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Carol Biazin fala à Rolling Stone Brasil sobre o novo EP, 'assumo os riscos', e show no Rock in Rio 2026: 'Sou uma rockstar!'

Cantora lançou o projeto na quarta, 26, e se apresenta no festival em 13 de setembro

31 ago 2026 - 16h13
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Resumo
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Carol Biazin celebrou o lançamento do EP "assumo os riscos", projeto que marca a despedida da era de seu aclamado álbum "No Escuro, Quem É Você?". A cantora detalhou o processo criativo, o alívio de finalizar o trabalho e a expectativa para sua apresentação no Rock in Rio 2026. Para o festival, ela prepara uma performance enérgica com estética rockstar, palco mutável, banda completa com 13 músicos e a participação especial de Joyce Alane no repertório.
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Desde o lançamento de No Escuro, Quem É Você?, Carol Biazin não parou. O álbum duplo abriu portas que a cantora ainda processa: indicação ao Grammy Latino, apresentação no Carnegie Hall, em Nova York, convite para integrar o projeto global Bershka Music, turnês por todas as regiões do Brasil e passagem pelo Rock in Rio Lisboa. Na quarta-feira (26), ela lançou o EP assumo os riscos e, poucas semanas depois, em 13 de setembro, sobe ao palco do Rock in Rio 2026 com uma banda de 13 músicos e Joyce Alane como convidada especial.

Carol Biazin lança o EP assumo os riscos e se prepara para show no Rock in Rio 2026 com banda de 13 músicos e Joyce Alane
Carol Biazin lança o EP assumo os riscos e se prepara para show no Rock in Rio 2026 com banda de 13 músicos e Joyce Alane
Foto: Wallace Domingues / Rolling Stone Brasil

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Em entrevista à Rolling Stone Brasil, realizada um dia antes do lançamento, Carol descreve o sentimento de colocar assumo os riscos no mundo: "É um sentimento de alívio, até mais que ansiedade, porque tá pronto, sabe?", ela explica. O processo de preparar a EP foi exaustivo até o final. "O processo é sempre tão bom, tem partes muito boas, mas chega um momento em que você tá ali, tipo assim, ouvindo a mesma coisa, já caçando defeito; e aí você fica assim: 'Eu não aguento mais ouvir essa música. Eu preciso que ela saia para eu voltar a ouvir, aproveitando'". Agora que a EP está lançada, esse peso desaparece.

Carol é direta, questiona tudo, e não segura o que pensa. Quando fala de seu trabalho, deixa claro que a regra é não ser previsível. E quando o assunto é o palco, ela resume tudo em uma frase: não é sobre fazer um show perfeito, é sobre estar inteiro. Confira a entrevista completa.

EP assumo os riscos

Como está a ansiedade para o lançamento da EP, que sai amanhã? Falta menos de um dia. Como você está se sentindo?

Pior que eu tô bem, sabe? Acho que tem tanta coisa na minha cabeça ao mesmo tempo — principalmente o Rock in Rio — que o lançamento fica no meio de outras coisas também, né? Talvez eu não esteja pensando muito; eu só tô seguindo. Deixei tudo pronto para sair do jeito que a gente imaginou.

Amanhã sai a EP e depois também sai o clipe, e eu tô super ansiosa para as pessoas assistirem. Eu fico mais nessa pira de saber se a galera vai gostar. Mas eu tô segura do que eu construí. Pelo menos eu gostei. Eu falei: "Se vocês não gostarem…" (risos) Não, brincadeira — mas é isso: tô ansiosa para saber o que as pessoas vão achar.

Qual o sentimento que vem ao lançar uma EP? É mais alívio? Você falou de ansiedade? Uma mistura dos dois?

Acho que é tudo um pouco, né? Mas eu diria que é mais alívio do que ansiedade. Porque tá pronto, sabe? Nossa, o processo é sempre tão… Eu não diria caótico, é bom tem partes muito boas, mas chega um momento em que você tá ouvindo a mesma coisa, caçando defeito. Aí você fica: "Eu não aguento mais ouvir essa música; eu preciso que ela saia para eu voltar a ouvir aproveitando". Porque eu só tô nessa função.

Eu sou muito chata e fico indo e voltando na mesma faixa. Para mim, é sempre muito suado, sabe, o processo. Nunca é uma coisa tipo: "Vai, fizemos, olha que leve. Em um dia saímos com a música". Isso nunca aconteceu comigo, então, é um alívio sair e eu finalmente ter dado o OK. Tipo: "Graças a Deus, eu falei: gostei".

Agora eu queria perguntar do nome do projeto, assumo os riscos. Quais riscos específicos você sente que está assumindo agora?

Eu acho que é um projeto que, primeiro, comunica essa despedida de uma era, uma era que foi muito importante pra mim, me levou pra tantos lugares novos e me fez alçar novos voos. Eu acho que existe uma linha, uma régua, em que colocam uma barra do tipo: ou você tem que ser isso aqui, ou você precisa ser mais do que isso. E essa é a minha régua, tá? Não é a régua das pessoas. É a minha.

E eu acho que o primeiro risco que eu decidi tomar foi realmente assumir essa vontade de fazer algo com que eu pudesse me despedir, aos poucos, de uma era que foi tão importante pra mim e pra outras pessoas que amam No Escuro, Quem É Você?. Então, eu acho que esse é o risco número um.

Não é o fim dessas músicas, porque elas vão me acompanhar eternamente, mas é o fim de uma era, de fato. É uma era que, pra mim, tá doendo dar tchau, porque eu gosto muito dela e eu ainda me enxergo muito nela até hoje.

Mas eu acho que a EP traz exatamente isso: naturalmente, eu já tava me despedindo em algumas músicas antes de eu assumir o fato de fazer uma EP. E aí eu falei: "Cara, eu acho que eu preciso fazer isso. Eu preciso criar um projeto que dê adeus e que celebre o No Escuro, Quem É Você? também".

E aí veio essa ideia do assumo os riscos, que, na verdade, veio através do nome de uma faixa — a última faixa da EP — que eu acho que é a grande conclusão do que eu canto na EP toda. Ela vem pra fechar.

Assumir os riscos parece bobo, né? Mas é a gente se entregar na vida, se permitir. Eu acho até uma resposta pro próprio No Escuro, Quem É Você?, de forma indireta, porque ele é cheio de perguntas, cheio de questionamentos que nunca foram respondidos por mim — ou talvez até pelas pessoas que escutam — porque são perguntas que eu acho que não têm resposta. Talvez a gente nunca vá ter.

Mas, indiretamente, eu acredito que assumo os riscos vem pra isso: assumir os riscos de você se entregar mesmo, de viver coisas que você merece viver, de acreditar que você consegue chegar em lugares — tendo vindo de lá, sendo uma menina do interior.

É isso que eu acabo expressando dentro desse projeto como um todo: tá me permitindo chegar em novos lugares também. Porque eu acho que você vive uma coisa e acaba se acostumando com aquilo; e, com tudo que o No Escuro, Quem É Você? me proporcionou, se desapegar disso é muito difícil, né? Se desapegar dessa história, poder descansar e poder seguir pra uma próxima coisa no futuro também. Então, são uns entrecaminhos ali que assumo os riscos me proporcionou — caminhos desconhecidos, completamente desconhecidos.

Você chegou a dizer que essa EP foi pensada para os fãs. Como esse "pensado pra eles" aparece no processo criativo, de forma concreta?

Eu acho que é muito da minha forma de trabalhar. Eu sempre pensei muito neles em primeiro plano. Antes de pensar em fazer, sei lá, "eu preciso de uma música pra hitar" ou qualquer outra coisa do tipo, isso nunca foi o meu foco, de fato. Sempre foi muito mais voltado pra esse lugar.

E, até pelas minhas experiências de vida, pela forma como eu escrevo e como eles se identificam comigo… eu acho que é isso. Eu devo a eles esse lugar também. Eu sinto essa necessidade de continuar expressando os meus sentimentos. Eu acho que, quanto mais verdadeira eu for comigo mesma, mais eu vou gerar uma sensação de pertencimento pra quem me consome, me escuta e me segue.

Então, quando eu falo desse lugar dos fãs, não é uma busca de ir pro estúdio e escrever uma música extremamente "voltada pra eles", pensando no que eles esperam de mim. Eu faço exatamente, talvez, o que as pessoas nunca esperam de mim. E eu acho que é isso que acaba gerando essa coisa, esse gostar deles — por isso que eles gostam de mim, talvez, por eu talvez não ser tão previsível. Eu acho que eu sempre tô fazendo coisas diferentes. Tipo: "Vou fazer agora um EP pra me despedir do álbum que eu fiz". Aí eu invento o moda.

Quando eu falo que eu penso neles, é nesse sentido: sempre inventando. Me permitir ser bem verdadeira o tempo todo é o que acaba gerando esse presente pros fãs. Eu tô sendo bem eu, ali, do jeito que eles gostam.

A faixa "BH" ficou de fora do álbum e aparece agora na EP. O que essa música tem que você não conseguiu descartar — ou se desfazer dela — para ela voltar agora?

Puts, essa música me perseguiu, sabia?

Na época em que eu fiz "BH", a gente tinha acabado de fazer "Dilemas da Vida Moderna", que é a faixa que a gente tem no No Escuro, Quem É Você?. Eu já tinha aquela música, só que ela tava com outra produção, outra vibe, e eu não conseguia me enxergar. Mas eu amava a letra, eu amava a energia, só que a produção não tava batendo; não era eu.

Aí a gente começou a mudar a bateria, as harmonias… mudou da água pro vinho. E foi o processo de eu me desfazer daquilo que eu já conhecia dela e me readequar à nova sonoridade.

Quando eu vi, eu larguei mão dela. Deixei parada um tempo; depois que eu mexi, fui fazer outras músicas.

Quando eu ouvi ela num todo, eu falei: "Essa música é single demais, velho. Ela vai ter que puxar". E que bom que ela não tava no No Escuro, Quem É Você?, porque eu não teria esse single do tamanho que ela é. Eu acho que eu já tava em outra etapa de composição depois do No Escuro, e que bom que sobrou essa gordura de lá.

Ela veio perfeitamente dentro de uma sonoridade atual, já do assumo os riscos, mas ela é um resquício do No Escuro, Quem É Você?. Quando as pessoas ouvirem, vão entender.

Indiscutivelmente, eu acho que ela é um hit mesmo, viu? Vou assumir pra você: eu acho que ela é um hit.

Rock in Rio 2026

Vamos falar do Rock in Rio. Quando bateram o martelo e foi oficializado que você ia tocar no festival, caiu a ficha primeiro pra Carol CPF ou pra Carol CNPJ?

Pra nenhuma das duas! (risos) Eu fiquei completamente em choque.

Quando vieram me dar a notícia, eu lembro que eu falei: "Gente, mas e aí? Como é que a gente faz o show do nada? O que a gente vai levar pra esse show?". Eu já comecei a me questionar e me cobrar.

E aí falaram: "Carol, você entendeu a notícia que você acabou de receber?" Eu falei: "Sim, eu entendi, mas como é que é isso e isso e aquilo?". Eu sou assim pra tudo — eu questiono tudo, adoro questionar.

Eu demorei, acho que papo de um mês. Eu já sabia, óbvio, que eu ia fazer — eu não tava doida — mas eu não tava entendendo a magnitude. Eu demorei a entender o tamanho.

Eu acho que eu tava tão preocupada em: "Cara, é Rock in Rio; eu preciso entregar", que eu não parei pra entender o tamanho da coisa emocionalmente. Eu entendia em números, mas não entendia o peso que isso trouxe pra mim depois.

Com o tempo, foi caindo a ficha; e a minha equipe foi me contagiando também. A galera tava tipo: "Fazer Rock in Rio!", e eu, por dentro, surtando: "Puta que pariu, agora eu vou ter que fazer — porque as pessoas acreditam que eu sou capaz — e agora eu vou ter que provar". Foi bem essa energia.

Como é montar uma setlist pra tocar num festival desse tamanho? Ela está definida já?

Nossa, já tá definida.

No dia que eu descobri, foi a primeira coisa que eu fiz. Foi um desafio, porque o repertório já é grande: o No Escuro, Quem É Você? e, além dele, eu tenho outras coisas lançadas.

Então, eu tive que fazer essas músicas caberem dentro da estética da era do No Escuro, mas também dentro do tempo de 55 minutos. A gente precisa encaixar tudo o que foi vivido nesse período e todos esses formatos de shows diferentes.

A gente teve a ideia de ter um palco que modula no meio do show: ele entra de um jeito, depois entram mais peças de um quebra-cabeça que vai se formando e vai mudando a curva do show, a intensidade, o tom.

É bem desafiador. A parte mais tensa é montar, de fato. Por isso, foi a primeira coisa que eu sentei pra fazer, porque, sem a setlist, nada anda: não anda palco, não anda luz, não anda figurino, não anda banda, não anda nada.

Então, a primeira coisa que eu fiz foi definir a ordem do que eu queria comunicar para as pessoas. E eu acho que eu cheguei num bom lugar.

E você se apresentou no Rock In Rio Lisboa 2026. Como foi a experiência de tocar lá e o que você aprendeu que vai usar aqui?

O Rock In Rio Lisboa foi incrível! Eu tive a experiência de a Joyce ter ido junto, né — separados, mas a gente já teve ali uma experiência. Ela tocou com a minha banda lá; a banda dela não foi, e a minha banda entendeu algumas coisas dela ali.

É um som muito diferente, porque a minha banda toca muito com distorção, bateria quebrada e tal… é uma coisa meio rockstar, né? No ao vivo, eu me considero uma rockstar — eu saio um pouco do pop e vou pra esse lugar. E ela é uma menina com várias rítmicas, né, que vêm desse lugar onde ela cresceu, de Recife. Então, traz coisas novas. Foi muito legal porque a gente pôde ter esse gostinho da minha banda trazendo a linguagem deles, mas também agregando a dela; e agora a gente podendo fazer esse Rock in Rio juntas.

E a gente poder fazer um show em outro país, atravessando o oceano, numa cultura que — por mais que a gente fale parecido — é muito diferente da nossa… Tem aquela coisa: "Será que vai ter alguém aqui pra me ver?". Eu e a Joyce ficávamos em choque.

Eu já tinha tido a experiência de tocar em Lisboa uma vez — um show próprio — pra umas 600 pessoas. Eu falei: "Bom, algumas dessas pessoas vão estar lá". E eu lembro que, quando eu fui entrar, começaram a falar no meu ouvido: "Carol, tá cheio, velho". Eu pensei: "Ah, você tá me zoando só pra eu entrar com mais coragem". Aí falaram: "Não, mano, tá bem cheio. Você vai ficar em choque".

E eu entrei e vi aquele monte de gente — e muitas pessoas não só brasileiras, mas muitas pessoas de lá, de fato, que se interessaram pelo meu jeito de cantar, meu jeito de falar, de me posicionar. É muito gratificante.

Eu acho que foi um chefão que eu passei, sabe? Foi o primeiro; agora tem o próximo.

Para encerrar, como qualquer outro festival, o Rock in Rio tem um público muito diverso. Tem gente que provavelmente nunca ouviu você falar, nunca ouviu nenhuma música sua. Como você pretende chamar a atenção dessa galera também, além dos seus fãs?

Eu acho que, primeiro de tudo, eu foquei muito — e sempre, como prioridade — na parte musical. Vai ser uma banda de 13 músicos. Os arranjos estão muito cheios, é um show muito pra cima. É show de festival.

E eu não seguro muito doce, não. Eu já começo logo de cara mandando as brabas, a música que tá tocando na novela, a gente já toca. Vamos que vamos.

Ao mesmo tempo, pensando muito na linguagem do álbum, na narrativa do que o palco tá comunicando, do que o telão tá comunicando, da história que a gente tá contando. Eu acho que todo show é uma história.

Mas a primeira coisa que eu posso dizer de como eu posso convencer alguém a me ouvir é… é no ao vivo, cara. É pegando a guitarra e tocando, é se jogando no chão, é batendo o cabelo. Eu acho que é assim que eu convenço as pessoas a gostarem de mim.

Então vai ter muito isso lá no dia do Rock in Rio. E é uma banda perfeita. Eles tocam muito. A gente não tem medo de mudar as músicas pro ao vivo. Não vai ser um show de pendrive, vai ser um showzão. Vai ser massa.

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