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Às vésperas do Rock in Rio, turistas transformam o Rio de Janeiro na capital mundial da música

A expectativa é de que o evento receba 700 mil pessoas nos sete dias de festival — a maior parte vinda de fora do Rio de Janeiro

1 set 2026 - 14h10
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Resumo
O Rock in Rio 2026 reunirá 190 atrações e 700 mil pessoas, consolidando o Rio de Janeiro como polo turístico. Com 66% do público vindo de fora da capital, o evento deve injetar R$ 3,3 bilhões na economia fluminense e gerar cerca de 34 mil empregos. O forte fluxo de turistas, que chegam majoritariamente de ônibus e permanecem por mais dias, impulsiona o comércio, eleva a ocupação hoteleira a picos de 90% e aquece a busca por acomodações em plataformas como o Airbnb durante o mês de setembro.

Elton John, Maroon 5, Foo Fighters, Gilberto Gil, Ivete Sangalo entre tantos outros artistas internacionais e nacionais prometem transformar o Rio de Janeiro na capital mundial da música durante o Rock in Rio 2026.

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São 190 atrações, 45 delas internacionais, divididas pelos sete dias do festival (4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro). A expectativa é de que o evento receba 700 mil pessoas, reforçando sua posição como um dos maiores do planeta.

De acordo com a organização do festival, as vendas de ingressos registram um crescimento de 20% em relação à edição anterior, com 55% dos bilhetes adquiridos por pessoas que vivem fora do estado do Rio de Janeiro. Em 2024, cerca de 420 mil pessoas passaram pela Cidade do Rock, na zona oeste, a maior parte delas vindas de São Paulo e de Minas Gerais.

A expectativa para este ano é ainda maior, sobretudo por conta da cadeia do turismo, que inclui transporte aéreo e rodoviário, hospedagem, alimentação, comércio e serviço. Segundo a organização, pelo menos 100 mil pessoas devem ir, por dia, ao Rock in Rio este ano.

Movimentação do público na Cidade do Rock, durante o Rock in Rio 2024
Movimentação do público na Cidade do Rock, durante o Rock in Rio 2024
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) feito por encomenda para o Rock in Rio, o festival deve movimentar R$ 3,3 bilhões na economia fluminense - uma alta de 5% em relação à edição de 2024 -, considerando os gastos realizados por turistas e moradores ao longo dos dias do evento. O cálculo leva em conta gastos com hospedagem, alimentação, transporte, turismo e outros serviços.

Ainda de acordo com o estudo da FGV, o Rock in Rio deve gerar 33,9 mil empregos, sendo 22,8 mil diretos e 11,1 mil indiretos. A estimativa é de que o faturamento cresça 14% em relação à edição anterior.

Mais da metade desse público previsto (66%) vem de fora do município; ou seja, do interior do estado, de outros estados e mesmo de outros países - um aumento de 20% em relação a 2024, consolidando um novo perfil de público para o festival.

"É um festival com características turísticas", afirmou o diretor de relações institucionais do Rock in Rio, Gustavo Mostof. "Cerca de 49% do público é de fora do estado do Rio e 66% de fora da cidade. É um evento com grandes características turísticas que movimentam a cidade como um todo, não só o entorno da Cidade do Rock."

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O motorista de táxi Victor Hugo da Silva, de 58 anos, que costuma rodar na zona sul, concorda com Mostof.

"A cidade já está cheia de turista desde a semana passada", afirmou. "Gente de outros estados, mas também muitos gringos; eles vêm para o Rock in Rio, mas chegam antes para passear. Para nós, taxistas, é muito bom. As praias estão cheias e também os bares."

Segundo projeção da Rodoviária do Rio, a combinação entre o feriado de 7 de setembro e o festival deve levar cerca de 500 mil passageiros ao terminal entre os dias 3 e 14 de setembro. Levantamento da ClickBus com sua própria base de clientes indica que o transporte rodoviário é o preferido para quem viaja para o Rock in Rio: 77% dos viajantes que se deslocam para o Rio vão de ônibus, contra 19% de avião.

Historicamente, a maior parte do público do festival que chega via Rodoviária do Rio vem de São Paulo, Minas, Espirito Santo e cidades do interior do Rio.

Esse sujeito - que chega de outro estado ou mesmo de outro país - passa alguns dias na cidade, muitas vezes esticando a estadia entre os dois fins de semana do evento, sustenta a ocupação quase plena da hotelaria para setembro e também um crescimento da ocupação do Airbnb. Levantamento da ClickBus mostra que 61% dos visitantes planejam ficar na cidade por pelo menos três dias e apenas 10% fazem bate e volta.

O médico Jorge de Souza, 55 anos, que vive em Florianópolis, já está na cidade para o festival. Ele esteve no primeiro Rock in Rio, em 1985, quando era um adolescente, e, desde então, tenta voltar para todas as edições. Este ano, ele veio com a mulher Flávia, de 53 anos, e o filho Marcelo, de 24 anos.

"O festival para nós é um programa de família; desta vez viemos para ver Elton John", afirmou. "E sempre aproveitamos para passear pelo Rio de Janeiro."

Show de Shawn Mendes no Palco Mundo do Rock in Rio 2024, na zona oeste do Rio de Janeiro.
Show de Shawn Mendes no Palco Mundo do Rock in Rio 2024, na zona oeste do Rio de Janeiro.
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

A projeção de ocupação da rede hoteleira da cidade em setembro é superior a 80%, com picos de mais de 90% durante o período do Rock in Rio. Essas taxas são equivalentes às registradas no fim do ano, durante o período do Réveillon, segundo o presidente da HotéisRio, Alfredo Lopes.

"O Rock in Rio é fundamental para a hotelaria da cidade, e ocorre justamente um mês que não é da alta temporada", afirmou Lopes.

Nos anos em que o festival não acontece, sustentou, a ocupação dos hotéis neste período não passa de 65%.

A diária média dos hotéis para o período do festival está cerca de 20% mais alta do que no mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Hoteis.com.

Dados do Airbnb confirmam a tendência. Segundo a empresa, as buscas por acomodações no Rio de Janeiro durante o período do Rock in Rio aumentaram em quase 25%, em comparação com a última edição do festival em 2024.

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No Brasil, as principais cidades de origem dos hóspedes que buscaram por acomodações na plataforma para as datas do Rock in Rio são: São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR) e Campinas (SP). Internacionalmente, os hóspedes vindos dos Estados Unidos, Argentina, Chile, Colômbia e Alemanha são os que mais devem se deslocar para acompanhar o festival.

Estadão
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