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Ray-Ban: crise de gerdeiros ameaça império de R$ 237 bilhões

A saga da família Del Vecchio e a possível desintegração de um patrimônio de €40 bilhões.

5 ago 2026 - 16h01
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Ray-Ban: crise de gerdeiros ameaça império de R$ 237 bilhões
Ray-Ban: crise de gerdeiros ameaça império de R$ 237 bilhões
Foto: The Music Journal

A Itália, berço de inúmeras dinastias empresariais, assiste perplexa a mais um drama de sucessão que ameaça desmantelar um dos maiores legados corporativos do país. O império de óculos da EssilorLuxottica, lar de marcas icônicas como Ray-Ban, e o mais antigo banco do mundo, Banca Monte dei Paschi di Siena SpA, estão no centro de uma tempestade familiar.

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De acordo com informações da Bloomberg publicadas na InfoMoney, a fortuna de mais de 40 bilhões de euros (cerca de R$ 237 bilhões no câmbio atual), construída com maestria por Leonardo Del Vecchio, agora oscila perigosamente devido a desavenças entre seus herdeiros.

O cenário é de profunda incerteza, com a holding familiar Delfin Sarl, principal acionista dessas gigantes, imersa em uma crise de governança que já fez as ações da EssilorLuxottica despencarem 49% de seu pico.

O patriarca, ao planejar sua sucessão, dividiu sua vasta riqueza entre oito herdeiros e confiou a gestão a um círculo de conselheiros de longa data. Contudo, ele não antecipou os quatro anos de intensas disputas que se seguiram à sua morte, nem a complexidade de gerenciar múltiplos bilionários com visões e interesses divergentes.

Entre os protagonistas dessa saga está Leonardo Maria Del Vecchio, empresário e DJ, conhecido por receber nomes como 50 Cent e French Montana em suas casas noturnas Twiga, que tentou, sem sucesso, resolver o impasse familiar.

O Preço da Discórdia

A discórdia familiar não é apenas um espetáculo para a mídia; ela tem repercussões concretas no mercado.

A decisão de Del Vecchio de colocar todos os herdeiros em pé de igualdade, apesar das grandes diferenças de idade e interesses, é vista, em retrospecto, como um erro fundamental, criando um terreno fértil para desentendimentos.

No início do ano, uma tentativa de conciliação tomou forma quando Leonardo Maria propôs a compra das participações de dois irmãos, Luca e Paola, por 10 bilhões de euros. O plano, que lhe daria 37,5% da empresa familiar e facilitaria a conclusão do inventário, foi aprovado inicialmente, mas desmoronou rapidamente.

em óculos inteligentes com IA, complicou a captação de recursos, reduzindo o valor dos ativos da Delfin. Além disso, a inclusão de 1 bilhão de euros da dívida existente de Leonardo Maria no pacote e a relutância do conselho da Delfin em garantir a transação em caso de inadimplência selaram o destino da proposta.

Novas Estratégias e Desafios

Diante do revés, Leonardo Maria Del Vecchio, de 31 anos, reagrupou-se, reestruturando sua LMDV Capital e buscando um refinanciamento de 1,1 bilhão de euros com a Apollo Global Management Inc. Há discussões para expandir essa linha de crédito para 10 bilhões de euros, o que lhe daria liquidez para futuras manobras. Paralelamente, outra ideia ganha força: separar as participações em óculos das ações bancárias e de seguros, que poderiam ser vendidas para injetar capital nos membros da família ou reorganizar a Delfin.

Essa abordagem alternativa, proposta por Rocco Basilico, meio-irmão de Leonardo Maria, enfrenta resistência interna. A venda de investimentos financeiros da Delfin é vista com cautela, especialmente em um momento de consolidação no setor bancário italiano. A família busca agora um consultor externo experiente para mediar e encontrar um consenso.

O Legado em Risco

A influência da Delfin se estende por toda a economia e política italiana, com participações significativas em seguradoras como Assicurazioni Generali SpA, e bancos como Unicredit SpA e o Monte Paschi. A complexidade do testamento de Del Vecchio, que deu a cada um dos oito herdeiros 12,5% da Delfin, mas não designou um líder claro, criou um vácuo de poder.

A exigência de quase unanimidade para decisões cruciais transformou-se em um "poder de veto" para qualquer um dos herdeiros, como observa Alessandro Minichilli, professor da Universidade Bocconi.

A saga dos Del Vecchio é um espelho de outras disputas de herança que cativam a Itália, como o embate na família Agnelli, fundadora da Fiat. As restrições à venda de participações individuais, impostas para manter a união da família, e o limite de dividendos de 10% do lucro da Delfin, são obstáculos significativos.

A proposta de suspender a regra de dividendos, crucial para o plano de Leonardo Maria, falhou em obter apoio suficiente em uma assembleia recente.

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