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Sony e Warner processam Anthropic por violação de propriedade intelectual

Gigantes da música entram em guerra contra a Anthropic em um dos maiores litígios de direitos autorais da história.

29 ago 2026 - 13h11
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Resumo
As gigantes Sony Music e Warner Chappell processaram a Anthropic e seus fundadores por violação massiva de direitos autorais. As editoras acusam a empresa de usar ilegalmente dezenas de milhares de letras musicais e livros piratas para treinar seus modelos de IA Claude, que também reproduzem esses conteúdos. A ação exige indenizações bilionárias, a destruição de cópias não autorizadas e a prestação de contas dos dados de treino, reforçando a pressão jurídica contra a startup de tecnologia.
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Sony e Warner processam Anthropic por violação de propriedade intelectual
Sony e Warner processam Anthropic por violação de propriedade intelectual
Foto: The Music Journal

Nos bastidores da revolução tecnológica, um embate de proporções épicas está se desenrolando, colocando a vanguarda da inteligência artificial em rota de colisão com os pilares da indústria musical.

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As gigantes da publicação musical, Sony Music Publishing e Warner Chappell Music uniram forças para um ataque frontal contra a Anthropic, a mente por trás do aclamado Claude, acusando a empresa de um dos mais escandalosos roubos de propriedade intelectual já registrados. As informações são do Music Business Worldwide.

A denúncia, que ecoa como um trovão no cenário da inovação, não poupa nem mesmo os fundadores da Anthropic, Dario Amodei e Benjamin Mann, listados como réus individuais neste drama jurídico.

A ação legal, protocolada em uma sexta-feira decisiva no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia, é mais do que um mero processo; é um manifesto. Ela se soma a uma série de litígios que já veem os braços editoriais das três principais gravadoras do mundo em pé de guerra contra a Anthropic.

A Universal Music Publishing Group, Concord Music Group e a ABKCO, por exemplo, já haviam iniciado sua própria cruzada em Nashville em outubro de 2023, envolvendo cerca de 500 canções, caso que migrou para a Califórnia. 000 obras e uma exigência de indenização que ultrapassa a marca dos US$ 3 bilhões.

A BMG e a Round Hill Music também se juntaram ao coro, com processos em março e agosto de 2026, respectivamente, solidificando a frente unida da música contra o que consideram uma apropriação indevida desenfreada.

O coração da acusação: pirataria em escala massiva

As alegações são pesadas e apontam para uma estratégia que, segundo as editoras, beira a desfaçatez. Sony e Warner buscam indenizações legais que podem chegar a US$ 150 mil por cada obra intencionalmente infringida, além de US$ 25 mil por cada suposta remoção de informações de gerenciamento de direitos autorais. O cerne da queixa é explícito:

"Entre as inúmeras obras protegidas por direitos autorais que os réus coletaram ilegalmente para alimentar o Claude, encontram-se milhares e milhares de composições musicais de editoras musicais, incluindo canções adoradas como Ain't No Mountain High Enough, All I Want for Christmas is You, Eye of the Tiger, Here Comes Santa Claus e Paper Rings. Em flagrante violação da lei de direitos autorais, os réus adquiriram ilegalmente vastos acervos de composições musicais de editoras musicais e, em seguida, copiaram sistematicamente essas obras diversas vezes, inclusive como entradas para treinar os modelos de IA do Claude da Anthropic e nas saídas geradas por esses modelos."

Esta é uma bomba-relógio para a Anthropic, com a denúncia identificando "dezenas de milhares" de composições supostamente infringidas, o que projeta uma exposição legal teórica na casa dos bilhões de dólares.

A narrativa judicial se aprofunda, citando o cofundador Benjamin Mann, que, em junho de 2021, teria usado o BitTorrent para baixar pelo menos cinco milhões de livros piratas do Library Genesis. Em julho de 2022, funcionários da Anthropic teriam baixado mais 2 milhões de livros do Pirate Library Mirror.

As conclusões do caso Bartz v. Anthropic, que já classificaram a conduta da empresa como "pirataria pura e simples, porém em escala massiva", são agora um pilar fundamental para esta nova ofensiva.

A denúncia da Sony Music Publishing (SMP) e da Warner Chappell Music (WCM) não hesita em afirmar:

"O Dr. Amodei e o Sr. Mann são pessoalmente responsáveis por seus respectivos papéis neste compartilhamento ilegal de cópias pirateadas de obras de editoras musicais provenientes do LibGen e do PiLiMi."

Documentos internos da Anthropic, revelados no caso Bartz, mostram que Mann descreveu o LibGen como "extremamente suspeita" e que até a própria equipe da Anthropic reconheceu a plataforma como uma "violação flagrante de direitos autorais".

A contradição da IA "ética" e o fandom desiludido

O processo alega que a Anthropic foi além, extraindo letras de sites licenciados como MusixMatch e LyricFind, realizando uma "digitalização destrutiva" de livros usados e utilizando fontes como Common Crawl, The Pile e Books3. Mann, segundo a denúncia, teria baixado livros piratas "para evitar o trabalho de pagar por eles, na esperança de que pudessem ser úteis para treinar grandes modelos de linguagem (LLMs) ou algo do tipo".

Um documento de planejamento de 2024 da Anthropic, também divulgado em Bartz, revela uma preocupação latente: "Não queremos que se saiba que estamos trabalhando nisso." Essa postura levanta questões sobre a transparência e a suposta ética da empresa, que se apresenta como um farol moral no universo da IA.

Ainda de acordo com o Music Business Worldwide, as editoras não se limitam a acusações de apropriação; elas apontam para a reprodução literal de letras de músicas pelo Claude em seus resultados, e para a ineficácia das medidas de segurança adicionadas após litígios anteriores, que seriam "facilmente contornáveis simplesmente 'reiniciando' o modelo".

A lista de músicas supostamente infringidas é um testamento à magnitude do que está em jogo, incluindo clássicos como Livin' On a Prayer, September, Hallelujah e o hit de Taylor Swift, Paper Rings.

O processo da Sony e Warner se apoia fortemente em um acordo anterior de US$ 1,5 bilhão que a Anthropic firmou com autores de livros em setembro de 2025 pela mesma conduta. No entanto, as editoras veem isso como um custo operacional para a Anthropic:

"Mas a Anthropic claramente considera isso apenas o custo de fazer negócios, visto que todo o seu modelo de negócios continua sendo construído sobre o roubo de direitos autorais". E US$ 1,5 bilhão obviamente não é um acordo grande o suficiente para deter a conduta infratora de uma empresa que transformou tal violação em massa em uma avaliação impressionante de US$ 2 trilhões."

Esta avaliação, atribuída a um relatório da Forbes de agosto de 2026 sobre uma possível IPO, reforça a percepção de que os lucros vêm antes da ética.

O Futuro da Criatividade na Era da IA

A crítica à Anthropic é incisiva:

"Apesar de se apresentar como a 'empresa de IA ética', a Anthropic tem agido repetidamente de maneiras que contradizem essa imagem, priorizando a vantagem competitiva em detrimento do cumprimento da lei.. As editoras musicais reconhecem o potencial da tecnologia de IA ética e celebraram contratos de licenciamento que permitem o uso autorizado de suas composições musicais em conexão com a IA."

A mensagem parece clara: a IA tem seu lugar, mas deve respeitar os limites legais e éticos.

"No entanto, continua sendo crucial que o desenvolvimento da IA ocorra de forma responsável e em termos que sejam aceitáveis para os detentores de direitos, e de uma maneira que proteja seus direitos, seus meios de subsistência e as indústrias criativas como um todo."

Este litígio não é apenas sobre dinheiro; é sobre o futuro da criatividade e os direitos dos artistas na era digital. As Sony Music Publishing e Warner Chappell Music, representadas pela Oppenheim + Zebrak, LLP e Pryor Cashman LLP, exigem não apenas indenizações, mas a destruição de todas as cópias ilegais e uma prestação de contas dos dados de treinamento do Claude.

O processo lista quatro acusações, incluindo violação direta e indireta, e a remoção de informações de gestão de direitos autorais. A conclusão ressoa como um alerta:

"Até mesmo as tecnologias mais revolucionárias devem se desenvolver dentro dos limites da lei, e os modelos Claude da Anthropic não são diferentes."

O veredito deste caso pode redefinir o panorama da propriedade intelectual na era da inteligência artificial, ditando as regras para a coexistência entre inovação e respeito aos criadores.

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