Rock in Rio: Por que Lobão abandonou palco e xingou público em 1991
Cantor foi hostilizado entre shows do Sepultura e Megadeth, em dia marcado por incidentes violentos; relembre
A noite de 23 de janeiro de 1991 ficou marcada por conta de uma série de incidentes violentos no Rock in Rio, que tiveram como saldo alguns feridos e muitas prisões. E entre dois grupos de metal, o Sepultura e o Megadeth, o escalado para enfrentar o público foi Lobão.
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A segunda edição do Rock in Rio foi a única que não aconteceu na Cidade do Rock. Em seu lugar, o Estádio do Maracanã. O gramado foi adaptado e o público também ocupou as arquibancadas.
Consta que a ideia inicial da organização era colocá-lo no segundo sábado de festival, mas o remanejamento foi um pedido do próprio cantor. Quando subiu ao palco, o clima já não era dos melhores. Conforme consta no Estadão de 25 de janeiro de 1985, o show anterior apresentou algumas falhas técnicas:
"A noite começou cedo com o Sepultura mostrando seu trash em péssimas condições sonoras. A equalização não existia. Max Cavalera acabou a meia hora de show completamente sem voz. Guitarras, alma do rock, seja de que estilo for, mal apareciam nas caixas de som. A embolação era o ponto alto".
Lobão abriu o espetáculo com Vida Louca Vida e, durante a segunda música, pediu aos colegas de banda que parassem de tocar.
"Parou, parou. Escuta aqui: eu sei que tem gente aplaudindo, mas a gente não é palhaço, não, pra ficarem jogando lata nessa p***, nessa m*** aqui! E queria dizer outra coisa pra vocês: vão tratar mal a p*** que os pariu, 'morô'? Vão todos tomar no c***, exceto quem não tá tomando no c***. Vão tomar no c***, seus babacas!", revoltou-se o cantor, deixando o palco.
Na sequência, integrantes da bateria da escola de samba Mangueira, já programados para participar do encerramento da apresentação do artista, entraram no palco e encararam os fãs ávidos por metal com seu samba.
Revoltado nos bastidores do Rock in Rio, Lobão desabafou sobre a produção em uma entrevista à MTV logo após o show. Já em declaração ao oda Viva em 2020, Lobão ressaltou que a escolha do dia em que tocaria partiu dele, mas destacou que, de última hora, a organização do show precisou remanejar o local onde ficariam os percussionistas da Mangueira, o que teria reduzido o tamanho de seu palco e lhe deixado "possesso".
"Um cara me chamou. 'Aqui é da produção, escuta, nós contratamos o Judas Priest e o Guns'N'Roses vai ter que entrar a 1h da manhã. Você vai ter que entrar agora. Só que a gente tirou o palco e botou um outro estrado pra bateria', de quatro metros, que se tornou uma espécie de 'paredão'. Eu fiquei sem a profundidade e sem todo meu refúgio estratégico. Pensei assim: 'Eles vão me sacanear, eu vou fugir e tocar até o final'. E isso não aconteceu porque nós estávamos fisicamente ameaçados", relembrou, destacando que as latas arremessadas pela plateia vinham cheias de areia.
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