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Roger Daltrey afirma que as redes sociais estão destruindo a civilização moderna

Lendário roqueiro dispara contra as redes sociais e a cultura do "grito online", enquanto mergulha na controversa origem do heavy metal

29 ago 2026 - 13h52
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Resumo
Roger Daltrey, lendário vocalista do The Who, criticou severamente as redes sociais durante um show, afirmando que elas destroem a civilização ao priorizar egos e curtidas em vez de conexões reais. Além do desabafo comportamental, o cantor concordou com declarações de Ian Paice, do Deep Purple, que apontam o The Who como os verdadeiros pioneiros do heavy metal devido às suas inovações sonoras nos anos 1960, reforçando a influência duradoura e o legado revolucionário da banda no cenário musical.
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Roger Daltrey afirma que as redes sociais estão destruindo a civilização moderna
Roger Daltrey afirma que as redes sociais estão destruindo a civilização moderna
Foto: The Music Journal

Em um movimento que ecoa a atitude rebelde que o tornou um ícone, Roger Daltrey, a voz lendária do The Who, voltou a provocar o debate cultural, desta vez com uma crítica incisiva à era digital. Com décadas de estrada e uma perspectiva forjada em décadas de transformação musical e social, Daltrey não hesitou em apontar o dedo para o que ele percebe como um abismo crescente na comunicação contemporânea.

Durante uma apresentação no Yaamava' Resort Casino, em Los Angeles (EUA), o vocalista utilizou o palco não apenas para entoar clássicos, mas para verbalizar uma profunda preocupação com o impacto das redes sociais.

Segundo relatos do Daily Mail, Daltrey não poupou palavras ao descrever o ambiente online:

"Quando você para para pensar, temos esse novo mundo das redes sociais que parece estar destruindo a civilização. Eu acho. Uma plataforma para todo mundo gritar um com o outro, mas ninguém está ouvindo, porra."

A Solidão na Multidão Digital

A observação de Daltrey vai além do mero desabafo. Ela toca na medula de um fenômeno que molda o comportamento da Geração Z e de influenciadores: a obsessão por likes e a efemeridade das conexões virtuais.

"Todo mundo está gritando. Ah, é? Qual é o problema? E quantos amigos você realmente tem quando pensa 'Nossa, eu tenho um monte de curtidas'? Isso é só o seu ego. Deixa pra lá. Deixa pra lá. Não vale a pena".

A fala culminou em uma reflexão poignantemente pessoal sobre a vida e a morte, questionando a profundidade das relações em um mundo digitalmente saturado.

"Quantos amigos você realmente tem? Nós fizemos uma música uma vez. Quantos amigos você realmente tem? Dá para contar nos dedos de uma mão. Nunca escrevemos uma palavra verdadeira."

A ironia se manifesta quando, após essa explanação, a banda engatou em My Generation, hino de rebeldia juvenil que, de certa forma, ressoa com a busca por identidade e validação, mesmo que em um contexto totalmente diferente.

O Legado do Heavy Metal: Uma Disputa Histórica

Mas as divagações de Daltrey não se restringem ao universo digital. O veterano também se posicionou em uma das mais acaloradas discussões da história do rock: a paternidade do heavy metal. A polêmica ganhou novos contornos quando Ian Paice, baterista do Deep Purple, uma banda frequentemente citada como pioneira, afirmou no podcast Metal Sticks que nem ele nem o Black Sabbath deveriam levar o crédito principal. Para Paice, o título pertence a The Who.

"Ajudamos a criar o que eu chamo de 'a segunda vinda' disso. Todo o resto, a banda que fez isso primeiro - The Who - fez isso antes de todo mundo."

Paice detalhou sua tese, apontando para a inovação sonora e técnica do The Who:

"Eles foram os primeiros a usar amplificadores potentes; foram os primeiros a levar o rock 'n' roll além de simples canções pop bonitinhas. Não vamos esquecer a importância do The Who. Eles simplesmente mudaram tudo para os jovens que queriam fazer algo um pouco mais violento."

Daltrey, por sua vez, ecoou essa perspectiva, reconhecendo o pioneirismo da banda que fundou em Londres em 1964, ao lado de Pete Townshend, John Entwistle e Keith Moon. Em declarações à Rolling Stone, ele ressaltou:

"Éramos simplesmente diferentes de todos os outros. Os americanos não conhecem muito bem o The Who do início dos anos 60, mas como o baterista do Deep Purple [Ian Paice] disse recentemente em uma revista, 'O The Who começou tudo'. Fomos a primeira banda de heavy metal. Jim Marshall inventou o amplificador 4x12 de 100 watts para Pete Townshend.

Toda a destruição de guitarra que tornou Jimi Hendrix famoso, em seu estilo, foi basicamente copiada de Pete Townshend, antes de tudo. E a primeira ópera rock, claro, elevamos o rock a um nível talvez um pouco arrogante, digamos assim. Estávamos fazendo isso antes de qualquer um, mas isso não é importante a longo prazo."

Apesar da aparente vaidade em reivindicar o título, Daltrey minimiza sua importância para o legado da banda, cujos sucessos incluem Pinball Wizard, Baba O'Riley e Won't Get Fooled Again. A discussão, no entanto, sublinha a influência duradoura do The Who, uma banda que perdeu Keith Moon em 1978 e John Entwistle em 2002, mas que continua a desafiar, questionar e moldar o panorama cultural, seja pela música ou pelas palavras afiadas de seu vocalista.

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