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Robyn conta histórias diretas de liberdade adulta em 'Sexistential'

A superestrela do pop dançante prova que deixou todos os seus "GAFs" para trás em um álbum profundamente satisfatório sobre desejo, maternidade e ir para a pista

24 mar 2026 - 09h54
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Robyn já viveu tantas vidas. A adolescente sueca do teen-pop que explodiu mundialmente nos anos 1990. A autora rebelde da pista de dança que seguiu o próprio caminho nos anos 2000. A misteriosa heroína cult. O ícone LGBTQ+. A rainha do pop. A poeta da disco que fez por saltos agulha e garrafas quebradas o que Stevie Nicks fez por deslizamentos de terra.

Foto: Kyle Gustafson para The Washington Post via Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Mas, hoje em dia, Robyn está mais animada com as vidas que ainda tem pela frente. Ela volta com seu primeiro álbum em oito anos, Sexistential (lança na sexta-feira) e, como dá para imaginar pelo excelente título, ela não está exatamente fazendo charme. Ela está com sexo na cabeça, do tipo adulto, com os hormônios de meia-idade em ebulição. Como ela se gaba: "Meu corpo é uma nave espacial, com os ovários em hipervelocidade".

Robyn tem um mistério atemporal como ninguém mais na música: sempre a pessoa adulta na sala, inspirando um tipo raro de admiração em um gênero onde a novidade costuma mandar. Parte do fascínio dela é a forma confiante como ela espera entre um álbum e outro: Sexistential é o primeiro desde Honey (2018), que por sua vez foi o primeiro desde a trilogia clássica Body Talk (2010), o álbum que deu ao mundo "Dancing on My Own". Ela prefere esperar até ter uma declaração pessoal para fazer.

Sexistential mira direto a pista de dança, na linha do fantástico single de novembro "Dopamine". Ela traz uma perspectiva adulta gloriosamente sem pedir desculpas: essa mulher deixou seus "GAFs" no século passado. Ela relata a vida aos 40 e poucos, com histórias diretas de desejo de meia-idade, maternidade solo e ir para a balada como uma adulta independente.

https://www.youtube.com/watch?v=vitil9qMN6A

A faixa-título é um verdadeiro manifesto: Robyn rima sobre se arrumar para cair na noite e ficar com amantes aleatórios, enquanto acontece de estar grávida por fertilização in vitro. Quando o médico da clínica de fertilidade pergunta sobre o doador de esperma ideal, ela admite: "Adam Driver sempre me deu uma certa tesão". (o médico o confunde com Adam Sandler.) Ela escreveu a música depois de André 3000 dizer que passou a tocar flauta de jazz porque achava que ninguém queria ouvi-lo rimar sobre fazer uma colonoscopia. Mas é exatamente esse tipo de realidade adulta que ela busca neste álbum. Como ela implora: "Foda-se um aplicativo, eu preciso de algo na vida real".

Ela coproduziu Sexistential com o colaborador de longa data Klas Åhlund e se reuniu novamente com o velho amigo Max Martin — os dois basicamente cresceram juntos, já que ele produziu os hits suecos de pop dela nos anos 1990. Eles cocomposeram dois destaques do álbum: o convite de sexo por telefone "Talk to Me" e a sensível "Into the Sun".

Honey foi o comedown introspectivo dela, um álbum de melancolia madrugada adentro em que ela remoía dores de amor. Desta vez, ela está mais brincalhona, após o fim de um relacionamento de longo prazo. Não desde Leonard Cohen alguém fez poesia assim a partir da libido de meia-idade à caça, correndo atrás de dinheiro e carne.

"Really Real" define o tom, abrindo o álbum com um retrato synth-pop agridoce de dois amantes se separando. Robyn foca no momento exato em que ela deixa de amar: na cama, onde está "presa sob seu edredom/Você está no meio da performance, eu estou planejando minha fuga", e é um começo adequado para um álbum em que fogos de artifício sexuais e crises filosóficas podem explodir lado a lado.

Em um dos momentos mais comoventes, ela revisita o single de 2002 "Blow My Mind", reinventando-o como uma canção de amor vaporwave para o filho. Quando ela fez "Blow My Mind" pela primeira vez, era puro swagger electroclash e guitarra alta, enquanto ela avançava sobre a nova conquista. Mas agora ela se derrete para seu filho de três anos: "Só me deixa apertar seu rostinho delicioso". Ela transita por extremos emocionais ao longo dessas músicas, movida por diferentes tipos de desejo. Ao longo de Sexistential, ela faz um balanço dos destroços emocionais do passado. Mas soa eufórica com a liberdade conquistada a duras penas de aprender a deixar isso para trás. Ela sente tanto carinho por todas as Robyns jovens que já foi. Mas a emoção está no compromisso com o agora e com as novas Robyns que ainda tem no futuro. E, em Sexistential, ela parece pronta para deixar todas elas irem para a pista de dança.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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