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O trabalho dos Beatles que George Harrison admitia não gostar

Disco e documentário lançados em 1970 mostraram rachaduras internas na banda e incomodaram o saudoso guitarrista, que chegou a abandonar as gravações na época

6 jul 2026 - 20h28
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A trajetória dos Beatles é repleta de obras-primas que moldaram a história da música, mas os bastidores por trás dessas criações nem sempre eram harmoniosos. Sobretudo na reta final da trajetória dos Fab Four, o clima tenso entre os quatro membros imperava.

George Harrison em 1971
George Harrison em 1971
Foto: Tim Boxer / Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Um exemplo claro disso é o projeto Let It Be, que rendeu um álbum e um documentário, ambos de 1970. Embora traga faixas icônicas e seja adorado por milhões de fãs ao redor do mundo, o disco era alvo de desagrado por parte de um dos integrantes do quarteto de Liverpool, em especial: George Harrison,

O guitarrista nunca escondeu seu incômodo com o projeto e, ao longo dos anos, chegou a admitir abertamente que simplesmente não gostava do trabalho final, recusando-se terminantemente a revisitá-lo ou a celebrar aquele período de sua carreira.

https://open.spotify.com/album/0jTGHV5xqHPvEcwL8f6YU5

Beatles e os problemas de 'Let It Be'

Para entender o desprezo de Harrison por Let It Be, é preciso voltar a janeiro de 1969, quando a banda se reuniu nos estúdios de Twickenham para as sessões de gravação inicialmente batizadas de Get Back. A ideia original era registrar o processo de criação de um álbum "cru", sem os truques de produção que marcaram seus discos anteriores, culminando em uma grande apresentação ao vivo.

O tiro saiu pela culatra. As filmagens das sessões capturaram um ambiente desgastante, marcado por disputas de ego e uma forte sensação de apatia. Para Harrison, o clima estava pesado e sufocante, especialmente por se sentir constantemente podado artisticamente, principalmente por Paul McCartney.

A tensão foi tanta que, em 10 de janeiro de 1969, após um desentendimento, George simplesmente arrumou suas coisas, abandonou o estúdio e largou o grupo. Embora tenha retornado dias depois após algumas concessões — como a mudança para os estúdios da Apple e a inclusão do tecladista Billy Preston no trabalho —, a ferida parece nunca ter cicatrizado totalmente.

O que dizia George Harrison

Em entrevista de 1987 ao programa de televisão Entertainment Tonight (via Far Out Magazine), o saudoso músico afirmou:

"Let It Be deveria ser, na verdade, apenas nós ensaiando para gravar um disco; eles estavam filmando os ensaios, e isso acabou virando o filme. Há cenas nele — como a do terraço — que foram muito boas, e alguns trechos que até que são legais, mas a maior parte simplesmente me irrita tanto que não consigo assistir."

Não só o processo de criação do álbum, mas as gravações em vídeo perturbaram George Harrison, que continuou reclamando dessa ideia mesmo depois de décadas:

"Já era ruim o suficiente passar por isso; imagine então ser filmado e gravado, de modo que você tenha de assistir àquilo pelo resto da vida. Eu não gosto disso."

Frustrados com as fitas brutas daquelas sessões, os Beatles deixaram o projeto de lado para gravar e lançar Abbey Road (que acabou sendo o último álbum gravado por eles, embora lançado antes) em 1969.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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