Phoebe Waller-Bridge doa apartamento em Londres para ajudar roteiristas iniciantes
Criadora de Fleabag comprou imóvel para integrar iniciativa que busca combater barreiras de classe na indústria teatral britânica
A atriz e roteirista Phoebe Waller-Bridge doou um apartamento em Londres e fez uma contribuição financeira para o Writers' Block, projeto que visa combater a desigualdade social na indústria cultural britânica. A iniciativa, apoiada por nomes como Jack Thorne e Peter Morgan, oferece moradia acessível ou isenta de aluguel a dramaturgos em início de carreira e de baixa renda, reduzindo barreiras econômicas para que talentos vulneráveis possam se estabelecer e produzir na capital.
Phoebe Waller-Bridge, criadora e protagonista da premiada série Fleabag, doou um apartamento em Londres para ajudar roteiristas em início de carreira a viver na capital britânica. A iniciativa faz parte do Writers' Block, um novo projeto que busca combater as desigualdades sociais e econômicas no teatro e facilitar o acesso de profissionais de origens menos privilegiadas à indústria cultural.
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A propriedade foi comprada pela própria Waller-Bridge especificamente para o programa e será disponibilizada a escritores de famílias e comunidades em situação de vulnerabilidade econômica. Os beneficiados poderão morar no imóvel pagando apenas as contas, sem precisar arcar com aluguel. Além da doação do apartamento, a artista também realizou uma contribuição financeira considerada generosa pelos organizadores.
A iniciativa conta ainda com o apoio de outros nomes conhecidos do entretenimento britânico, incluindo Jack Thorne, roteirista e cocriador da série Adolescência e autor da peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. Ele também contribuiu financeiramente para o projeto e destacou como a falta de condições de moradia pode impedir que novos profissionais desenvolvam suas carreiras.
"Tive sorte quando comecei, porque meu irmão morava em Croydon e pôde me receber. Ele fez isso de maneira bastante generosa durante cinco anos, até que me mudei para Luton e ele finalmente teve um pouco de paz", brincou Thorne.
O roteirista também ressaltou que a necessidade de garantir um teto pode tornar praticamente impossível a dedicação à escrita. "Se queremos histórias sobre o nosso mundo complexo, precisamos de escritores de todas as origens contando essas histórias. Se você vem de uma família privilegiada, seu maior problema é descobrir o que colocar em uma página. Se não vem, boa parte da sua luta está relacionada à necessidade de sobreviver", afirmou.
Entre os outros apoiadores estão James Graham, dramaturgo e roteirista responsável por peças como Ink, Quiz e Dear England; Sally Wainwright, criadora de Happy Valley; Peter Morgan, responsável por The Crown; e o cineasta Martin McDonagh, parceiro de Waller-Bridge e diretor de filmes como Os Banshees de Inisherin e Três Anúncios Para um Crime.
A iniciativa surge em um cenário de desigualdade na indústria criativa do Reino Unido. Uma pesquisa realizada pelo Sutton Trust em parceria com o Creative Industries Policy and Evidence Centre apontou que apenas 16% dos profissionais que trabalham nas indústrias criativas britânicas vêm de famílias da classe trabalhadora. O levantamento também identificou que o desequilíbrio de classe no setor é mais acentuado do que em qualquer outra área profissional.
James Graham chamou atenção para a falta de avanços na representatividade social dentro do entretenimento. "A busca urgente da indústria por representatividade continua deixando de lado a maior área de sub-representação de todas: a classe social", declarou.
Ele também relembrou as dificuldades enfrentadas no início da carreira, quando precisou dormir no chão de amigos e trabalhar em bares e centrais de atendimento telefônico enquanto escrevia. Para o dramaturgo, oferecer acomodação a profissionais que estão começando pode evitar que talentos desistam de suas trajetórias por falta de condições financeiras.
O Writers' Block nasceu a partir do Adopt a Playwright Award, projeto criado em 2008 por Sofie Mason e Diana Jervis-Read para oferecer hospedagem acessível a escritores que precisam estar em Londres para reuniões, ensaios, apresentações e outras oportunidades profissionais.
Além do apartamento doado por Waller-Bridge, o programa convida moradores da capital britânica a disponibilizar quartos vagos por valores reduzidos. As diárias são limitadas a 30 libras (cerca de R$ 220), enquanto as estadias mensais não podem ultrapassar 500 libras (aproximadamente R$ 3,7 mil), considerando a conversão aproximada.
Até o momento, a iniciativa conseguiu reunir 15 residências e ajudar 12 escritores a encontrar acomodação, desde hospedagens de apenas uma noite até estadias de períodos mais longos. Os organizadores também esperam atrair pessoas mais velhas que vivem sozinhas e que poderiam se beneficiar da companhia de novos moradores, além de receber uma renda extra, mas não se sentem confortáveis em anunciar quartos disponíveis para desconhecidos.
Fonte: The Guardian
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