Peppino di Capri, ícone da música italiana e voz de 'Champagne', morre aos 86 anos
Cantor e pianista nascido na ilha de Capri vendeu 35 milhões de discos em quase sete décadas de carreira, venceu o Festival de Sanremo duas vezes e chegou a dividir o palco com os Beatles
A ilha de Capri perdeu, neste sábado, 11, o artista que levou seu nome ao mundo. Peppino di Capri, um dos maiores nomes da música popular italiana do século 20, morreu aos 86 anos em Villa Castiglione, na mesma ilha onde nasceu e viveu até o fim. Segundo o jornal napolitano Il Mattino, o cantor enfrentava uma longa doença. A notícia foi confirmada em sua própria rede social, acompanhada de uma foto e de uma legenda simples: "Tchau, Peppino".
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Nascido Giuseppe Faiella em 27 de julho de 1939, completaria 87 anos no próximo mês. Os primeiros passos na música aconteceram cedo — muito cedo: aos quatro anos, em 1943, ainda em plena Segunda Guerra Mundial, tocou piano para soldados americanos estacionados na ilha. Anos depois, em 1958, adotou o nome artístico ao lado de sua banda, os Rockers, e logo emplacou o primeiro sucesso.
Ao longo de quase sete décadas de carreira, gravou 54 álbuns e vendeu 35 milhões de discos, uma das trajetórias mais longas e consistentes da música italiana. Canções como "Champagne", "Roberta", "Luna Caprese" e "Il Sognatore" entraram definitivamente na memória coletiva do país. "Roberta", em particular, teria impulsionado uma onda de registros com esse nome na Itália.
No Festival de Sanremo, principal concurso de música popular do país e um dos eventos culturais mais assistidos da televisão italiana, Peppino di Capri participou de 15 edições ao longo de quase quatro décadas e venceu duas vezes: em 1973, com "Un Grande Amore e Niente Più", e em 1976, com "Non Lo Faccio Più". Em 2023, foi homenageado no palco do Teatro Ariston com um prêmio pelo conjunto da obra e recebeu uma dupla ovação de pé. "Fazia tempo que eu esperava esse momento, finalmente chegou... Antes tarde do que nunca", brincou na ocasião.
Um dos episódios mais marcantes de sua trajetória ocorreu em junho de 1965, quando se tornou o único cantor italiano a se apresentar como atração de abertura dos Beatles durante a turnê da banda pela Itália, com shows em Milão, Gênova e Roma. O artista também foi o primeiro a fazer sucesso com um twist, dança derivada do rock and roll, no início dos anos 1960.
Peppino di Capri deixa três filhos: Igor, do primeiro casamento com Roberta Stoppa, e Edoardo e Dario, do casamento com Giuliana Gagliardi, morta em 2019. O funeral será realizado neste domingo, 12, às 17h, na antiga Catedral de Santo Stefano, na praça central de Capri, a mesma ilha que lhe deu o nome artístico, abrigou toda a sua vida e agora se despede dele.
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