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Silva celebra 15 anos de carreira com show inédito 'SILVA CANTA / CANTA SILVA'

Apresentação intimista em São Paulo revisita obras autorais para fãs de longa data

17 ago 2026 - 12h14
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Em 15 anos de carreira, o cantor Silva, Lúcio Silva de Souza, construiu uma trajetória que começou na internet, com uma EP em 2011, e chegou a sete álbuns autorais, Grammys Latinos, turnês nacionais e internacionais e parcerias com grandes nomes da música brasileira. De Claridão (2012) a Rolidei (2026), passando por Vista Pro Mar (2014), Encantado (2024) e o fenômeno do Bloco do Silva, o cantor se consolidou como um dos nomes centrais da MPB contemporânea.

Silva comemora 15 anos de carreira com show intimista SILVA CANTA CANTA SILVA na Casa Natura em São Paulo com repertório revisitado
Silva comemora 15 anos de carreira com show intimista SILVA CANTA CANTA SILVA na Casa Natura em São Paulo com repertório revisitado
Foto: Jorge Bispo / Rolling Stone Brasil

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Para celebrar a data, Silva apresenta SILVA CANTA / CANTA SILVA, um show inédito que revisita o próprio repertório em formato intimista. Em 2 de setembro, na Casa Natura, em São Paulo, ele leva ao palco músicas que não toca desde 2014 e reencontra instrumentos que ficaram de lado.

"Eu tô muito feliz, eu tô numa fase em que eu tô amando tanto tocar ao vivo", diz Silva em entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil. A expectativa para o show é genuína: depois de tanto tempo tocando coisas diferentes, revisitar as próprias canções ganha um peso emocional inesperado.

A ideia nasceu quando Silva percebeu o marco de 15 anos. "Essa coisa de comemoração é engraçada, né? Porque a gente vai fazendo tanta coisa. Você lança um disco, aí, daqui a pouquinho, você tem uma ideia nova… nunca tirei férias", brinca. "Aí quando você fala: 'Pô, vai fazer 15 anos desde que nasceu meu EP', eu tinha que fazer algo especial", continua. Quando começou a ensaiar, veio a surpresa: "Tocar essas músicas de novo… muita coisa que eu não toco desde 2014. Tem coisa que eu nunca mais toquei. E, nessa revisita, eu toquei violino de novo. Fazia muito tempo que eu não tocava — meu violino tava pegando teia de aranha", brinca.

O formato intimista marca uma diferença significativa na relação de Silva com o palco. Depois de anos em shows grandes — com a adrenalina das multidões — voltar a espaços menores é uma escolha consciente. "No show intimista, você consegue ter a resposta do público quase que instantânea, né? Você tá tocando aqui e sabe exatamente se o público gostou ou não", diz. "Tem uma troca de verdade. Parece que a gente tá numa sala de casa tocando junto." O silêncio que cai quando uma nota se sustenta e as pessoas prendem a respiração é algo que shows maiores dificilmente reproduzem. "É uma coisa muito viva que eu gosto muito. Fiquei um tempo sem tocar em teatro, mas agora entendo que preciso dos dois, sabe?"

Sobre a escolha da Casa Natura, o cantor explica: "Nela, você fica pertíssimo do público. Eu já vi show lá como público, já toquei lá algumas vezes. É uma experiência bem legal. Eu adoro esse tamanho de lugar".

E continua: "Foi lá que eu gravei o Silva Canta Marisa, então tem a experiência de ter gravado também. É uma casa que recebe bem. É um projeto que entende os músicos. Acho que vai ser muito emocionante tocar lá".

O processo de escolher as músicas foi delicado. Com 15 anos de catálogo, nem tudo cabe em três horas de show. "Eu ainda tenho vários arrependimentos, inclusive. Também não dá para ficar mudando toda hora, porque todo mundo se prepara, estuda e faz aquilo ficar bonito", reconhece. "Deixei muita coisa de fora que não deu para entrar. Tirei muita coisa e acabei colocando as que mais marcaram de cada disco… coisas que realmente não tinha como não colocar".

No palco, junto com ele, se apresentam Gabriel Ruy (bateria), Hugo Maciel (baixo) e Rômulo Quinelato (guitarra), pessoas fundamentais para o projeto. "Eu sou canceriano, né, então tenho um carinho, um apego com meus músicos. Essa troca é muito importante para o trabalho não ficar frio". Silva conta que conhece o grupo tão bem que passa mais tempo com eles do que com a própria família. "Eu tô há 15 anos fazendo isso. Se não tem esse calor, uma troca legal, não faz sentido. Então eles são meus amigos". Cada um foi escolhido não por necessidade, mas por qualidade e afinidade: "O Gabriel Ruy toca tudo — jazz, samba, rock. O Hugo Maciel é um dos melhores baixistas que eu conheço. E o Rômulo é extremamente dedicado, muito estudioso, com muita referência musical".

Quinze anos de carreira no Brasil ensinaram a Silva lições que poucos artistas têm coragem de compartilhar. Ele começou com um sintetizador emprestado e dez mil reais da tia. Hoje, tem estúdio próprio, vários instrumentos e uma carreira sólida. Mas não foi fácil. "Quando eu olho para trás e vejo o que eu consegui conquistar com o que eu tinha, é quase um milagre", confessa Silva. "Para você fazer música no Brasil, você tem que ter muito amor pela música. Porque vai ter sempre alguém falando: 'Pô, não faz isso, isso não vai fazer sucesso'".

Resiliência é a palavra-chave. "Você tem que ser bem resiliente e bem confiante no que você faz. Amar muito música sobre todas as coisas". O mercado é enorme, mas também é difícil: disputar espaço em rádio e em grandes mídias, lidar com a pressão de entregar o que é popular imediatamente. "Ou você faz uma música muito popular mesmo, aquela que atinge a massa instantaneamente, ou você faz uma música em que você acredita. Às vezes não vai conseguir tantos passos". Ainda assim, o aprendizado é simples: "Se você ama a música de verdade, vai ter um momento em que você vai estar meio em baixa, em que as pessoas não vão estar tão interessadas, mas o seu amor por aquilo segura. Aí vem um outro momento e pode dar uma virada".

O show acontece na quarta, 2 de setembro, na Casa Natura, em São Paulo, em um formato fechado, apenas para fãs e convidados. Quando questionado sobre a possibilidade de transformar a apresentação em uma turnê, com ingressos à venda, Silva prefere deixar as coisas acontecerem: "Eu acho legal, em show, a gente sempre ouvir as pessoas, né? Entender como o público recebe, qual é o grau de atenção que aquele show vai ter", diz. "A princípio, vou fazer um show bem voltado para quem me acompanha desde o começo. E depois vamos ver o que acontece".

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