porque a escola de samba está manipulada". O sambista, que também é jornalista, falou ainda sobre o saudosismo nas rodas e as constantes homenagens que o ritmo recebe. Crítico, afirmou: "samba tem história, funk vai falar o quê?".

E não é só o samba que tem história, os sambistas também. Thobias contou que era "abusado" e "folgado" quando começou a cantar seus primeiros enredos. "Entrei na ala de compositores aos 22 anos. Até aquela época eu era torcedor da Vai-Vai, era da arquibancada. Aquele tempo tinha que abusar, pegar o microfone e segurar, tinha que ser folgado. Eu era tão folgado que ganhava o samba no domingo, pegava o ônibus e ia cantar no Limão, na Vila Matilde. Tinha que ser valente, tinha que se impor", contou.

Se Thobias era abusado na escola de samba, Eliseth Rosa enfrentava a família. A sambista, que também é dona de um salão de beleza há mais de 30 anos no bairro Bela Vista, contou que entrou no samba contra a vontade da mãe. "Minha família toda italiana, eu morava quase na igreja da Achiropita, mas descia ali as ruas do Bixiga no escuro para ver o samba. E minha mãe corria atrás de mim, jogando o tamanco. Meu avô italiano falava: 'além de corintiana, ainda vai à escola de samba'." Mas, depois da insistência, acabou indo para a quadra da Vai-Vai: "demorei dois anos para entrar na área dos compositores. Tive que fazer estágio", lembrou.

Osvaldinho contou que se apaixonou pelo samba e trocava desfiles por notas boas na escola. "Meu pai achava que negro tinha que estudar. Mas, minha irmã casou com um cara lá do Peruche, que usava calça boca de sino, e meu sonho era ser igual a ele. Naquele ano, fui o primeiro aluno na escola e pedi de presente desfilar na escola, aos 7 anos".

Além dos sambistas, estavam também no palco alguns músicos da velha-guarda e as pastoras da escola Nenê de Vila Matilde. O programa ainda foi acompanhado de perto pela Dona Maria de Lurdes que, aos 102 anos, recebeu o trófeu Sambista Nota 10 do Carnaval de São Paulo.

Fonte: Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra